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As mulheres dos Camilos.

por Fernando Lopes, 6 Jul 16

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Se num exercício isento de hipocrisia, analisarmos as relações entre casais com grandes diferenças de idade, restar-nos-á sempre um esgar no canto da boca e sorriso cínico. Foi assim com a Duquesa de Alba e o seu funcionário público, Pinto da Costa e Fernanda, Camilo e Paula Marcelo. Inevitavelmente pensamos que a parte mais jovem do casal se interessa pela fortuna e prestígio do mais velho, não pela pessoa em si. Será verdadeiro em muitos casos, somos confrontados com o nosso juízo apressado em outros tantos. Não deixamos de sorrir cinicamente quando Camilo se casou com uma mulher que teria idade para ser sua neta. Dezenas de anos depois permaneceu a seu lado, cuidando-o até à morte. Se isto não é amor, não sei o que o será. A todas as mulheres e homens de Camilo(as), o meu respeito e admiração.

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Temas:

Clube do Bolinha.

por Fernando Lopes, 5 Jul 16

Um comentário ali abaixo da alexandra g. fez-sorrir porque versa um tema que os próprios homens se recusam a analisar. No fundo, no fundo, de que são compostas as conversas de gajos? Há um tema universal e omnipresente: mulheres. Falamos sempre de mulheres nem que tenhamos de ir ao Pólo Norte e vir para as conseguir encaixar na conversa. Nisso somos iguaizinhos. Depois as discussões «vareiam». Há os malucos da bola que sabem o resultado do Famalicão-Tirsense de 1983; os confessionais que fartos de serem mal-tratados em casa desabafam com qualquer cão e gato sobre os seus problemas afectivo-familiares; os que lêem e recomendam essas coisas com letras uns aos outros; os que ficam silenciosos no canto como se aquilo não fosse nada com eles; os fala-barato que têm opinião sobre tudo; os cagões que acham que o último modelo Jaguar os fará serem mais respeitados por machos e desejados por fêmeas; os místicos que procuram o caminho do sagrado através de algo profano como cervejas frescas e mulheres fáceis; os que amam a sua «esponja» e no entanto lhe porão os cornos à primeira oportunidade; os intelectuais, que falam, falam, sem que ninguém os perceba ou esteja sequer verdadeiramente interessado; o que tem sempre um engate novo para contar; os maluquinhos das motas; os que abarcam todas estas categorias e ainda mais algumas por nomear. Obviamente não são conversas fechadas: conseguimos discutir política, gabar as proezas dos filhos, e apreciar o cu da empregada do bar, tudo ao mesmo tempo.

 

No fundo, tirando as temáticas, as conversas de gajo devem ser iguaizinhas às de gaja.

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Sr. Marques, um cabinda.

por Fernando Lopes, 3 Jul 16

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O Sr. Marques não é português, apesar de aqui ter vivido a maior parte da sua vida. Menos ainda angolano, é um cabinda. Diz com indisfarçável orgulho que existem um rio e uma terra a separá-lo de Angola, a história do enclave e da feitoria, o facto de Cabinda estar entalada entre dois Congos e o mar.

 

Conta com brilho nos olhos as traquinices da mocidade em que partia de Cabinda para o Congo a vender feijão, e de como o apuro era logo ali gasto em farra, discotecas e copos. Fala da beleza da floresta do Maiombe como se lá estivesse.

 

De como foi tratado pelo Serviço Nacional de Saúde a um problema grave:

 

- Os meus compatriotas dizem mal dos tugas, eu só posso dizer bem, fui tratado como um príncipe.  

 

Da sua alegria em ver a cidade cheia de turistas, como gosta dos rostos surpresos a descobrir o que se lhe tornou familiar, da angústia em não falar inglês e consequentemente não conseguir transmitir o seu encantamento.

 

A cidade está cheia destas personagens plenas de afectos e «estórias», assim soubermos ouvi-las, e na modéstia das nossas limitações, partilhá-las.

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Meter os pés pelas mãos.

por Fernando Lopes, 2 Jul 16

É uma arte que domino com mestria. Padecendo de uma forma avançada de incontinência verbal, sentido de humor retorcido, cinismo rijo como carapaça, acontece-me com frequência. Ainda ontem fiz uma piadola que deixou o interlocutor ofendido quando não era esse o meu intento. Depois vou atrás, tentando pôr paninhos quentes, explicando que o meu objectivo era – só – uma graça que eventualmente poderia não ter piada nenhuma. Prima donnas ou serei eu uma besta? Analisando bem, um bocadinho de ambos.

 

 

Nota mental: trabalhar para ser politicamente correcto, menos desbocado e impulsivo. É como pedir a um burro que fale, mas pode ser tentado.

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Surrealismo no bolso.

por Fernando Lopes, 30 Jun 16

surrealismo.jpgAinda m'espanto com o que um telemóvel e um app gratuita podem criar

 

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Todos pelo nome.

por Fernando Lopes, 29 Jun 16

D. Vera, Sr. Lopes, os meus colegas, Andreia, Márcio, Sr. David, Thaís, Pedro, Liliana, Guiomar, novamente Sr. Lopes, Marta. Estas são as pessoas com quem me relaciono todos os dias de trabalho. São empregados de café, donos de tabacaria, restaurante, outro café, novamente tabacaria – sou um tipo estranho, compro um maço de cigarros de manhã e outro ao fim da tarde para não gastar 8,20 euros de uma só vez. Conheço-os a todos pelo nome. Uma das mais novinhas, Thaís, está grávida. Vai ser um menino. Fiquei feliz.

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Candidatos a críticos literários.

por Fernando Lopes, 28 Jun 16

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Quando compro um livro gosto de dar uma volta pela bloga a ler opiniões alheias. Arrependo-me sempre. Admiro imenso quem escreve de modo sério, laborioso, trabalha um enredo, dedica tanto a aperfeiçoar o escrito como a escrever. Como sei que o talento é escasso mais essa admiração cresce, pois qualquer das «estórias» que leio me seriam impossíveis de urdir. Para se saber escrever é primeiro preciso saber ler. Há blogues de crítica literária em que os autores não sabem fazer uma coisa nem outra. E os comentários senhores, porque os escrevem assim?

 

A propósito de «O Sentido do Fim» de Julian Barnes, deparei-me com isto:

 

«queria dizer que o livro necessitaria de mais do que as 152 pág. que tem para ser grandioso. Pode-se fazer muito - e bem - em poucas páginas mas há limites e para aprofundar tudo aquilo que é aflorado e tornar este livro mais rico penso que lhe falta tamanho - corpo.»

 

Corpo, um cartapácio, isso é que era. Qual depurar a escrita, qual minimalismo, qual quê, nunca se escreveu nada de grandioso em menos de 300 páginas.

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«andar».

por Fernando Lopes, 27 Jun 16

É melhor eu explicar o conceito de «andar» com alguém, já que o tempo o alterou. Falei recentemente com uma amiga, cuja filha chegara ao pé dela num estado de aflição. Estava no segundo trimestre da universidade e tinha dormido com um rapaz que andava – abertamente e com conhecimento dela – a dormir com várias outras raparigas ao mesmo tempo. O que ele fazia era uma audição a todas, antes de decidir com quem viria a «andar». A filha estava perturbada não tanto pelo sistema – embora se apercebesse da sua injustiça – mas pelo facto de, no fim, não ter sido a escolhida.

 

Isto fez-me sentir como um sobrevivente de uma cultura antiga e ignorada, cujos membros ainda usavam nabos esculpidos como forma de troca monetária. «No meu tempo» – e embora na altura eu não revindicasse tal propriedade, agora ainda a revindico menos – era isto que costumava acontecer: conhecíamos uma rapariga, sentíamo-nos atraídos por ela, tentávamos cativá-la, convidávamo-la para um ou dois eventos sociais – o pub, por exemplo – depois convidávamo-la para sair a sós, convidávamo-la de novo e, após um beijo de boas noites de intensidade variável passávamos, por assim dizer, a «andar» com ela. Só quando estávamos prática e publicamente comprometidos, é que descobríamos a política sexual dela. E por vezes isso significava que o corpo dela era tão estrito e reservado como uma zona de pesca exclusiva.

 
JULIAN BARNES IN «O SENTIDO DO FIM»

Barnes nasceu em 1946, eu em 1963. Os dezassete anos que nos separam, Leicester onde nasceu e o Porto que me pariu são tão próximos na descrição do que era «andar» no final dos anos 60 do século passado e nos inícios dos 80, que estas palavras poderiam perfeitamente ser minhas, da minha geração. Estas e outras fazem-me sentir que já não sou deste tempo e que não quero que este tempo seja o meu.

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A arte de não se levar a sério.

por Fernando Lopes, 27 Jun 16

Há um blogger que diz «Não Entendo As Mulheres», eu, quanto mais as entendo menos as percebo. Se, como fiz num comentário abaixo, refiro que as mulheres portuguesas são mais retraídas e conservadoras em relação a sexo, logo ficam zangadas. São no entanto as próprias as primeiras a sentirem-se desconfortáveis perante pessoas do sexo feminino com uma escolha de parceiros menos criteriosa. Não sou juiz, estou-me nas tintas para a forma como cada uma das senhoras gere a sua vida sexual. Não é segredo para ninguém que sou estranhamente feminino nesse aspecto, fodendo porque estou apaixonado, não fodendo para me apaixonar. Há milhares de tons de cinzento, cada um de nos transporta consigo a sua mundividência, nada do que escrevo tem importância. São observações, pensamentos falados alto com elevadas probabilidades de estarem errados.

 

Nestes anos muita coisa mudou, há uma atitude mais igualitária em tudo na nossa sociedade, comportamentos sexuais incluídos. Cada um(a) faz o que entende, com quem entende, como entende. Obviamente procuro atitudes, visões, sensibilidades iguais à minha, já dizia o Carlos Tê «não se ama alguém que não ouve a mesma canção».

 

Nada disto implica superioridade moral, nem minha nem de quem como eu pensa e age. Nada, mesmo nada do que aqui escrevo, deve ser tomado como exemplo do pensamento masculino, dada a atipicidade da minha atitude perante estas questões como pelo facto de o padrão ser não existirem padrões.

 

Sinceramente, «who gives a fuck about what Fernando thinks?» Por amor de deus não me levem a sério, que eu também não.

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É oficial, Porto e Lisboa estão a transformar-se numa espécie de Disneylândia. Aqui no Porto, durante a Primavera, migra o afamado «camone de poupa branca». Esta espécie que se caracteriza pela cabeça branca, e por se deslocar lentamente e em bando, não é das mais destrutivas. Incomodam quando caminham na baixa, pois o seu vôo é sempre em diagonal e muda frequentemente de sentido o que torna quase impossível ultrapassá-los. Tirando isso são absolutamente inofensivos, passando grande parte do tempo alapados em esplanadas a beber bejecas.

 

Detectei a chegada de nova espécie por estes dias de verão, a «camona searching for a latin lover». De variadíssimas idades, mas sobretudo na casa dos 20, é loira, padece de excesso de peso, usa calções e chanatas. Pode ver-se ocasionalmente uma sub-espécie altamente papável, a «camona magra e arranjadinha». Certo é que os poucos machos entre os 20 e 30 que não emigraram têm enorme dificuldade em responder às solicitações, sendo que algumas destas jovens, esfomeadas e com calor, começam a baixar a fasquia. Aqui entre nós, já fui alvo de um ou dois olhares gulosos, imaginem lá o desespero. Rapazes, não se pode negligenciar a chicha nacional, que é de qualidade e é nossa.

 

Aos gajos dos Tuk-Tuk um aviso: se algum de vocês me volta a ultrapassar pela direita, juro pela minha avozinha que vos mando para o galheiro, camones incluídos. Já agora não sejam parolos e dêem alguma identidade portuguesa à merda dos tuk-tuk. Em cima o exemplo dos vossos colegas lisboetas que decoraram o veículo de origem asiática com um belíssimo padrão de azulejos.  Camelos dos segway: quando me passarem outra tangente a velocidade inapropriada, estico o cotovelo e levam com ele em cheio nos dentes. Melhor começar a fornecer capacetes integrais just in case…

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    Good morning. :)A feminine scent is always welcome...

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    well, well, well, what about one the boys 'joining...

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