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Plo Minho.

por Fernando Lopes, 17 Ago 14

Passei por Ponte da Barca,
curti cogumelos psicadélicos
e viajei numa trip de verde.
Vi espigueiros com antena de TV,
e andorinhas «electro».

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Troca-Troca.

por Fernando Lopes, 14 Ago 14

Na rua, dois jovens canitos entregam-se a actos homossexuais. Para o Abominável César da Neves, um infinito pecado animal. Vejo-os e não consigo deixar de estabelecer um paralelo com a guerra Costa-Seguro. Fodem-se publicamente, enquanto os transeuntes, leia-se eleitores, assistem indiferentes. 

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«A autonomia afectiva é uma ilusão»

por Fernando Lopes, 13 Ago 14

Extrato de uma entrevista de Claude Habib ao Libération a propósito do seu novo livro «Le goût de la vie commune».

 

Mal-grado a conotação negativa, faz do tédio uma condição sine qua non da vida a dois…

 

Desejar a excitação permanente é pueril. Existem boas razões para terminar uma relação, não o tédio. Voltar contra o outro uma monotonia que em si mesmo é do casal, é fazer um processo de intenções: não podemos desejar a estabilidade e incriminar o tédio. Não falo do spleen, mas simplesmente do estado em que não se passa nada, essa plataforma continental da idade adulta. Não tenho a receita para a vida a dois, mas no mínimo, é o acordo sobre a procura de escutar o outro. Ouvir é o objectivo. É também o meio. Pascal Bruckner fala dos benefícios da vida em comum, esquecendo-se que deixa ressentimentos por vezes indeléveis. É necessário fazer o possível para adiar e aguardar pela calma que permite compreender. Amar é guardar a infelicidade para mais tarde. 

(...)

 

(*) A perspectiva da autora não é necessariamente concidente com a minha.

(**) Tradução (traição) minha. Ler o original em liberation.fr.

 

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Bigger is better.

por Fernando Lopes, 12 Ago 14

Numa viagem de metro dediquei-me a observar os telemóveis dos jovens que comigo seguiam. Parece que «bigger is better», pois quase todos falavam ou navegavam em tijolos imensos. O primeiro telemóvel que tive, talvez há cerca de 20 anos, foi um Mimo, que custou a bonita quantia de 50 contos (250 euros). Um Alcatel grande e pesado em que a bateria apenas durava um dia. Depois os telemóveis ficaram mais e mais pequenos, até que os últimos modelos que serviam apenas para telefonar e enviar mensagens se perdiam na imensidão das carteiras femininas ou nos bolso de um casaco. Foi a fase «onde está a porra do telemóvel?».

 

Com o surgimento dos smartphones os écrans foram crescendo e crescendo até tomarem as medidas de um pequeno tablet. Navego na net, envio emails, mas não estou disponível para andar com uma coisa que não caiba no bolso traseiro de uns jeans. Essa é a minha medida, 5 polegadas, o tamanho do iPhone 5. O vindouro iPhone 6 em vez de definir o padrão, seguirá a concorrência, aumentando o tamanho. Rapaziada das telecomunicações, podem inventar o que quiserem, seguir as tendências da moda, não contem comigo para esta crescente mania das grandezas.  

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Avença com a angústia.

por Fernando Lopes, 12 Ago 14

Estou numa floresta muito densa, escura, húmida. Corro a refugiar-me junto de uma enorme árvore de aspecto ameaçador cujos ramos se inclinam sobre mim como os dedos longos e finos de uma bruxa. Tenho medo, sinto-me desoladamente só. Grito para que me acudam, num timbre grave e rouco. Chamo a avó, a mãe, a minha mulher. Inútil, ninguém responde. Choro compulsivamente, até que as lágrimas, como gotas de chuva, se acumulem no queixo, um fio de baba fique pendente, os olhos me doam e saiam fora das órbitas.

 

Acordo encharcado em suor e ouço a respiração lenta e sincopada da Teresa. Estranho sonho, em que tenho medo do que está à minha volta, procuro refúgio nas mulheres que me estão mais próximas, ando perdido num labirinto de verde. Talvez uma metáfora para a vida, apenas um pesadelo, ou mais?

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Memória.

por Fernando Lopes, 11 Ago 14

A memória é um polvo ou um cancro: estende sinuosas metástases que se desenvolvem de moto próprio, colonizam o corpo e a ele se agarram com ventosas firmes, beneficiando da fraca resistência que oferece um organismo sem ânimo nem vontade, predisposto à doença que é recordar.

 

Manuel Jorge Marmelo «O Tempo Morto É Um Bom Lugar»

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Vai-se andando.

por Fernando Lopes, 9 Ago 14

O Manel continua desempregado, vai-se andando, o marido bateu na vizinha, vai-se andando, uma família morreu esmagada contra um camião quando ia de férias, vai-se andando, à velha senhora roubaram as jóias, vai-se andando, bombeiros foram tragados pelas chamas, vai-se andando, o banco falido vai ser recapitalizado, vai-se andando, a mãe prostituía a filha, vai-se andando, o gato vadio foi atropelado, vai-se andando, um vírus está a matar os pretos, vai-se andando, o Joaquim teve uma trombose, vai-se andando. Vai-se andando, porque ir andando é a melhor forma de permanecer parado.

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Beleza.

por Fernando Lopes, 8 Ago 14

Numa sociedade de multiplicidade os padrões de beleza são cada vez mais restritos e homogéneos, ignorando a variedade de formas e cores do ser humano. Um desastre. Não consigo definir normas para uma mulher bela. Já as admirei roliças e rubensianas, magras como um caniço, peitudas ou com maminhas ainda mais pequenas que as que sou portador. Sexyness é algo inexplicável que me transporta muito para além do corpo, algo mental na forma de lidar com a corporalidade, um carisma muito para além do que se vê. Ser sexy vem essencialmente de dentro, é um sorriso, um cheiro, uma atitude.

 

Um mercado infindável de cremes, ginásios, cirurgias plásticas, cresceu à volta das mulheres, tornando-as tão padronizadas que o conceito de mulher bela é quase único no mundo ocidental.

 

Hoje em dia estes princípios aplicam-se também aos homens. As revistas enchem-se de belos rapazes, barba de dois dias e torso musculado, sem penugem que se veja, versão masculina da Barbie. O mundo está cheio de belos moços que não correspondem aos padrões de hoje. A Gaffe acha que isto é um momento agridoce de vingança do sexo feminino por tudo o que as obrigaram a passar durante décadas. É justo o seu desabafo. Todavia o novo homem, viril e musculado é, tal como foram as mulheres de sonho, um produto de marketing.

 

Esgotado o mercado feminino de beleza, porque é necessário continuar a vender, o negócio expande-se para os homens. Aceito com bonomia o entusiasmo com o novo padrão masculino; tal como o feminino, nunca me interessou. Nos tempos que correm é muito mais fácil encontrar uma pessoa boa que uma boa pessoa. Literalmente.

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Sinfonia em verde.

por Fernando Lopes, 7 Ago 14

(anatra vivace)
(rana scherzando)
(giglio di aqua maestoso)

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O carteiro de Fernando Lopes.

por Fernando Lopes, 6 Ago 14

Contrariamente ao livro de Antonio Skármeta que deu origem ao filme «O Carteiro de Pablo Neruda», sou incapaz de ensinar poesia, tampouco o único destinatário do serviço de correio. Durante muitos anos o meu carteiro foi o Sr. Zé Pedro, um homem de trinta e tal, quarenta anos, cabeça rapada e sorriso franco. Numa zona com imensas habitações, conseguia prestar serviço atento, personalizado, profissional e simpático, um verdadeiro embaixador dos CTT. Nunca falhava uma entrega importante, a todos sorria e conhecia pelo nome. Há dois ou três anos mudaram a sua zona de trabalho. O substituto nunca o vi, apenas mais um anónimo na prestação de serviços.

 

Hoje ao sair de casa encontrei o Sr. Zé Pedro que saudei com alegria. Parece que regressou aqui à Boavista, garantia de qualidade e confiança. Logo ali me entregou a carta de condução por que aguardava há meses. Um vizinho cavaqueava alegremente com o «nosso carteiro». As rotações de pessoal, comuns nas grandes companhias, são muitas vezes contraproducentes, uma vez que se perde o contacto com a pessoa com quem estamos familiarizados e a quem conhecemos e respeitamos as qualidades de trabalho.

 

Deviam os gestores saber que «as empresas são as pessoas» é muito mais que um chavão de Recursos Humanos, são elas a imaginem de integridade e competência da própria empresa. Por isso, bem-vindo de volta Sr. Zé Pedro, obrigado CTT. 

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    Não sei o que te dizer, por isso guardo um respeit...

  • Fernando Lopes

    Toys boys para barbie girls. :) Não desvalorizo a ...

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    Passei dos 65 para os 62 porque às vezes os dinheu...

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    :)))MAS esta caracterização traz danos colaterais:...

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