Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Se algum dia não quiseres o teu marido…

por Fernando Lopes, 24 Abr 16

Vivemos estórias tão inverosímeis que parecem efabulação. Sou amigo há imensos anos de um daqueles casais de namorados de infância que «deram certo». A minha amiga é de Belas-Artes, ele engenheiro informático. Um tipo adorável: é habilidoso, sempre bem-disposto, colabora nas tarefas domésticas, toca guitarra. A antítese deste cão sarnento de raça indefinida que vos escreve.

 

Essa minha amiga tinha uma colega de faculdade completamente choné. Psicótica, com a mania da perseguição, era um desafio que qualquer psiquiatra não desdenharia.

 

Convidam-na para jantar. Ele desdobra-se na sua habitual simpatia, prepara caipirinhas, ajuda no jantar, põe a mesa, sempre com uma piada e sorriso como é o seu jeito. A choné não resiste e observa:

 

- Olha, o teu marido é bem-parecido, jeitoso, colaborante, simpático. Se algum dia não o quiseres, avisa-me, precisava de um tipo assim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Rui Moreira, o candidato imbatível.

por Fernando Lopes, 23 Abr 16

05130350b4b0f3c6c2111e49e6e4424f.jpg

 

Acordo e leio que o PS se predispõe a apoiar a candidatura de Rui Moreira à câmara do Porto. Pudera, Moreira tornou-se absolutamente imbatível. Depois de anos e anos a aturar o tétrico e bafiento Rui Rio e sua política salazarenta, poupadinha e autoritária, o novo presidente foi uma lufada de ar fresco.

 

A movida portuense que hoje atrai milhares à cidade nasceu contra Rui Rio. A street art que hoje nos rodeia, do D. Quixote do Rosário à velhinha em Miragaia, têm o beneplácito de Moreira. Há nele urbanidade, tolerância, capacidade de diálogo, uma visão para a cidade, tudo elementos de que carecia o ensimesmado Rio.

 

Na prática será eleito com 60% ou mais dos votos, nenhum partido à excepção do PCP e eventualmente o BE quererão associar-se a uma derrota anunciada.

 

Não votei em Moreira, que está a milhas ideológicas de onde me situo, ainda assim penso que tem feito um excelente trabalho. Precedendo Marcelo, trouxe à cidade e à política os afectos de que necessitamos, simplicidade, alguma ternura, empatia, fazendo cair no esquecimento o tenebroso legado da múmia que o precedeu.

 

Vai ser reeleito de modo avassalador.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Coscuvilhice.

por Fernando Lopes, 20 Abr 16

Não sei quem deu às mulheres fama de cuscas, mas estou quase 100% seguro que foi um homem. Quem pensa que a intriga, maledicência, coscuvilhice, são essencialmente femininas está redondamente enganado. A minha percepção é que os homens o são tão ou mais que as mulheres. É frequente encontrar tipos a dizer mal uns dos outros, das mulheres dos outros, da roupa dos outros, uma miríade de intriguismo de fazer corar alcoviteira profissional. O meu dia-a-dia já é suficientemente caótico para que possa perder tempo a dizer mal de alguém a não ser de modo muito reservado e esporádico, normalmente por me tentaram «fazer o amor», vulgarmente conhecido como f@#er. Cada vez mais me convenço que as diferenças entre homens e mulheres são insignificantes. O que nos difere enquanto humanos tem pouco a ver com género, mais com educação e carácter. Uns têm, outros não.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não há pai para esta filha.

por Fernando Lopes, 18 Abr 16

Como sabem os fregueses regulares do blogue sou ateu convicto, fiz questão de não passar valores religiosos à minha filha. Adopta-los-á se assim o entender. Fez hoje um ano que faleceu um familiar próximo e fiz questão de estar presente por respeito ao que partiu, dever de solidariedade aos vivos. Além da homenagem aos falecidos, naquela cerimónia também se celebrava um centenário. Chegado o momento da colecta lá depositamos as habituais moedas.

 

- Pai, também se podem dar cheques? É que aquela senhora deixou um envelope.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Vale a pena?

por Fernando Lopes, 16 Abr 16

O Carlos Azevedo coloca no seu novo blogue uma questão pertinente: o que andamos a fazer por aqui? Quem está do outro lado? Temos de facto empatia, pontos comuns com que nos lê e lemos? Quantas pessoas conhecemos para além do modo virtual? Vale a pena? Que me recorde – e perdoem-me se me esquecer de alguém – conheci duas pessoas que admiro imenso: a Treza Alves e Soliplass. Comecei por pedir à Treza que me fizesse um layout para o blogue. Não só o fez como criámos mútua admiração e respeito. Sempre que vem ao Porto telefona-me, vamos sair e beber uns copos juntos. Conheci o seu companheiro Luís, também ele um criativo, almoçamos juntos com a minha família, mostrei-lhes bocados secretos do meu Porto como quem se desnuda sem vergonha. Com Soliplass tenho dois pontos comum: a enorme admiração por J. Rentes de Carvalho e o amor pelos livros. Perto dele sinto-me «intelectualmente anão», mas a sua afabilidade, o seu jeito calmamente nórdico, a paixão pela liberdade metaforicamente simbolizada numa moto amarela só me fizeram gostar ainda mais dele. Ao Carlos, que conhecia de amigos comuns ganhei um carinho e respeito que só se consegue quando se conversa para lá do ambiente de festa. É um tipo simples, despretensioso, mas extraordinariamente arguto. Mesmo quando discordamos admiro-lhe a inteligência e qualidade de argumentação. Valeu a pena? Claro que valeu, estas três pessoas entraram no meu coração e aqui ganharam lugar cativo.  

 

P.S. – Imperdoavelmente, esqueci-me de mencionar o Filipe. A razão é simples: entrou pela minha vida como um camião desgovernado, estamos tantas vezes juntos e trocamos tantas confissões e angústias que os blogues ficaram bem lá para trás. Desculpa, Filipe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

che.jpg

 

Não sendo versado em ciência política como o dr. Soliplass, uma coisa admiro no capitalismo: a sua capacidade adaptativa de, como uma esponja, tudo absorver e transformar, fazendo dos seus adversários ícone e lucrando com eles. Vem esta prosa a propósito da marca de cigarros «Che» que encontrei à venda numa tabacaria. Nunca o revolucionário pensou ver-se nestas andanças, mas o capitalismo é assim mesmo. Tudo é bom desde que dê lucro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dia do beijo.

por Fernando Lopes, 13 Abr 16

Logo pela manhã oiço na rádio que é o dia do beijo e que andam a distribuir beijos pela baixa lisboeta. Parece-me bem, o mundo anda negligente com os afectos. Como já aqui devo ter referido, na empresa onde trabalho existem jovens «outsourcers», a maioria deles acabadinhos de sair da faculdade. Duas das mais novinhas, com pouco mais de 20, distribuíram beijinhos no «defumadouro», gaiola nas traseiras do edifício onde nos é permitido fumar. Não resisti à piadola:

 

- Já se passaram imensos anos desde que recebi beijos de duas miúdas cuja idade somada é inferior à minha!

Autoria e outros dados (tags, etc)

O escolhido.

por Fernando Lopes, 12 Abr 16

filha.jpg

 

Esta fotografia já foi publicada no Instagram e Facebook, mas é um resumo de uma relação que me é mais preciosa que todo o ouro do mundo. Partilho a «estória» por detrás da mesma. A minha mulher tinha um jantar, foi dada a hipóteses à cria de escolher com qual dos progenitores queria passar a noite. Mesmo com outras crianças no evento concorrente fui o escolhido. Combinámos jantar na pizzaria favorita da miúda, na Praça Carlos Alberto. Sempre tive espírito boémio, a Matilde sempre foi boa companheira de farra. Partilho com ela as tabernas, bares e restaurantes que me são mais queridos. Se forem com ela à ribeira aconselhará a esplanada da D.Deolinda, dir-vos-á onde é a «Badalhoca da Baixa» e como gostas das sandes de panado, referenciará as tostas mistas do «Aduela» e uns copos de sumo no «Candelabro». Já comemos iscas oleosas num tasco, mesmo tasco, da Sé, dançamos até às 4 no S.João frente ao «Rádio». Não faço questão que ela me siga as noites perdidas entre cervejas e conversa, mas é meu dever como pai mostrar esse lado risonho da vida. Assim não será uma pateta deslumbrada quando chegar a sua vez de sair à noite.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Sem computadorzinho, não há palhacinho.

por Fernando Lopes, 5 Abr 16

Está a tasca temporariamente suspensa devido a um computador que faleceu em serviço. Vai a coisa para arranjar logo que possível. Aguardando imensas lágrimas dos meus queridos leitores, prometo que o interlúdio será tão breve quanto possível.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gaia, a terra onde até o GPS se perde.

por Fernando Lopes, 3 Abr 16

Cada vez que tenho de ir a Gaia todo eu tremo. Criado do outro lado do rio, basta-me atravessar a ponte e andar meia-dúzia de metros para ficar perdido. Conheço muito boa gente nada e criada em Gaia, nada me move contra os gaienses, mas as ruas senhor, porque as fizeste tão desordenadas, caóticas, labirínticas?

 

É aquele sítio onde vejo o El Corte Inglés e não consigo descobrir como se entra para o edifício. Hoje mais um episódio. A filha ia jogar paintball perto da entrada da cidade. Meto a rua no GPS e este indica-me a descida para a Afurada. Sigo cegamente a coisa e vou dar à dita rua, mas esta não tem saída. Às arrecuas faço o caminho inverso e pergunto a uns homens num café onde fica a rua coisa e tal.

 

- É esta, mas o sítio que procura deve ser naquela passagem acima que é a mesma rua. Olho para o alto e «a mesma rua» está num plano elevado uma dúzia de metros acima. Haverá outra terra com a mesma rua a existir em dois planos paralelos com uma separação de altura de mais de 4 andares de diferença?

 

O deus do caos urbanístico andou por Gaia, gostou tanto, que por lá assentou residência permanente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

subscrever feeds