Quinta-feira, 02.05.13

Estranha forma de sedução.


Como sabem as almas do purgatório – sim, estou a referir-me a si, caro leitor(a) – sou desses seres raros e misóginos da raça dos fumadores. Hoje em dia tudo é preferível a ser viciado em tabaco. Se confessar ao seu médico que contraiu herpes, gonorreia ou chatos, será contemplado com um sorriso complacente; se se disser fumador, será abjurado para todo o sempre.

 

A empresa onde trabalho criou um cruzamento de paragem de autocarro e “fritadeira” do Tarrafal, onde seres estranhos se divertem a inalar e exalar fumo com grande satisfação. O local, nas traseiras do edifício, possibilitou-me o interesse pela ornitologia. Enquanto fumo observo melros, passarada vária, e sobretudo, gaivotas. Sou um David Attenborough amador, pois já assisti a todas as fases de vida deste mal-amado animal. O que parecia impossível, aconteceu: ganhei afecto à espécie depois de ver os pais acasalar, nascer os pretos filhos, observar as tentativas patéticas de voo.

 

Para os menos atentos, cumpre-me informar que se iniciou a época de acasalamento. Já tinha assistido – pensava eu – a todas as formas de sedução. Os gritos estridentes, alisar de penas, acrobacias aéreas e toda uma panóplia de tentativas de dar nas vistas em que todos os machos são pródigos, fazendo pouco mais que figuras de parvos, pois também nas aves, têm as fêmeas a última palavra. Quando nos convencemos que já vimos tudo, logo a natureza se encarrega de nos surpreender. Hoje, uma espécie de Zezé Camarinha da gaivotagem regurgitava para o bico da amada, provando-se perfeitamente capaz de prover sustento para a futura família nestes tempos difíceis. Este gajo vai longe; pensei. Já incorporou o espírito da troika e tal como os nossos governantes, depois de encher o papo, vomita o que já não quer e ainda faz boa figura. 

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Fernando Lopes às 19:30 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Quarta-feira, 01.05.13

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Manuel Jorge Marmelo é um dos mais talentosos e menos mediáticos escritores da sua geração. Durante anos publicou no seu blogue “Teatro Anatómico”, as “Crónicas do Autocarro”, pequenas peças sobre o transporte público e seus utentes, a vida, nós portuenses e portugueses. É simultaneamente divertido e analítico. Ide e comprai. Cinco euros e um email para ilhanua@gmail.com bastam.

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Fernando Lopes às 12:23 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Terça-feira, 30.04.13

Um gato e um pof.

Tenho as prioridades todas trocadas. Sou um merdas imbuído da moral luterana que Merkel & Associados querem impingir. Na bruma da manhã fiz um percurso diferente. Fui tomar o café que dá o segundo estalo de acordar ao Convívio. À porta dois sem abrigo a curtir os primeiros ventos do dia. Fixei-me num. Embora sujo, exibia um ar feliz. Sorria placidamente, acarinhando o gato que estava no seu colo. Fumava um charro perfumado. Confesso que tive inveja, não da sua situação, mas do relaxamento. Um gato e um pof, pouco mais é preciso para ver o mundo da sua verdadeira perspectiva; um lugar que não merece azáfama ou incómodo.

Fernando Lopes às 23:53 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 29.04.13

IRS.

O mundo dos impostos é um universo paralelo. Nesse local estranho, cumpro o meu papel, pagar. Invulgar para um “nabo fiscal” como eu, é que com rendimento e despesas idênticas vá receber mais 700 euros que no ano transacto. Será Vítor Gaspar a tenta seduzir-me para as suas políticas? Bem podes tentar, não estou disponível.

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Fernando Lopes às 19:40 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 28.04.13

Já não há almoços de domingo.

Em solteiro, como viva com os avós, passava o fim-de-semana em casa dos pais. A estada incluía a muito esperada farra de sábado à noite e almoço de domingo. Quando me casei, já sem pai e avô do lado dos vivos, alternava entre a casa dos sogros e, uma vez por mês, a mãe juntava-nos. Eram almoços de ausência, pois por esta ordem, filho e pai tinham desaparecido em seis meses. Havia sempre ternura pelas três viúvas – a mãe e as avós – e uma sensação de ausência e angústia.

 

Após uma incompatibilização com o meu sogro, a tradição passou para casa da avó da minha mulher, matriarca de créditos firmados ao longo de 93 anos de vida. Com o agravamento do seu estado de saúde, abdicámos de sobrecarregar a empregada que já não tem uma vida nada fácil ao ter de tratar de uma nonagenária com saúde frágil.

 

Os celebrados almoços de domingo, com tripas, cozidos e bacalhaus vários, deixaram de existir. Três gatos pingados, almoçam tarde e sem entusiasmo. Como em tudo, o tempo corrói. É agora mais triste o meu domingo. Quem ainda se reúne em família e entre gerações, tire desses encontros o máximo proveito, pois como tudo, também esse momento de união irá enfraquecer, e tendencialmente morrer.

Fernando Lopes às 01:10 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Sábado, 27.04.13

O dia dos telemóveis.

Só sabemos quanto estamos dependentes destes aparelhos quando se avariam ou os perdemos. Hoje foi dia dos ditos. O botão de Home do meu iPhone deu o berro. Sem aquele botão mágico a coisa funciona de um modo muito deficitário. Pesquisei em várias lojas e o mais barato que consegui para substituir a membrana do botão foram 60 aéreos. Puta que pariu! Preço da peça 5 cêntimos, preço da “mão-de-obra”, 59,95. Já estava a deitar fogo pelas ventas com tanto dinheiro tão mal gasto, mas parte da minha vida está naquela maquineta.

 

Ainda a coisa mal tinha começado. Após o jantar, a mãe, solícita, foi sacudir a toalha de mesa. Com elevada probabilidade levava lá dentro o telemóvel da minha mulher. Como mora num 9º andar a coisa deveria ter-se esfrangalhado na queda. Nem uma pequena peça se encontrava no chão. Procurámos em casa, no jardim, no chão, nos arbustos… e nada. A chefe da casa de lagrimeta no canto do olho e o pessoal de rabo para o ar. Certo é que a coisa desapareceu e quando se liga vai directo para o voice mail. Onde está? Desfez-se com o tombo? Mistério. Como é que vivemos uma eternidade sem telefone de bolso, e agora não podemos passar sem o estafermo do zingarelho? 

Fernando Lopes às 00:33 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quinta-feira, 25.04.13

A roupa que vestes pode matar.

"Pelo menos 238 mortos em prédio que fabricava roupa para a Primark e Mango."

 

Adenda: Recentemente discutia-se por estas bandas os efeitos nefastos da desindustrialização para a Europa. Seria aceitável perdermos algum do bem-estar adquirido se tal significasse a melhoria da qualidade de vida da população da Ásia e continente sub-asiático. Na prática só vemos escravatura, miséria e morte. Em simultâneo, grandes empresas e seus capatazes a engordar. Sempre à custa do sangue da maioria.

Fernando Lopes às 20:38 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quarta-feira, 24.04.13

Estória do pré 25 de Abril.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O pai, por afazeres profissionais, passava a vida entre o Porto e Londres. Como secretário da Câmara do Comércio Luso-Britânica acompanhava e intermediava missões comerciais entre a ilha e o continente. Era um apaixonado por livros e pintura. As suas horas vagas eram passadas no escritório entre livros, máquina de escrever e pincéis. Numa das suas viagens a Londres comprou um livro em inglês sobre a pintura russa no séc. XX.

 

Era um homem de esquerda, não alinhado, e adivinho que a aquisição se deveu mais ao interesse em arte que em política. No entanto, o simples facto de trazer um livro sobre pintores russos foi o suficiente para ficar detido no aeroporto e uma breve passagem pela PIDE.

 

Serve este episódio menor apenas para recordar o quão estúpido era o regime a que alguns ousam tecer póstumos elogios. Se algum palhaço me disser que era preciso outro Salazar, palavra de honra que lhe prego dois tabefes. 

Fernando Lopes às 01:25 | link do post | comentar | ver comentários (7)
Terça-feira, 23.04.13

“Isto não é uma autobiografia, é a história da minha vida.”

Foi o que respondeu Linda de Suza quando entrevistada sobre o seu livro “Mala de Cartão”. O crítico, mordaz, dizia que a senhora tinha toda a razão, uma vez que a autobiografia é um género literário e o que a portuguesa tinha escrito não se podia considerar tal. Estou com Sra. D. Linda, o que escrevo são apenas estórias que passam pela minha vida e que partilho com prazer.

 

Nem sempre é possível ser mordaz, crítico ou engraçado, por isso, em certos momentos, pouco mais nos resta que fazer prova de vida. Como alguém que vem à janela gritar para afirmar a sua existência, ou nos locais de veraneio, em que solícitos empregados de mesa, toalha no antebraço, nada fazem além de convidar os turistas a entrar e provar as maravilhas do menu.

Fernando Lopes às 18:56 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 22.04.13

Estranho é…

observar um chinês, calmamente, na paragem de autocarro, a tirar macacas do nariz e colá-las no poste que indica as linhas. Espreito os restantes utentes, que se dividem entre a risota e o vómito. O homem lança um sorriso cândido e esfrega com força o indicador para melhor colar uma catota mais resistente. Apercebe-se da surpresa e interroga mentalmente, do alto do seu bigodinho ralo:

- Mas o que é que foi?

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Fernando Lopes às 19:04 | link do post | comentar | ver comentários (7)

Exemplo de ajustamento.




















Tânia Marisa, 29, farmacêutica. Tinha como remuneração em 2012, 1.300 €. Aceita trabalho por 1.100 €, abaixo da tabela do sindicato. Patrão só contrata trabalhadores não sindicalizados. Involuntariamente ou não, exerce pressão sobre colegas, que baixam salários. Seis meses depois nova redução. Colega não aceita trabalhar abaixo da tabela do sindicato e negoceia rescisão por mútuo acordo. Colegas baixam mais 100 €, Tânia Marisa como recompensa baixa de 1.100 € para 900 €. Tânia Marisa não perde só 200 €, perde dignidade profissional. Passo seguinte: todos exercerão funções seja por que salário for. Um exemplo de sucesso do ajustamento.

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (3)
Domingo, 21.04.13

Coisas simples.

Não entendo nada de geopolítica, mecanismos federais, uniões. Constato um simples facto: a UE está a desmoronar-se. O projecto europeu surgiu como forma de perpetuar a paz através da criação de interdependências económicas. O dinheiro a falar. Quando esse bem escasseia, vêm à tona os egoísmos nacionais. Conscientemente, por iniciativa do norte industrializado, a OMC abriu o comércio aos asiáticos e uma caixa de Pandora.

 

Tenho sempre presente este exemplo: quando me casei, uma máquina de lavar a roupa custou 80 contos. Era produzida em Setúbal sob licença italiana. Hoje, 20 anos depois, tenho uma sul-coreana que custou exactamente o mesmo preço, muito mais sofisticada.

 

Não tenho dúvidas que dentro de 10 ou 15 anos os asiáticos estarão a produzir os mesmos bens que hoje suportam a indústria alemã, a metade do preço. Basta ver os automóveis coreanos que por aí circulam. Não se sabia muito bem qual era a frente e a traseira, hoje são concorrenciais com os europeus por um preço muito mais baixo.

 

Temos de proteger a indústria e agricultura europeia ou agonizar. Renegociar os tratados comerciais. Comprar bens por preços mais altos porque os nossos operários e técnicos são mais bem remunerados. Ou isso ou tornar-nos-emos um gigantesco museu que os novos-ricos visitam na sua semana de férias. Não tenho a certeza que todos tenham entendido esta coisa tão simples. 

Fernando Lopes às 12:20 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sábado, 20.04.13

Aguenta-te aos 50!

Um velhadas num concerto rock. Um dos programas favoritos desde o tempo em que tinha 9 em cada perna. Agora com 25 não é muito diferente. Um convite inesperado da minha amiga D. Começou com quid pro quo em que este vosso escriba, certamente já afectado no sentido da audição, entendeu que o concerto era sábado e não sexta.

 

Na baixa milhares de jovens, para a inauguração do edifício AXA, sete andares dedicados à arte e cultura.

 

No Hard Club três bandas alternativas, completamente desconhecidas e com um som muito diferente entre si. Foi particularmente castiço o facto de toda a malta ter 15 anos menos do que eu. Estar com gente nova não me causou o mínimo desconforto. As referências culturais, conversas, interesses, têm muitas similitudes. Acabámos a petiscar no mítico Paju. Feliz porque para os meus amigos mais novos ainda sou um do bando. Os meus 50 não lhes causam desconforto e não adquiri o estatuto de senhor respeitável. Sou até convidado para concertos rock. Nem tudo está perdido.

Fernando Lopes às 11:52 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Quinta-feira, 18.04.13

Queria uma menina!

Sempre desejei ser pai de uma menina. Tenho um único irmão, fui educado numa escola de rapazes, frequentei o Rodrigues de Freitas, último liceu do país a tornar-se misto. Na minha doce ilusão as meninas sempre foram seres delicados, frágeis, queridas e sossegadinhas. Puro engano. As raparigas de hoje ombreiam com os rapazes. Ao observá-la discretamente reparei que a minha santinha está entre as mais travessas da turma. Não é mal educada, mas distrai-se, cochicha, saltita como um cabrito. O meu anjinho está entre os mais irrequietos(as), que, coincidentemente, são raparigas. Se a(s) desafiam, fazem peito, refilam, tratam os machos como iguais até para oferecer pancada, coisa impensável para alguém da minha geração.

 

Levava uns sapatos novos que chegaram a casa rebentados depois de uma jogatina de futebol. Ao contrário da imagem paternalista que tinha do sexo feminino, as crianças de hoje sentem-se iguais, indiferentemente do sexo com que nasceram. Uma vez que a maioria dos universitários e doutorandos já são mulheres, a distinção entre os sexos é uma realidade que se esbate cada vez mais. Para a futura geração de homens e mulheres igualdade não será um conceito abstracto mas uma realidade com que conviveram desde o berço.

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Fernando Lopes às 19:29 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quarta-feira, 17.04.13

Pela boca morre o peixe.

Quando era miúdo era comum “tirar as amígdalas”. Um procedimento meio bárbaro, feito no consultório, com, suponho, anestesia local. A única coisa de que me lembro é que a dieta era de gelado, o que parecia de algum modo, compensar o sofrimento. Muitos anos depois, através de uma febre, vim a descobrir que uma das amígdalas, por ter sido mal arrancada, voltara a crescer. Ocasionalmente, e quase sempre na Primavera, era atacado de febre e infecção das vias respiratórias. Tinha comentado o facto com uma colega que sofre de rinite. Meu dito, meu feito. Dois dias em casa, o primeiro com febre e hoje, já melhor, mas ainda debilitado. Bem feita, para “não ter garganta”. Amanhã o regresso à normalidade.

Fernando Lopes às 17:37 | link do post | comentar | ver comentários (12)

A banda do Titanic.

Não há melhor imagem para descrever a atitude dos portugueses face ao descalabro económico e social que vivemos. Somos com a banda do Titanic, continuamos a pretender que nada acontece enquanto este barco, lentamente, se afunda. E a banda continua a tocar.

 

Todos temos amigos, colegas, familiares desempregados. Conhecemos alguém que passa dificuldades, outro que se declarou insolvente, quem trabalhando afincadamente não consegue cumprir integralmente os seus compromissos. E a banda continua a tocar.

 

Recentemente veio às páginas dos jornais o caso da D. Amélia, varredora da Câmara, que colocou um anúncio em que se oferecia para trabalhar, fora do horário, por comida. Comida. E a banda continua a tocar.

 

Entregámos o governo a um bando de mentirosos que prometeu não aumentar impostos, não cortar subsídios, não aumentar o desemprego. Tudo se reduzia à fórmula mágica de “cortar nas gorduras do Estado”. O Estado já deve estar no osso, os portugueses estão-no certamente. Mexer nos privilegiados, nas rendas excessivas, na cambada de “empresários” que sempre rosnou ao Estado enquanto aceitava o bife dado com a outra mão? Nem pensar. E a banda continua a tocar.

 

Aceito que tal seja um modo de defesa, uma certa alienação para evitar pensar que o pior nos poderá bater à porta. Enquanto, como povo, não nos impusermos, corrermos com estes mentirosos com um missão – a destruição de Portugal e a transformação do sul da Europa em algo entre China e Disneylândia – não haverá futuro para nós ou para os nossos filhos. Deixemos a atitude autista da banda do Titanic e usemos os instrumentos como arma de arremesso.

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 16.04.13

Os melhores rojões do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tenho amigos de infância que foram viver para Guimarães e amigos vimaranenses que, como um vírus, tomaram conta dos meus afectos. Adoro a cidade, as pessoas, a comida. Confesso que se tivesse essa possibilidade, mudava-me, uma cidade média, belíssima, sem o caos do meu amado Porto.

 

Duas razões movem-me sempre para o Minho: as pessoas e a comida. Os vimaranenses que conheço são francos, leais, sem rodriguinhos ou preocupações com o “politicamente correcto”. Adoro gente assim, com o coração ao pé da boca. É também uma das terras onde se come melhor, não sendo prática corrente preços exorbitantes, excepção feita a um ou outro local da moda.

 

Após a peregrinação anual, como num abraço, levaram-me até ao “Fentelhas”, um restaurante que saltou de imediato para o Top10. Ali não existe cozinha sofisticada, apenas meia-dúzia de pratos típicos da região. E que pratos meus amigos!  Os rojões à minhota, acompanhados com papas são divinais. As papas de chorar por mais, o cozido, simplesmente do outro mundo. Depois do sexo – e com a idade as prioridades vão-se esbatendo – comer é a melhor coisa do mundo. O “Fentelhas” é um templo, não povoado por ninfas seminuas, mas por alguns dos melhores sabores minhotos que me foram dados provar. A frequentar sem restrições.

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Fernando Lopes às 00:07 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 15.04.13

Post um bocado chateado.

Eu esperei. Com calma. Mas agora estou um bocado chateado. Os amigos que por aqui passam costumam deixar a sua opinião. Nem sempre coincidente com a minha ou entre si, mas sabem que a alma desta “coisa” é o diálogo, o feedback. Uma semana e ninguém deu um pio. OK, os assuntos podem não ser os mais interessantes, o escriba não é dos melhores, mas bolas … nada? Fui ver à coisinha das visitas. Fui a outra que me diz os que voltam à chafarica. Tudo normal, cerca de 30 visitantes regressam todos os dias. O problema é que estão mudos ou sofreram um ataque simultâneo de artrite reumatóide. Este post é tudo o que não se deve fazer. A culpa é sempre nossa, nunca de quem nos lê. Até já e desculpem qualquer coisinha.

Fernando Lopes às 00:12 | link do post | comentar | ver comentários (17)
Domingo, 14.04.13

Ter saudade.

(foto minha, tirada por aí)


Saudade é uma palavra que só existe em português. E galego, que é mais ao menos a mesma coisa. Exprime um sentimento de nostalgia, ora doce, ora amargo, de algo que nos está distante no espaço ou no tempo. Só se tem saudade do que se gosta. Temos saudade das pessoas, lugares, sabores, odores, memórias. Saudade evoca boas recordações, é um sentimento positivo. Ocorre-se-me esta prosa, porque como bom português, vivo nesta permanente nostalgia do que foi e pode não mais vir a ser. 


Fernando Lopes às 00:36 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Sábado, 13.04.13

Branca de alma negra.


A avó tinha a expressão mais racista que ouvi até hoje. Quando um preto era simpático, inteligente, culto, dizia “é um preto de alma branca”. Tal como as almas, as vozes não têm cor, ain’t that rigth Miss Stone?

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Fernando Lopes às 00:27 | link do post | comentar
 

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