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White Kids on Dope.

por Fernando Lopes, 15 Jun 15

O título, uma paródia a outra, «White Punks on Dope» dos The Tubes, não é brincadeira. O que vulgarmente se associava à infância – ser irrequieto, distraído – ganhou o pomposo nome de défice de atenção. Há centenas de crianças da primária e do 2º ciclo a tomarem medicamentos para a pretensa doença, que no meu tempo se chamava infância, na pior das hipóteses traquinice. Os verdadeiros casos bem diagnosticados,  serão infinitamente menos que os dos miúdos «em drogas». A exigência dos programas, a pressão dos rankings, de pais e professores, transformam crianças de 8, 9 ou 10 anos em animais de competição escolar. Na turma da minha filha há pelo menos cinco rapazes a pastilhar. Há explicadores a partir do 2º ano, crianças que não gostam da escola, que se sentem frustrados pelos resultados não serem sempre excelentes. Estamos a criar uma geração à americana, de vencedores e perdedores, orientada exclusivamente para os resultados, esquecendo o prazer de aprender. Esta reportagem da RTP põe o dedo na ferida. É nossa obrigação tomar uma atitude antes que seja tarde demais.

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Com os pés bem assentes nas nuvens.

por Fernando Lopes, 13 Jun 15

Ensinam-te a ser sensato, lógico, prático, racional. Dizem-te que tens de trabalhar, para teres o que comer, onde te abrigares, para gastares o que recebes nesses bens essenciais, para teres de trabalhar de novo e manter esse ciclo infindável. Dizem-te que deves ser solidário com os pobres sem que te questiones sobre quem ganha com essa pobreza, que deves respeitar os velhos quando nem todos o merecem, que deves ser honesto quando os teus líderes chafurdam na corrupção e amiguismo, que és uma peça fundamental numa engrenagem que não pode parar.

 

Desde pequeno que detesto a expressão «com os pés bem assentes na terra», como se a gravidade te prendesse o sonho. E eu sonho. Sonho com liberdade, amor, auto-determinação. Sonho ver o mundo do avesso, com o dia em que o poeta escreva nas nuvens, com o segundo em que o escultor se aperceba que a mais bela peça jamais feita é uma árvore, que o momento mais intenso de amor não se encontra num livro, mas no abraço de um filho.

 

É preciso andar por aí com os pés bem assentes nas nuvens.

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Eu e a Sara.

por Fernando Lopes, 12 Jun 15

Sara-Sampaio-Calzedonia-2015-20.jpg

 

Todos os fins de tarde, na Praça da Galiza, deparo-me com um poster da Sara Sampaio em biquíni. Fico sempre estarrecido com aquela escultura humana, ar abebezado, corpo húmido, a sair da água. A elegância, os olhos claros, os dentes de coelho, dão-lhe um ar juvenil, toda a composição está simultaneamente carregada de erotismo e de uma displicência quase inocente, como se a menina não se apercebesse do impacto que causa enquanto mulher.

 

E no entanto a praia é um dos locais mais não-eróticos que conheço. Os corpos vulgares têm dobras, pneus, são assimétricos, sem graça. Raras são as sereias ou Adónis. Exibem-se barrigas proeminentes, enormes rabos, mulheres com corpos tipo «pêra», crianças redondas. Sou um dos badochas. Não me orgulho ou envergonho, limito-me a ignorar o corpo ao modo dos velhos ascetas, como se o envelhecimento e consequente degradação fossem algo fora de mim. Somos almas gémeas eu e a Sara, saímos da água como se o invólucro que nos aprisiona fosse absolutamente irrelevante.  

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Sou uma espécie de Dra. Ruth.

por Fernando Lopes, 11 Jun 15

Já aqui escrevi, que por algum estranho motivo, não há cão ou gato que não venha ter comigo quando o problema se refere a assuntos do coração. Serei um bom ouvinte, mas não sou racional ou sensato, antes fortemente emocional.

 

Homem de relações duradouras e com uma variedade tão escassa de parceiras sexuais que 90% dos miúdos do 9º ano me batem aos pontos. A questão é simples: porquê eu?

 

De qualquer modo decidi iniciar uma rubrica do género «Tu perguntas, o Fernando responde». Podem colocar-me as questões que quiserem, responderei o melhor que souber. A ver se estas almas penadas perdem a mania que estou qualificado para conselheiro sentimental.

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Fernando numa de LIFESTYLE.

por Fernando Lopes, 10 Jun 15

tito2.jpgO local do crime.

 

Adoro blogues e sites de LifeStyle. Neles, uma série de oportunistas que vão jantar à borla, passar fins-de-semana grátis, indicar o bar onde se deve beber o cocktail XPTO, o spa ideal, e porque não dizê-lo, o papel de limpar o cu preto, para que não vejas que a cor da merda é castanha, indicam ao cretino sem personalidade ou capacidade de exploração o que deve fazer.

 

Palermas há-os aos milhares, com uma vida de plástico, sem livre arbítrio, dispostos a vivê-la pelas mãos de outrem. Este drama internético foi precedido por revistas como a Time Out que tentavam encontrar o santo gral das francesinhas, te indicavam os locais que deves frequentar, sítios onde deves ver e ser visto, e uma série de merdas sem interesse absolutamente nenhum.

 

sala.jpgA sala onde o povo come. Repare-se na falta de ambiente seleccionado, até idosos podem comer aqui.

 

Este modesto blogue inaugura hoje a sua rubrica de LifeStyle. A família misteriosa, eu a mulher e a filha mais um par de amigos, fomos almoçar ao restaurante popular Tito 2 em Matosinhos. Se há um Tito 2, é porque também existe o 1. Este caracterizava-se por estar cheio de povoléu em busca de sardinhas assadas na brasa.

 

Não se apresentava o pelágico escalado. Para os menos habituados ao chique, um peixe escalado é um a quem previamente um especialista retirou as espinhas; ideal pois para néscios e deficientes motores. O pimento era verde e assado com um ligeiro toque de azeite, a broa de milho, as azeitonas provenientes de uma árvore chamada oliveira. Bebemos um vinho de estranho nome .com  que pareceu embebedar com pundonor. Os pimentos assados causaram arroto sonoro e indigestão a condizer. Ficou a coisa por uns módicos 20 euros por casal. A explorar se lhe apetecer, caso contrário vá a outro sítio que restaurantes não faltam.

 

sardinhas.jpgO móbil.

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O bimbo em mim.

por Fernando Lopes, 9 Jun 15

53267_zoom.jpg

 

Confesso: o ano passado, acometido de um ataque da mais pura bimbalhice, comprei uns óculos espelhados. Usei-os duas ou três vezes e achei graça ao facto de superfícies vidradas reflectirem um tom azulado. Durante esses breves instantes achei que o acessório dava um ar cool. Hoje num passeio de cinco minutos, observei o povo que se passeava óculos idênticos. Azuis, verdes, amarelos, arco-íris, há-os de todas as cores e feitios. Dá para ter a noção do ridículo da minha figura. Envergonhado pela parolice da coisa aproveito para escrever estas breves linhas como forma de penitência. Não azeitarás, Fernando. Não azeitarás, Fernando.  Não azeitarás, Fernando. Não azeitarás, Fernando. Acho que compreendem a ideia.

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A verdade, nada mais que a verdade.

por Fernando Lopes, 7 Jun 15

Fui impreciso na estória que contei sobre o meu homónimo cinematográfico. A memória traiu-me, o pitoresco do episódio fez-me acrescentar um facto não verdadeiro. Recebi hoje um email que reproduzo na íntegra, com as minhas desculpas à Maria. Como demonstrou sentido de humor, creio que também aceitará que a minha versão era bem mais divertida.

Corrijo: o cineasta morreu em maio de 2012; o pretenso e pretensioso "guião" foi enviado para o homonimo no ano anterior. O último filme de fl, que vi, teve estreia também posterior à data desse envio. Jornais, livros e filmes sempre estiveram presentes e jamais por sugestão de quem quer que fosse.
O desencontro continua a ser um potencial guião (agora para o Botelho, que também não morreu ainda), porém prefiro-o vero e sem co-autoria.
"Quem conta um conto acrescenta um ponto"???

 

Curvo-me humildemente perante a Maria.

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O S. João ao pé da porta.

por Fernando Lopes, 6 Jun 15

comboio_fantasma.jpgTemos o velho comboio fantasma,
 
montra de farturas.jpgfarturas deliciosas,

 

bonecos.jpgbonecos divertidos,

roda gigante.jpg e uma roda gigante.

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Rivalidade feminina.

por Fernando Lopes, 5 Jun 15

Hora de almoço no centro comercial. Mãe e filha entram no restaurante. A progenitora terá cerca de 50 anos, a cria não mais de 19. Veste uns calções diminutos que revelam as longuíssimas e bem torneadas pernas, um rabo pequeno e bem-feito, seios firmes, rosto fresco e olhos claros. Todos os olhares masculinos se concentram na mais nova, ignorando totalmente a ainda bem composta senhora. A jovem, ciente do impacto causado, faz uma série de movimentos cuidadosamente coreografados, desde o cruzar de perna, ao levantar-se e deambular pela sala com ar displicente.

 

No olhar da mãe não há admiração ou carinho pelo rebento, antes um desmedido desconforto. Não é causado pelo impacto da filha entre os machos, mas pela pura rivalidade de quem foi ultrapassado pelo tempo. Ter-lhe-ão passado pela cabeça momentos não muito distantes em que o estrelato era seu, existe agora nítida frustração pelo papel de actriz secundária.

 

Vem-me à memória uma frase que ouvi algures: «Não tenho medo da morte, tenho medo do tempo».

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Restos de Colecção & 2ºs Saldos.

por Fernando Lopes, 4 Jun 15

No edifício onde estou colocado a maioria dos trabalhadores são pessoas de meia-idade, sendo raro ver-se alguém abaixo dos 40. Ao sair para almoço encontro um velho colega de liceu, funcionário da mesma empresa. Detém-se a apreciar discretamente umas colegas que passam.

 

- Fernando, as nossas colegas são simpáticas, mas não há mulheraças, é tudo Restos de Colecção.

 

Depois alisa a fronte ampla, arranja a gravata e diz com ar meditabundo:

 

- É melhor não dizer nada, porque nós, na melhor das hipóteses seremos 2ºs Saldos.

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