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Porto antigo.

por Fernando Lopes, 31 Ago 14

Batente de porta, Rua da Fábrica, Porto

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Nunca mais me apanham noutra!

por Fernando Lopes, 30 Ago 14

Prometi a mim mesmo que nunca faria isto, e no entanto, fracassei. Eu, que odeio selos, correntes, esquemas de pirâmide, desafios, ou coça-me as costas que eu coço as tuas, deixei-me levar nesta. A culpada é a Golimix, do blogue «Eu tento, mas meu tento, não consegue!» que lançou as cinco questões abaixo. Porque gosto dela, e apenas por essa razão, aqui ficam as Q&A.

 

1º Para que serve este blogue?

 Quando o criador não consegue encontrar utilidade na criatura, torna-se impossível explicar.

 

2º Que tipos de assuntos são abordados neste espaço?

Fotografias, observações, pensamentos, notas, «estórias», tenteios de ficção, aqui, como na vida, cabe tudo. Podem acusar este blogue de ser cretino, mas ecleticamente cretino.

 

3º Qual a melhor coisa que te trouxe este blogue?

Descobrir gente que admiro, uns pela prosa, outros pela sensibilidade, outros ainda pelo sentido de humor.

 

4º O que poderias melhorar no blogue?

A qualidade dos textos. Raramente me dei nota igual a sofrível.

 

5º O que esperas para o futuro de teu blogue?

Aplico aqui a minha filosofia de vida. Deixar fluir, ser levado pela corrente, com uma única condição: manter a integridade. Já não é pouco.

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A mulher, animal de sangue frio.

por Fernando Lopes, 29 Ago 14

Não, não se trata de nenhuma análise machista ou de carácter insultuoso, apenas a constatação que as mulheres estão sempre com frio. No trabalho, com o ar condicionado a 22º, queixam-se do frio; em casa, enquanto me passeio de t-shirt a minha mulher usa um casaquinho.

 

A generalidade do sexo feminino parece ter a temperatura corporal mais baixa que os homens. Antes do advento dos edredons de penas, a Teresa, no Inverno, colocava uns sete cobertores na cama. Recordo-me de ficar esmagado pelo peso, quase sem me poder mexer. Se tirasse algum abrigo, logo havia queixas.

 

Habitualmente as raparigas cá de casa tomam chuveiro a uma temperatura que daria para cozer uma lagosta. Entro na casa de banho e logo pareço um D. Sebastião perdido no nevoeiro de Alcácer-Quibir.

 

No Inverno, os radiadores estão sempre ligados com uma temperatura que me permitiria, tranquilamente, andar nu, não fosse o caso de o pudor me inibir da exibição de banhas.

 

Outro tique invernal bem feminino é encostar o rabo aos aquecedores, lareiras ou salamandras, enquanto esfregam as mãos. Recordo até um caso castiço, em que uma das miúdas encostou os pés a um aquecedor e quando achou que estavam suficientemente quentes tinha uma bolha de queimadura no peito do pé. Porque é que as meninas estão sempre com frio, de Verão ou Inverno? Haverá alguma explicação científica para a diferente percepção da temperatura conforme o sexo? Entretanto, como vivemos um verão fresquinho, façam o favor de se agasalhar, não vão apanhar algum resfriado…

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Cenas com letras.

por Fernando Lopes, 28 Ago 14

Apanhei estes, mesmo aqui à mão, para ilustrar a posta.

 

A malta dos blogues (exceptuando Pipocas, cenas de Life&Style e quejandos) está sempre a escrever sobre livros. O pai deixou-nos uma biblioteca de mais de cinco mil exemplares, fui adquirindo livros diversos ao longo da vida. Quando estava na faculdade lia intensamente as colecções de bolso da Europa-América e Livros RTP. Apesar de me terem passado pelas mãos várias centenas, nunca, até ao início deste ano, tinha registado ou contabilizado o que lia. Como diz o meu companheiro no crime Ricardo Gonçalves, «Ler é um prazer, não um dever». Também não tenho nenhum padrão a não ser autores que já conheço ou conselhos de amigos. Hoje, ao terminar «A Polaquinha» de Dalton Trevisan, vi a lista de Janeiro até agora, que partilho sem «estrelinhas» ou juízos de valor.

 

«Histórias da Loucura Normal»

Charles Bukowski

«A Luz É Mais Antiga Que O Amor»

Ricardo Menéndez Salmón

«Um Homem De Partes»

David Lodge

«O Último Acto em Lisboa»

Robert Wilson

«Uma Mentira Mil Vezes Repetida»

Manuel Jorge Marmelo

«O Navio dos Homens»

Takiji Kobayashi

«O Anão»

Par Lagerkvist 

«Portugal, A Flor e a Foice»

J. Rentes de Carvalho

«A Estrela do Diabo»

Jo Nesbø

«A Tábua de Flandres»

Arturo Pérez-Reverte

«O Hipnotista»

Lars Kepler

«O Pássaro de Peito Vermelho»

Jo Nesbø

«O Tempo Morto É um Bom Lugar»

Manuel Jorge Marmelo

«A Polaquinha»

Dalton Trevisan

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Banksy no Porto.

por Fernando Lopes, 27 Ago 14

«Big Kids Forever», Travessa da Figueirôa, Cedofeita, Porto

 

Gosto de Banksy porque é, antes de mais, subversivo. Porque há sempre uma mensagem política ou poética nos seus stencils. Porque brinca com o valor da arte, vendendo-a a preço de saldo. Porque disponibiliza cópias gratuitas, baralhando o «mercado». Porque sim.  

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Manual de engate.

por Fernando Lopes, 26 Ago 14

Se estás entre os 40 e 50, between girls, a tua mulher te deu com os pés, saíste de casa para comprar cigarros em 2003 e ainda não voltaste, ou simplesmente, não tens sorte ao amor, compilei alguns sábios conselhos que te poderão ajudar a encontrar a mulher dos teus sonhos.

 

 - Depila-te. Estranhamente, no meu tempo só se gostava dos frangos sem pêlo, eram até passados por álcool para queimar a penugem. Hoje em dia os homens são como os frangos, totalmente depilados – até no pinto – e com uma barba de dois dias. Pode parecer estranho tirar pilosidades num lado e deixá-las crescer noutro. Habitua-te, é moda.

 - Vai ao ginásio. És do tempo em que bastava um palminho de cara e dois dedos de testa? Hoje tens de ter os abdominais do Cristiano Ronaldo, mesmo que nunca pretendas lançar a tua linha de cuecas. Toma injecções de testosterona, malha duas horas de manhã e duas de tarde, come só saladas. Se não tiveres o corpo perfeito não vais lá.
 
- Aprende a cozinhar. Contentas-te com um bife ao almoço e fazes uma sanduiche de atum quando chegas a casa? Nunca mais vais dar uma queca. No tempo que corre é afrodisíaco saber cozinhar. Nunca digas que fizeste molho, é uma redução, usa ervas estranhas como poejo e rúcula e mantêm presente que a comida pode estar um lixo, mas se usares nomes sofisticados e ingrediente que ninguém conhece, e «empratares» - esse novo verbo - com arte, nenhuma rapariga vai querer fazer figura de patega e achará os teus manjares divinais.

- Diz a maior barbaridade com o ar mais convicto, resulta sempre. Podes não saber do que estás a falar, mas se o disseres com convicção é como o código postal, meio caminho andado. A garina é doutorada em física-quântica? Diz-lhe que te interessas por tudo o igual ou menor que um constituinte básico da matéria. Exprime a tua admiração por Planck e estás safo. Funciona também no trabalho, há quem faça carreiras brilhantes a dizer barbaridades com ar seguro.

- Mostra-te sensível. Só choras quando o Benfica perde? Exige-se uma mudança de atitude. Adorarás o gato horroroso que ela tem em casa, «é quase humano», confessa que não consegues ver o Bambi sem chorar, fala no minimalismo de Mondrian e Kandinsky, confidencia que verteste copiosas lágrimas quando assististe a «As Palavras Que Nunca te Direi».

- Preocupa-te com uma coisa chamada Life & Style. Antigamente não existiam revistas a indicar-te quais os lugares da moda, os bons hotéis, os restaurantes onde deves comer. A Time-Out mudou isso tudo. Hoje, um papalvo precisa que lhe digam o que ler, ver, ouvir, os locais a frequentar. Nunca entendi em pleno o conceito Life & Style, mas acho que essencialmente é: vai aos bares da moda que especialistas aconselham, usa o perfume que eles dizem, vai papar onde possas ver e ser visto, frequenta as exposições que eles acham boas.  Se disseres que preferes o Eça ao Peixoto ou as chamuças do Café Pereira à tosta de cavala com pesto, estás perdido.

 

Vai, meu filho, e segue estes conselhos que eu vou fazer tudo precisamente ao contrário. Assim como assim já cheguei a uma idade em elas só vêem em mim um amigo.

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Passeio de Domingo.

por Fernando Lopes, 25 Ago 14

(varanda junto ao metro da Trindade)

(eléctrico a banhos de sol na Batalha)

 

Nota posterior à publicação: Amo esta cidade, por isso sou particularmente crítico em relação às suas gentes, bairrismo exacerbado, governantes. Para transmitir este amor à minha única descendente achei que era boa ideia fazermos «safaris fotográficos». Temos fotografado o belo e o menos belo, alegre e triste, rico e pobre, sempre com olhar atento e apaixonado.

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A Nova Cruzada.

por Fernando Lopes, 24 Ago 14

Anda pelo mundo um novo espírito de cruzada. Nas velhas cruzadas, ao abrigo da expansão da fé, cometeram-se atrocidades infindas. É a guerra, dirão os cínicos. O objectivo último das cruzadas era a pilhagem, a submissão pela força, uma guerra santa com muitos pontos comuns com a Jihad. Os fundamentalistas islâmicos foram peões numa guerra travada, de facto, entre os EUA e a URSS. Quem tenha memória recordar-se-á que Bill Clinton apelidou os talibãs de «combatentes da liberdade». Viu, num exercício de má propaganda, Rambo lutar do lado dos afegãos bons. Os Estados Unidos, Rússia e Europa estão agora a lidar com o monstro que alimentaram durante décadas. Libertou-se, ganhou vontade própria, ambição a controlar ideológica e politicamente o mundo, ou uma parte dele. Através do petróleo, claro. Esta fronda ocidental não se destina a salvaguardar a existência de minorias, a patrocinar governos democráticos. A ISIS, essa encarnação do mal quer controlar uma parte substancial das reservas energéticas do planeta. Uma das ditaduras mais ferozes, uma sociedade medieval como a Arábia Saudita é apoiada incondicionalmente pelos Estados Unidos. Onde pára a democracia? Ao contrário do que querem fazer crer os bons espíritos ocidentais esta é uma guerra pelo controlo do petróleo, ainda e sempre o bom, velho, petróleo. Estando o ocidente salvaguardado nos seus interesses, o sangue, morte, fome, ditadura, não serão mais que inconveniências históricas. Matem os jihadistas, destruam o pouco que resta, mas não me atirem poeira para os olhos com a defesa de interesses humanitários. 

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Contra os optimistas.

por Fernando Lopes, 24 Ago 14

Chamam destino ao rifão do acaso

e chamam à fraude boa fortuna.

Crêem no Batman e na Virgem Maria.

Duvidam do frio, não da polícia

e nunca dão crédito àquilo que vêem.

 

Reservam a tempo um lugar na geral,

põem o pé entre duas ciladas

e ficam a rir-se nas fotografias.

Sujam a roupa tal como nós, mas

mandam-na sempre a lavandarias

que sabem tratar dos casos difíceis.

 

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O direito de morrer em paz.

por Fernando Lopes, 23 Ago 14

Leio no Público sobre a associação Dignitas e o suicídio medicamente assistido. Escapa à minha compreensão a polémica que possa existir em torno de alguém com uma doença terminal ou incapacitante seja impedido de decidir o momento da sua morte. Assisti à agonia do cancro ou Parkinson e numa situação idêntica gostava de poder decidir sobre a hora da minha partida. Nascemos porque alguém o escolheu por nós, porque se amou, até por mero acaso.  Uma vez que o direito à existência não foi opção nossa que o seja o direito à morte em situações de sofrimento e degeneração. 

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