Segunda-feira, 31.03.14

Arte na rua.

Óptica na Travessa de Cedofeita, Porto

Fernando Lopes às 22:43 | link do post | comentar
Domingo, 30.03.14

Casa de Pasto "O Luís", Castelões.

Mais uma peregrinação anual a S. Torcato, um momento de agradecimento ao santo pela maior das bênçãos recebidas até hoje; uma filha saudável.

 

Depois da fé a comezaina, um repasto-convívio com quem partilhou connosco momentos difíceis, esteve e está sempre ao nosso lado. Os meus amigos são um manual vivo das tascas da região. Desta vez propuseram um local rústico na freguesia de Castelões, no extremo do concelho de Guimarães. É uma casa de pasto, numa freguesia rural, com a simplicidade típica deste tipo de estabelecimento. A especialidade da casa é o bacalhau, podia-se também optar por vitela e polvo.

 

O local tem bancos corridos, propicia a conversa, o «picar» de todos os pratos. A vitela assada não desilude nem deslumbra, o polvo, apresentado de modo simples, acompanhado de azeite e batatas a murro apresentava-se com a consistência ideal, nem demasiado cozido, nem sofrendo do efeito chiclete.

 

Não sendo grande apreciador do «fiel amigo» comi com gosto o bacalhau à casa. Boa posta, desfazendo-se em enorme lascas, correctamente temperado com um toque de alho e batatas a murro. Encontrámos no local o presidente da Câmara de Guimarães, um toque interclassista demonstrativo da frequência da casa.

 

Não direi que foi o melhor bacalhau da minha vida, mas certamente um local a conhecer para os apreciadores do gadídeo. O Luís tem facebook, donde foram retiradas as fotos.

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Fernando Lopes às 22:35 | link do post | comentar
Sábado, 29.03.14

Lenine (o outro).

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Fernando Lopes às 23:37 | link do post | comentar

Parado.

Há momentos em que a vida pára. Não no sentido de morte, mas na encruzilhada em que não  estamos certos do caminho a seguir. Continuamos fiéis a ideais e princípios transformando-nos numa imitação barata de Quixote, adaptámo-nos ao tempo estranho que corre, deixámo-nos ir na corrente ou nadamos vigorosamente contra?

 

Não tive vontade de sair do quente e recolhido útero materno, debati-me 7 horas para levar com este mundo nas ventas. Na verdade não nasci, obrigaram-me, pressentia que tudo o que se recorda são efemeridades de fortuna e alegria. Nasci roxo, como qualquer criança que luta para não nascer. De forma estranha, quase premonitória, vinha com a cor do luto em mim.  

 

Assim, perdido e parado, olho em volta sem saber o rumo. Melhor manter a cerviz direita, escolher um destino e seguir a estrada. A algum sítio me há-de levar.

Fernando Lopes às 02:51 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Quinta-feira, 27.03.14

Pequenos monstros competitivos.

Ser criança hoje é muito mais difícil que há 40 anos. A minha filha, no 3º ano já sofre da «angústia dos testes». A escola do meu tempo era baseada na memória, não no raciocínio. Debitávamos conhecimentos – aprendi p. ex. todas os apeadeiros da linha da Beira, eu que nunca pus os pés em Moçambique. Hoje os miúdos são colocados perante problemas e testa-se a sua autonomia e raciocínio, não a memorização.

 

Não sou de todo um especialista em educação, mas tenho a ideia que a escola prepara-os mais para pensar que para decorar e isso é bom. Terão menos conhecimentos enciclopédicos que se recordam e desmemoriam enquanto o diabo esfrega um olho.

 

O espírito competitivo é muito maior, as exigências dos pais também. A Matilde chorou de frustração quando tirou um “suficiente” a matemática, no meu tempo o importante era que passássemos de ano. Sou incapaz de avaliar se o ensino é melhor ou pior, sinto no entanto que estamos a roubar a infância às nossas crianças. Exigimos mais, a escola exige mais, as crianças brincam e socializam pouco, têm imensos trabalhos de casa, perde-se o lado lúdico e descontraído da infância. Será que estamos a criar seres humanos ou pequenos animais de competição? 

Fernando Lopes às 19:50 | link do post | comentar | ver comentários (10)

O cão que cheirou o cretino.

Ontem no JN, uma pequena notícia de última página que poderia constar dos absurdos de Nuno Markl. Numa escola do interior as forças da ordem, numa acção de prevenção ao consumo de droga, levaram equipas cinotécnicas para uma demonstração das capacidades dos canídeos. Durante a palestra os animais ficaram excitados com um determinado aluno. A polícia resolveu aclarar o motivo do entusiasmo e descobriu mais de 5 gramas de haxixe num jovem de 18 anos. Fica-me a dúvida se o miúdo era parvo, ignorante ou reunia ambas as qualidades. Provavelmente a expressão «equipa cinotécnica» era-lhe desconhecida. Estupidez ou ignorância, este marmelo não tem perdão. Castigo sugerido: dois abanões, um bom par de calduços e como Bart Simpson escrever 100 vezes no quadro «Não vou levar droga para a escola, especialmente se lá forem as autoridades.»

Fernando Lopes às 00:04 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Terça-feira, 25.03.14

Kidults.

Uma interessante reportagem do The Guardian avança com dados sobre jovens entre os 19 e os 29 anos que vivem em casa dos pais. Se hoje entre mestrados e doutoramentos se prolonga a permanência na domus paterna, isso não explica tudo. O rácio de mestrandos e doutorandos em Portugal não é justificação capaz para que 55% dos jovens estejam nesta situação. Os simplistas neo-liberais avançam com o sacrifício financeiro, o investimento de tempo que é necessário à parentalidade. Os nossos filhos são criados com mais conforto que nós, que nos transformamos em pequenos lordes face às adversidades com que os nossos pais lidaram. Querer dar qualidade de vida melhor que a nossa não é pecado, é legítima aspiração.

 

O estudo demonstra que a autonomia está directamente ligada ao emprego e à capacidade de com os seus rendimentos ser capaz de uma vida independente. Cerca de 60% dos jovens com trabalho vivem sozinhos ou com companheiro(a) e crianças. O problema demográfico não tem nas dificuldades em encontrar trabalho a única explicação, no entanto uma percentagem significativa do aumento da dependência paterna - algum tipo de privação* - acontece nos países em crise (mais 20% em Espanha, 18% em Chipre, 17% em Portugal e 15% na Grécia). 

 

Se é certo que a relação trabalho-natalidade não é linear, não parecem existir dúvidas que com uma menor taxa de desemprego jovem, esta tenderia a aumentar. Os jovens em idade fértil estão a emigrar em massa, irão ter os seus filhos nos países de acolhimento, não quererão viver nesta colónia de gerontes em que Portugal se está a transformar.

 

Ser pai é uma decisão irrevogável, ter filhos nunca foi tão difícil, como escreve um dos arautos do saloio-liberalismo à portuguesa, Henrique Raposo. O jovem cronista teve nas suas próprias palavras, uma vida fácil, criado em «redor do abastecimento do eu». Nem todos foram educados assim, muitos estão dispostos ao abdicar, palavra-chave da paternidade, assim os deixassem.

 

Como tudo agora se mostra em gráficos, aconselho a leitura atenta do estudo linkado acima, mais este pedaço de prosa. Faça a sua análise, tire as conclusões.

 

(*) adicionado

Fernando Lopes às 20:47 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Para desanuviar.

Uma turista francesa olha com estranheza para a vendedora com um saco de nozes à frente:

 

- Comment s’apelle?  

- Não menina, isto tem casca.

- Comment?

- Parte-se com um quebra-nozes, um martelo.

- Je ne comprends pas.

- Atão se num’quer comprar para que é que me está a chatear?

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Fernando Lopes às 18:54 | link do post | comentar
Domingo, 23.03.14

Masterchefa.

Arroz: de pato, polvo, sarrabulho, cabidela, adoro arroz. Cá em casa vivemos em permanente dilema, eu quero sempre arroz, a filha massa. A Teresa é uma excelente cozinheira mas o dia-a-dia não permite grandes sofisticações na cozinha; importa algo rápido e nutritivo.

 

É famoso o arroz de pato destas bandas, mas somos poucos e o tempo demasiado escasso para ser perdido entre tachos e panelas.

 

Um dos pratos preferidos cá em casa é o arroz de polvo com filetes do mesmo. Hoje, num assomo de Masterchefa a senhora que manda cá em casa decidiu presentear-nos com uma das suas pérolas culinárias. É como a foto demonstra, em bom. 

Fernando Lopes às 14:09 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sábado, 22.03.14

Leituras.

 

Diário de um monstro e crónica de intrigas de uma sumptuosa corte italiana na Renascença, “O Anão” (1944) é um retrato exemplar da perversidade humana e uma exímia dissecação do mal. Piccolino é um anão na corte de um poderoso príncipe, que, a mando do seu amo ou por vezes, a seu bel-prazer, espia, despreza e tortura os que o cercam. Mas, abandonado pela mãe à nascença e rejeitado pelo mundo devido à sua fealdade, o seu ressentimento e ódio ao ser humano são o reflexo desesperado da sua solidão. É por este emissário acometido de delírios de grandeza que assistimos a conspirações, a traições, à peste que assola a corte e a assassínios. É por ele, também, que vemos o que o protagonista se recusa a ver: a sua deformação moral, e não a física, está na origem do mal que o rodeia, e a sua maldade faz dele uma criatura mesquinha e miserável.

 

 

Um pequeno livro sugerido pelo Carlos, que é um tratado sobre a deformação não física mas moral, sobre o maquiavelismo da mente humana, o totalitarismo, guerra, servidão, tortuosidade, uma antítese da teoria de Rosseau do «bom selvagem».

 

Intemporal porque profundamente revelador de uma certa natureza humana, hoje com maior agudeza que nunca.

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Fernando Lopes às 12:30 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Quinta-feira, 20.03.14

Desrespeito pelos desempregados.

Embora aqui e ali surja um lampejo de esperança, quem está desempregado, independentemente das qualificações, raramente vê luz ao fundo do túnel. Hoje em dia a maior parte das ofertas de emprego surgem não através dos media convencionais, mas da internet. Pedem o envio de um curriculum via email. Tudo normal, a rapidez e simplicidade do meio, para ambas as partes, justifica-o plenamente. Mas empregadores ou empresas de RH adoptaram uma prática desrespeitosa para quem procura trabalho. Não enviam uma resposta. Seria expectável que fizessem uma mailing list e agradecessem, dizendo que às pessoas não tinham sido seleccionadas. Nada. Em cada cem empresas, uma tem essa delicadeza. E isso também diz muito sobre a sensibilidade de quem contrata e o apoio que irá prestar aos futuros colaboradores.

Fernando Lopes às 19:23 | link do post | comentar | ver comentários (13)
Quarta-feira, 19.03.14

Prova de esforço.

Na segunda-feira fiz pela segunda vez na vida este teste cardiovascular. Eu, macho orgulhoso, que procuro evitar todo e qualquer exame, lá fui, rabinho entre as pernas. A rapariga que controlava o teste manda-me tirar a camisa. Se pudesse exibir um corpo atlético certamente o teria feito com outra desenvoltura, assim fiquei constrangido em exibir uma cintura de 98 cm e umas mamas que fariam inveja a muitas pré-adolescentes.

 

Não bastava este embaraço evidente, a jovem arma-se de Gillette e avisa que vai ter de me depenar para colar os eléctrodos. Fiquei assim tipo Cristiano Ronaldo em badocha, mas só em algumas partes. Dá um efeito giro, qualquer coisa de pós-punk, mas faz uma comichão do caraças.

 

Entendi porque não sou feito para ginásios; a passadeira faz-me trocar os pés, eu que não sou propriamente dos tipos com a melhor coordenação motora do mundo. A geringonça andava cada vez mais depressa e tinha inclinação, pelo que só resisti até aos 85%. Podia ter feito um bocadinho mais, mas tenho a sensação que me finava antes do teste terminar.

 

Suado como um cavalo que acaba de fazer as alegrias dos apostadores, lá me limpei e constatei uma possível melhoria de serviço. Não usam tolhas, antes um papel tipo rolo de cozinha. Nem sou um cliente exigente mas uma toalha de algodão daria certamente outra qualidade ao serviço prestado.

 

Saí dali com a certeza que a prova de esforço foi tão dura para mim como para a técnica. É que ver um tipo de 51 anos, longe de atlético, transpirado e ofegante, não deve ser propriamente o sonho de uma rapariga de 30 anos. Mas ao menos a ela, pagam-lhe!

Fernando Lopes às 01:03 | link do post | comentar
Segunda-feira, 17.03.14

Heterodoxias.

Ao ler a crónica de José Manuel Pureza, com que concordo em grande parte, gostaria que a questão fosse colocada de modo mais abrangente. “Há quem ainda o faça à bruta - as 14.700 queixas de violência doméstica apresentadas à polícia só no primeiro semestre do ano passado atestam-no bem.” Nesta guerra, como em todas aliás, é este maniqueísmo assusta. Um homem que é vítima de violência física e principalmente psíquica por parte da companheira raramente apresenta queixa, e no entanto muitos são vítimas de constante pressão psicológica, desvalorização, achincalhamento, numa base diária, não há é estatísticas que o comprovem.

 

Não sei bem em que planeta vive JMP, mas existem muitos homens que se dedicam à paternidade em full-time sem que isso os diminua ou estigmatize. É uma opção, respeitável como qualquer outra. Embora subsistam desigualdades – a questão de salários p. ex. – notam-se claramente mais mulheres em cargos de chefia, governação, na sociedade em geral.

 

O lugar das mulheres – e dos homens – é onde se sentirem felizes, completos como seres humanos; se isso é em casa ou à frente de uma multinacional é-me completamente indiferente.

 

Antes da identificação de género, há um grupo mais abrangente a que todos pertencemos – a humanidade. Um homem declarar-se feminista é perfeitamente legítimo, eu cá prefiro proclamar-me humanista. 

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Fernando Lopes às 00:00 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Domingo, 16.03.14

Fidelizado.

Tenho passado as últimas três semanas em casa, com ocasionais caminhadas por prescrição médica. Detectei uma nova praga, a dos vendedores de triple - agora é quadruple - play. A concorrência é tão grande que não há um único dia em que não receba duas ou três chamadas a propor as maravilhas incomparáveis de um qualquer operador. Ora como sou um rapaz bem-educado, costumava receber e responder a todos. Um inutilidade, uma vez que os serviços ligam a confirmar se o vendedor cá esteve, aparecem-me no mesmo dia dois tipos da mesma empresa, telefonam ininterruptamente e a coisa já roça o massacre. Resolvi a coisa dizendo que estou «fidelizado».

- Boa tarde, queríamos falar-lhe da ZON.

- Desculpe, estou fidelizado ao MEO.

Repito a resposta independentemento do operador.

Que se fodam, e assim sucessivamente como diria o saudoso João César Monteiro.

Fernando Lopes às 02:04 | link do post | comentar | ver comentários (8)
Sexta-feira, 14.03.14

Churrasco à Angolana.

Há no meu bairro uma churrasqueira já com umas décadas, especializada em «churrasco à Angolana». É um local simples, toalhas de papel na mesa, que vende comidas populares; frango assado, fêveras, costelinhas, tripas. É frequentado por trabalhadores da construção civil, vendedores, amanuenses, funcionários públicos e todo a imensa mole que se convencionou chamar classe média ou trabalhadora.

 

O dono é um homem baixinho de um ar sinistro. Deve ter mais de sessenta anos, olhos encovados, careca. Os poucos cabelos laterais que lhe restam são de um preto muito profundo, nada natural. Anda sempre ligeiramente curvado, deslizando entre as caixas registadoras, ora a do take-away ora a do restaurante. Tudo nele é insidioso, como se empregados ou clientes estivessem a preparar-se para o assaltar. Põe sempre os pacotes de batatas com muito menos quantidade do que seria expectável, tem um cuidado meticuloso quando enche os recipientes de alumínio de arroz, como se uma batata ou colher de arroz a mais fossem a sua ruína. Uma personagem de Dickens nos tempos modernos.

 

Quem está à frente do grelhador da comida para fora é uma mulher mestiça, de idade indefinível; tanto pode ter quarenta e muitos como sessenta. É a responsável pelas costelinhas, frangos, espetadas. Vira as carnes, chama o número de cliente para ser servido com uma melancolia profunda, maquinalmente, como se nada fizesse sentido. Os olhos castanhos são vítreos, olha como se não estivesse a ver, vejo reflectido neles a minha própria angústia, como se estivéssemos já mortos por dentro e nos limitássemos a fazer maquinalmente o que esperam de nós, sem lampejo de paixão ou revolta.

 

Só frequento o estabelecimento em desespero de causa, para dizer a verdade já lá não vou há anos. Naquelas duas personagens estão duas mundividências, a do avarento explorador e a do trabalhador resignado. Um microcosmos a cheirar a frango e carvão onde está reflectida a nossa sociedade. Não gosto do que vejo, identifico-me com a mulher. Também eu, com um diferente grau de sofisticação estou há vinte e tal anos a «virar frangos», a fazer o que se espera que seja feito. Quantas centenas de milhares como nós terão abdicado da vida para a ganhar?

Fernando Lopes às 02:12 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Quinta-feira, 13.03.14

Carta aberta aos produtores de leite.

Caros produtores de leite – e não me estou a referir às vacas:

 

Cá em casa gostamos muito de leite, do bom, daquele de vacas nacionais que tanto encantam o nosso Presidente da República, que se deliciam em ser ordenhadas e até sorriem para os pastos. Lastimamos no entanto que as vacas não produzam o seu néctar já em pacotes de abertura fácil. É que, lamentavelmente, os senhores produtores da Lactogal insistem em embalá-lo naqueles pacotes picotados que são quase impossíveis de abrir. Primeiro, a ponta do pacote vem colada com SuperCola3, o que parecendo que não, dificulta que se consiga puxar a extremidade. Essa cola está exactamente por cima do «picotado», o que o reforça. Ora, caros senhores, um picotado que é apenas gráfico, reforçado por cola, exige uma força sobre-humana para abrir o recipiente.  Além disso o produto proveniente do ubre das vacas que os senhores vendem, com este sistema fica exposto ao ar, tornando mais fácil a sua «perecidade», aumentando os riscos para a nossa saúde. Assim, se não for pedir muito, e em nome de milhares de famílias que sofrem o mesmo problema que a nossa, solicitamos que passem a colocar nos vossos produtos aquelas tampinhas de abertura fácil como as dos sumos de fruta. Para V. Exas. será um aumento de 0,01€ por pacote, a nós evitar-nos-á dizer coisas como «o filha da puta do leite não se consegue abrir» frente às nossas criancinhas, porá fim a muitos incidentes domésticos como o que ainda agora me aconteceu; tive de fazer tanta força para abrir o pacote que o apertei, espalhando o seu conteúdo pela mesa da cozinha. Não creio que esta vossa displicência face às necessidades do consumidor seja consequência de um qualquer atavismo lácteo ou pura má vontade. É que os senhores, devidos aos lucros do outrora chamado «ouro branco», enriqueceram, e estão mais sensíveis ao Barca Velha que ao Mimosa. Estive a analisar os vossos estatutos e relatório e contas, e também não encontro nenhuma participação no capital social de uma fábrica de tesouras. Peço pois a vossa boa vontade para implementarem novos processos de abertura-fácil nos pacotes do nosso leitinho.

 

Certos que irão cumprir as nossas expectativas,

Família Lopes

Fernando Lopes às 00:06 | link do post | comentar | ver comentários (14)
Quarta-feira, 12.03.14

Caminhar é preciso.

Diagnóstico: crise hipertensiva e perturbações cardiovasculares, associadas a burnout. Nestes dias, contrariando os conselhos médicos tenho ficado por casa. Aproveitei para pôr as leituras em dia e de uma assentada devorei «Uma Mentira Mil Vezes Repetida» de Manuel Jorge Marmelo, «O Navio dos Homens» de Takaji Kobayashi, «Último Acto em Lisboa» de Robert Wilson e «O Anão» de Par Lagerkvist.

 

Como me tenho sentido melhor resolvi dar uma longa caminhada, seguindo o conselho do sr. dr., tentando andar rápida e ininterruptamente, abdicando de fumar no percurso. Fiz o download de uma app que conta os passos e distância percorrida. Aparentemente, devemos fazer dez mil passos diários para nos mantermos em forma. Objectivo quase conseguido: 1h 17 minutos de caminhada, 6,24 km percorridos em 8.834 passos.

 

A caminhada teve um sentido muito para além da saúde ou do percorrer as ruas da cidade; significou acima de tudo um lento reentrar na normalidade, sem crises hipertensivas, taquicardia ou ansiedade. Para quem precisa de caminhar, esta app dá uma motivação extra, ao traduzir em números o esforço feito. Isto vai! 

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Fernando Lopes às 16:34 | link do post | comentar | ver comentários (11)
Terça-feira, 11.03.14

Conto ínfimo.

Nenhum homem, por muito inteligente e conhecedor das coisas que seja, é insensível à lisonja. Assim era Lord Cedric, um homem que fazia jus à onomástica, gentil, inteligente, amado, de trato fácil. Fazia um sorriso embraçado, colando os olhos no chão quando lhe exaltavam o conhecimento na arte da estratégia; nos combates de treino para a justa, disfarçava o orgulho quando lhe elogiavam os dotes guerreiros; quando com alguma criada, usava o seu órgão viril os gritos de prazer da moça eram mais agudos, o orgasmo mais lânguido.

 

Era um homem bom, poderoso e justo, mas como todos, inseguro. A lisonja era o seu ponto fraco. Só os simples são capazes de se ver despidos no espelho dos outros sem se sentirem débeis.

Fernando Lopes às 02:45 | link do post | comentar
Segunda-feira, 10.03.14

Voar.

O acidente da Malaysia Airlines evocou velhos fantasmas que julgava guardados para sempre. Numa época remota da minha vida profissional tinha de fazer um voo semanal a Lisboa. Todas as semanas, Verão ou Inverno, chuva ou sol. Na altura estas deslocações eram efectuadas nuns aviões a hélice que tinham como capacidade máxima dezanove passageiros, operados pela companhia LAR – Linhas Aéreas Regionais.

 

Escusado será dizer que qualquer espirro da natureza era sentido como presságio de calamidade a bordo daquelas «latas». Antes disso tinha voado apenas duas vezes, a primeira com seis anos, numa avioneta de um amigo do pai, voo do qual não conservo a mais ténue lembrança. A segunda foi uma viagem Porto-Londres com dezassete anos, o meu baptismo a sério.

 

Apesar de ter atravessado o Atlântico uma dúzia de vezes ou mais, sempre detestei os voos sobre a água. Embora em caso de acidente tenha a noção que cair em terra ou água deve ser quase a mesa coisa, fico sempre mais tranquilo se o destino não me levar a cruzar mares ou oceanos.

 

Nesta curta história aeronáutica já tive duas aterragens falhadas e consequente regresso e poiso no aeroporto de Lisboa. Já bebi uns copos para domar o medo, tomei calmantes, fiz respiração «de yoga». As estatísticas diziam que o transporte aéreo é o mais seguro, o número de fatalidades é ridículo face ao número de passageiros transportados. O acidente do avião malaio provocou-me um pesadelo terrível pois colocou-me face a um dos maiores medos; cair no mar.

 

Tantas décadas depois continuo a ter medo de andar de avião, até porque estes andam no ar e as oficinas são em terra. 

Fernando Lopes às 00:34 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Sábado, 08.03.14

Estranha forma de amar.

As mulheres têm uma estranha forma de demonstrar a sua preocupação connosco. Estão constantemente a embirrar, corrigir comportamentos, tentando transformar-nos, mesmo que se sintam confortáveis com os nossos defeitos. Relembro uma passagem de “O Sexo e a Cidade” em que duas amigas discutem sobre essa característica das mulheres envolvidas numa relação.

 

- Eu costumava implicar com o Steve por tudo. Pela forma como segurava o garfo, os erros que dava, as unhas sujas …

- Implicavas?

- Ele agora tem uma nova namorada, a Debbie.

- Achas que a Debbie implica com ele?

- Claro. Todas as mulheres implicam, é genético, a nossa forma de mostrar que gostamos deles.

Fernando Lopes às 13:06 | link do post | comentar | ver comentários (2)
 

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