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Encerrado para férias.

por Fernando Lopes, 3 Jul 15

Cape_verde_boa_vista_cabo_santa_maria_2048x1536px_Vou aqui e já volto.

 

Este estaminé encerra temporariamente para férias. Deseja o melhor a clientes e amigos, e promete voltar com diários de viagem e demais pérolas avulsas de sabedoria a que vos habituou. Para todos um abraço do tamanho do mundo, e, se for caso disso, umas boas férias.

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Coisas que me deixam possesso…

por Fernando Lopes, 2 Jul 15

ir ao cinema, pagar bilhete, e ser obrigado a levar com vinte (20) minutos de publicidade depois da hora marcada para o início do filme. O monopólio da exibição cinematográfica propicia este tipo de abuso. Até sou do tipo «deixa andar», mas desta vez, se não estivesse com pressa, tinha pedido o livro de reclamações. Para o raio que os parta.

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Preso na normalidade.

por Fernando Lopes, 2 Jul 15

Carrego comigo inquestionável fascínio e admiração relativamente às pessoas libertinas, não tanto as sexualmente livres, mas as que ignoraram convenções, ideologias, e vivem(ram) à margem por opção ou porque foram empurradas para tal. É sempre nas margens que está o que interessa conhecer, o quê ou quem é livre, algo que derruba barreiras.

 

Reflectindo friamente, é um modo absolutamente egoísta, onanista, de se viver. Estar preso na normalidade é talvez um modo mais sofrido, com mais compaixão, de encarar o mundo e os outros. Porque a humanidade é constituída por todos, homens e mulheres, bêbados e sóbrios, adictos e não dependentes, viver uma vida anónima para cuidar de si, e principalmente dos outros, pode não ser poético, inspirador, quebrador de convenções, mas é absoluta e inquestionavelmente respeitável.

 

Tomemos-me como exemplo. Sou um cuidador que necessita de ser cuidado. Em algumas trivialidades do dia-a-dia sou tão inapto como uma criança de cinco anos, emocionalmente, um funâmbulo. E no entanto cuido da minha mulher e filha com desvelo, como se fossem um membro do meu corpo.

 

O egoísmo de viver a «minha vida» nunca se sobrepôs aos cuidados, carinho e atenção que lhes devo. Há um modo bom e um mau? O «altruísmo» que carrega a vida familiar matou-me os sonhos, ou serei melhor ser humano assim, encarcerado nesta prisão de normalidade pequeno-burguesa?

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Fernando, o que fazias com 25 milhões de euros?

por Fernando Lopes, 30 Jun 15

Jogo regularmente no euromilhões, tanto com os meus colegas de trabalho como a solo. Consciente que nunca serei rico – nem estou certo se estaria preparado – gasto dois euros, porque infantilmente me divirto a sonhar, preço baixo para voar sobre a terra da fantasia. Aqui chegado, o meu sonho não é muito diferente do pensamento do operário, da dona de casa, ou de qualquer outra pessoa vulgar. Primeiramente comprava uma casa para a restaurar. Farto de edifícios novos, cansado de ver a baixa transformada numa Disneylândia de comes e bebes, apostaria forte na reconstrução de um edifício com «estória». Começa a ver-se por estas ruas uma actividade de restauro que muito me agrada. Contribuiria comprando o velho Instituto Francês, na Praça da República, outrora cheio de charme e vida, hoje um triste destroço.

 

Pronto, sou um bimbo, comprava também um carrito desportivo, estando no top das preferências um Nissan GTR. Queria conhecer o Perú, o umbigo do mundo – Cusco- perder-me no meio das gentes, passear pela Ásia, Nova Iorque, ver mundo. Feitas as contas sobram milhões que se farta.

 

É aí que sou talvez um pouco diferente da maioria. Acredito que com grande dinheiro vem grande responsabilidade. Como sou amigo de uns advogados janotas, investiria 20% da massa a ajudar os outros. Quem são os outros? Velhos, crianças, sem-abrigo. Lembro-me disto sempre que passo pelo velho albergue do Porto, vejo um puto ranhoso ameaçado pela progenitora, observo as minhas velhinhas a arrastar o carrinho de compras com sofrimento, mas também uma enorme dignidade.

 

E tu? Com que sonhas quando fazes as cruzinhas no boletim?

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Nada nem ninguém passou intocado pela crise. Todos vimos amigos, familiares, conhecidos, caírem no desemprego, emigrar, ter um orçamento brutalmente reduzido, assistimos quase placidamente ao aumentar das desigualdades entre os que mandam e a massa informe a que se convencionou chamar povo.

 

Exacerbaram-se os egoísmos, e chegou-se ao estado actual do «salve-se que puder», tão do agrado dos nossos governantes. Sempre procurei lutar contra este instinto básico, em que o homem perde o que lhe é mais nobre: a capacidade de entreajuda, de se colocar no lugar do outro.

 

Ocasionalmente dou por mim a desejar que um ou outro estafermo se espalhe contra a parede, que morra envenenado com a mordedura da sua língua bífida.

 

Entristece-me profundamente, porque por momentos não sou melhor que eles, apenas mais um náufrago egoísta que se procura agarrar a uma bóia sem olhar para quem está ao lado. Reconhecer que atraiçoamos o nosso modo talvez seja o primeiro passo para que tal não se repita. Ou então não somos tão sólidos como julgávamos, e o nosso carácter, também ele ocasionalmente fraqueja.

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Já ninguém escreve cartas.

por Fernando Lopes, 28 Jun 15

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Passei por eles, um azul, outro vermelho, e dei-me conta de que em breve os marcos de correio desaparecerão. Nestes tempos de urgência, de comunicação imediata, são cada vez mais uma idiossincrasia. Recordei o tempo em que escrevia cartas de amor, dos bilhetes entregues à socapa à menina dos caracóis longos, da solenidade existente no acto de colar o selo, endereçar a missiva e deixá-la num marco de correio. De como procurava usar a minha melhor letra no endereço, do cuidado em escrever o remetente em letras mais pequenas. Sou um resistente, nunca aceito a substituição das cartas por pdfs, ainda recebo todas as contas por correio tradicional. Já só me escreve a EDP, NOS, a companhia das águas e pouco mais. Dei-me conta que a culpa também é minha, só sei endereços electrónicos, não envio uma carta a ninguém, nos últimos anos apenas meti no marco despesas de saúde para comparticipação dos serviços médicos sociais. Provavelmente esqueci como se escreve à mão. Triste, não é?

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O cruise control do meu tempo.

por Fernando Lopes, 26 Jun 15

Falávamos de carros, eu e um rapaz da minha idade (adoro esta expressão porque pode ser usada sem estranheza até aos 90). Naqueles tempos distantes poucos tínhamos carro antes de começar a trabalhar. O meu primeiro veículo foi um Fiat 127 que tinha pertencido ao avô. Obrigou-me a pagá-lo e depois devolveu-me o dinheiro. Troquei-o por um Renault 5 e jurei que nunca mais teria carro daquela marca. Mudei bateria, cabos, alternador. Nada. Bastava chover para se recusar a sair do sítio. A coisa era de tal forma que, em noites em que se antecipava pulviosidade, já o deixava estacionado numa descida para «pegar». Um dos meus maiores alívios foi ter-me despachado da coisa e ter arranjado motorização normal.

 

Entre essas peripécias lembrou-se de uma coisa relativamente vulgar nos anos 80, o cruise control manual. Como os utilitários daquela época não passavam dos 120 à hora, muitos usavam um taco de bilhar sem a ponta, entalavam-no entre o banco e o acelerador, e assim, nas viagens nas poucas auto-estradas da época, se descansavam as pernas.

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O poder da adjectivação.

por Fernando Lopes, 25 Jun 15

Se aquela miúda em que estás de olho te define como «fixe», «fofo», «porreiro», ou «interessante», lamento, caro amigo, mas não tens hipótese. Dotadas de maior inteligência, e consequentemente maior vocabulário, estão a pôr-te ano nível do que definirias como «uma tipa simpática».  

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 Porque as estórias têm sempre um rosto: o bando, a adolescente e o dançarino enlouquecido.

 

Noite de S. João. Como já se está a tornar hábito, passamos pelo «Rádio» para beber umas cervejas e dançar. O DJ do sítio, de nome Salazar, tem escolhas completamente incoerentes, e é essa a sua grande qualidade. Num segundo podemos estar a ouvir Doce, no seguinte AC/DC. É muito raro dançar, e desligo-me do mundo, como se apenas eu a música existíssemos. Tinha jantado com um grupo de queridos amigos, estava ligeiramente bebido e desatei a dançar.

 

Quando desperto da possessão, uma jovem adolescente, filha de companheiros de farra, olha-me entre o incrédulo e o divertido. No rosto, estampada a sentença: «o cota é meio choné, mas rocka». É assim pequena, há velhotes que se divertem sem medos ou convenções. Eis um.

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O Purgatório feito pelos leitores.

por Fernando Lopes, 23 Jun 15

10709486.jpgImagem enviada por um leitor. O local parece a Praça do Marquês no Porto.

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