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Fuga.

por Fernando Lopes, 4 Jun 17

Todos conhecemos aqueles casais em que nada bate certo. Às vezes erro de avaliação de terceiros, as mais das vezes nem por isso. Ele um tipo magro, bem parecido, olhos claros e cabelo precocemente grisalho. Tinha pretensões a artista, gostava de pintar, de poesia. Tenho dificuldade em definir se seria frágil ou se usava a pretensa fraqueza como charme. Ela tinha um ar assustadoramente masculino. Cabelo curto, voz grave e profunda, ar de fêmea alfa, porte grande e intimidante. Naquela personagem pouco havia de feminino, sempre fiquei com a imagem de um espécie de amazona, guerreira, quem em casa e fora dela tudo decidia. Dizem-me que ele saiu de casa para não mais dar sinal de vida. Desconheço as razões da «fuga», compreendo que dela tivesse medo. Falava com nele num tom que a todos atemorizava. Talvez fosse apenas o seu jeito, mas macho não havia que não manifestasse desconforto na sua presença. Sou muitas vezes frágil, outras tantas irascível e quezilento, mas nunca por nunca conseguiria partilhar a vida com alguém que me amedrontasse.

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À janela.

por Fernando Lopes, 1 Jun 17

janela.jpg

 

Todos os dias, às 08:30 da manhã, esta senhora idosa está a janela, imagino que a admirar a pressa dos transeuntes que correm para os escritórios, outros ainda quase arrastam crianças pequenas para a escola próxima. Em baixo passam os carros, motos, entram os trabalhadores. Passados uns minutos desaparece. Uma vez que o edifício onde trabalho tem vidros espelhados não imagina que está a ser observada. Já me habituei a vê-la ali, se um dia desaparecer vou sentir a sua falta. Depois pergunto-me: quem é tão estúpido que adianta a hipótese de sentir a falta de quem não conhece?

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Poderá Rui Moreira perder o Porto?

por Fernando Lopes, 30 Mai 17

Até há bem pouco tempo achava que não, considerava dar-lhe o meu voto pela primeira vez. Face ao pacóvio e salazarento edil anterior, Moreira foi uma melhoria notável pela sua urbanidade, abertura, respeito pela diferença. Ninguém se importaria de ter Pizarro na vice-presidência, o ex-controleiro do PCP tem o carisma de uma amiba. Parece que Rui Moreira quis escolher o seu vice. É uma opção, e como todas comporta riscos. O caso Selminho já andava a marinar há anos sem que se entenda exactamente o que está em causa. Se um terreno de mil e tal metros quadrados, se favorecimento. Perdeu o meu voto, como o perdeu há muito anos Fernando Gomes, porque tomou pose de príncipe. Esquece-se que a cidade a que preside é intrinsecamente burguesa, que os nobres eram proibidos de aqui ter residência permanente. Se há coisa que a gente não gosta é de malta a armar-se em fidalgo.

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Do exagero na disponibilidade.

por Fernando Lopes, 28 Mai 17

Em mais de trinta anos de trabalho passei por muitos episódios caricatos. Tive como chefias pessoas muito inteligentes, outras nem por isso. Faz parte. O início da minha vida profissional foi num projecto demasiado avançado para o seu tempo. Em 1989, através de um terminal específico já se podia encomendar do supermercado ou consultar saldos bancários. Sim, há vinte e sete anos, tal já era possível em Portugal. O projecto ainda hoje é um case study de como uma ideia brilhante implementada prematuramente pode fracassar. O homem que teve a ideia emigrou para onde os prados eram mais verdes e durante um ano tivemos um chefe que, boa pessoa, era um bocadinho bronco.



Numa reunião em que estava presente, diz a uns potenciais clientes:

 

- A [nome da empresa] está de pernas abertas!

 

Torci-me todo para não me desmanchar a rir na cara do homem, ainda hoje quando me falam de disponibilidade deixo escapar um sibilino «estou de pernas abertas».

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Hoje foi assim.

por Fernando Lopes, 28 Mai 17

Piquenique.jpg

 

Reuniram-se os amigos, a pretexto de celebrar 30 anos do calcanhar de Madjer. Qualquer motivo é bom para estarmos como aqueles de quem gostamos e gostam de nós. Sem preconceitos ou julgamentos, aceitam-nos inteiros. Piquenique no Jardim das Virtudes, um recanto escondido deste meu/nosso Porto. Beijos, abraços, recordações deste cidade que nos veste a alma e pinta o coração de azul e branco.

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casaChristinaFoto1.jpg

 

Talvez por estar a ficar entradote, recordo-me de algumas lojas e serviços que existiam na minha infância. Não sendo nostálgico, uma simples frase, publicidade, deixa, trazem-me à memória coisas de antanho e colocam-me um sorriso pateta na face. Falam na televisão de um serviço de entrega de pão ao domicílio e logo recordei a padeira que percorria Álvares Cabral com uma longa canastra em forma de piroga, deixando o pão aqui e ali num saquinhos de pano, quase todos eles com motivos regionais. Ainda hoje ocasionalmente faço compras na mercearia fina «O Pretinho do Japão», na Rua do Bonjardim, onde fui muitas vezes pela mão da avó. Recordo também que os avós encomendavam – e encomendar é o termo – os sapatos na «Sapataria Danilo». Quando miúdo já era um local para velhos, mas dizia-me o avô que os sapatos eram quase indestrutíveis Era só escolher o modelo, pois as medidas do pé estavam arquivadas na loja e os sapatos eram feitos à mão. Sorrio ao lembrar a «Casa Christina» e o café de diversas proveniências e em peso sempre igual, misturado, que era levado num cartucho de papel para fazermos um café de cafeteira e que tinha o melhor cheiro do mundo. Recordo todas estas coisas e tenho saudade de um tempo em que se consumia devagar, nos mesmos sítios, atendido por gente que nos conhecia. Parece ontem e tudo se passou há mais de 40 anos.

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Embora existam particularidades de género, nós homens, tendemos a ver mais o que une que o que separa. Inegável que o sexo com que nascemos nos marca alguns comportamentos, as hormonas outros, a educação outros tantos. Já não consigo é ouvir aquela generalização «as mulheres são todas iguais» ou a oposta. Existem mulheres guerreiras outras doces, inconformadas e comodistas, sensíveis e brutas que até dói. Como nos homens. O que nos define, além de traços de personalidade inatos e comuns a homens e mulheres, é o modo como fomos educados e os valores que partilhamos. O resto são tretas.

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Fomos comprar óculos à Zara.

por Fernando Lopes, 22 Mai 17

zara.jpg e eu estou a posar com um magníficos óculos rosa.

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«a Fábrica». Onde menos é mais.

por Fernando Lopes, 20 Mai 17

 

Fabrica1.jpgCopo de «Primavera», produzido in situ.

 

Nas minhas deambulações pelo centro da cidade passeio por uma das ruas que mais se transfigurou nos últimos anos, a da Picaria. Na era pré-Ikea era um bom local para se procurarem móveis baratos. Sobrevive apenas uma loja desses velhos tempos e toda a rua está ocupada por bares e restaurantes. Não tenho pachorra para multidões ou comportamentos de rebanho, pelo que tendo a fugir dos lugares da moda. Passou-se isso com o «Aduela», onde serviam umas magníficas tostas com pesto, invadido por hordas de candidatos a artista. O «Candelabro», no Largo de Mompilher, um alfarrabista dos meus tempos de infante hoje transformado em bar é um local agradável, mas já com excesso de gente. Também já por lá não anda a Mariana, uma jovem que servia canecos com a maior doçura do mundo.

 

Fabrica2.JPG Cubas, bancos, iluminação.

 

Fabrica3.jpgEsplanada para as traseiras da Rua do Almada.

 

 

Tinha visto esta cervejaria artesanal, de seu nome «a Fábrica», e fiquei com vontade de experimentar. Fi-lo hoje. É um local recuperado com bom gosto. Um corredor, mesas encostadas à parede, simples, quente, acolhedor. Passando por onde a cerveja é tirada, existe uma sala mais ampla e uma belíssima esplanada, que dá para as traseiras da Rua do Almada. Um belo local para um fim de tarde com os amigos a beber um copos, deitar conversa ao vento, petiscar. Experimentei duas cervejas, uma produzida no local, de seu nome «Primavera» e a «Super Bock 1927 Bavaria Weiss». A «Primavera» é extremamente suave, com um ligeiro toque de limão. Uma boa cerveja, a um preço mais que módico. A Super Bock tinha um amargor que me pareceu excessivo, muito inferior a uma cerveja alemã comum do mesmo tipo, a Erdinger. Não vos vou falar do fim de boca ou de outras mariquices, o meu palato não é tão sofisticado como o dos que distinguem num cunnilingus entre a a Maria e a Fernanda.

fabrica4.jpgOlhá bela loura.

fabrica5.jpg Pormenor de um candeeiro.

 

Fabrica6.jpgA fábrica propriamente dita.

Fabrica9.jpgA mão que dá de beber a almas sedentas.

  

Uma particularidade da «Fábrica» é que é lá que se produz a cerveja que bebemos. No piso inferior existe uma sala e a fábrica propriamente dita. É depois transportada para duas cubas de mil litros e daí para a barriguinha do consumidor. Sem engarrafamentos, sem sofisticação da treta, sem merdas. A lista das cervejas e dos trincantes é também ela diferente. Duas cervejas produzidas localmente, cinco Super Bocks praemium, pregos, hambúrgueres e linguiça. Local a visitar neste tempo que se aproxima, em particular a esplanada. Quem quer uma lista de cem cervejas com apenas três sabores de base e comida a armar ao carapau deve abster-se. Para os simplórios como eu, consumir sem moderação.

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Sing it again, Chris.

por Fernando Lopes, 18 Mai 17

 Chris Cornell [1964-2017]

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