Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Põe-te no teu lugar.

por Fernando Lopes, 15 Dez 17

 Dizes a verdade mesmo quando ela é inconveniente.

 

Não gostas de jogos de palavras, preferes chamar os bois pelos nomes.

 

Achas que lealdade é mais importante que obediência.

 

Não pensas que dinheiro ou status definam o que é essencial numa pessoa; a sua humanidade.

 

Continuas a desejar utopias.

 

Não te adaptas a situações «sociais».

 

Evitas mentir e até as mentiras piedosas te são custosas.

 

Estás permanentemente insatisfeito contigo e com os outros.

 

Tens grandes exaltações e enormes angústias.

 

Dizes palavrões, ris alto, piscas o olho com malandrice.

 

Adoras beber, rir, cantar.



 

Atenção: és um tipo excessivo, tens o coração perto da boca, melhor pores-te no teu lugar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Marvin Gaye.

por Fernando Lopes, 10 Dez 17

No restaurante onde almoço durante a semana – o das couves, Filipe – os empregados rodam com alguma frequência. Recordo com saudade o Luciano, um rapaz brasileiro, alto e magrinho, que era uma autêntica máquina. Fixava tudo, servia sempre com um sorriso, uma piada e uma rapidez alucinante. Acabava o turno completamente transpirado, tal o esforço de físico e de concentração que aquelas duas horas de gás a fundo implicavam. Havia também o Márcio, refilão encartado, mas sempre pronto para agradar e satisfazer os pedidos mais improváveis. Agora servem dois jovens brasileiros, a Lorrana, simplificado para Lô e o Higor, que quando me confessou que o seu nome se escrevia com H levou logo com a alcunha de Igor com H. A Lorrana está grávida, quando lhe perguntei o nome do bebé, disse-me que tinha escolhido Marvin.

 

- Fixe, como o Marvin Gaye, disse. Ela olho para mim, franziu o sobrolho e afastou-se. Passado uns minutos aproxima-se de mim e pergunta:

 

- Seu Fernando, já me tinham falado nisso do gay. Que é que é isso?

 

- Lô, não tem nada a ver com gay, é Gaye, com é, era um cantor americano muito conhecido, há uma música dele «Sexual Healing» que deve ter ouvido, foi muito popular nos anos 80.

 

 

Dúvida desfeita, mãe tranquilizada sobre o bullying ao seu futuro rebento.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Comida para pássaros.

por Fernando Lopes, 22 Nov 17

Periquitos_xl.jpg

 

Virou moda comer sementes, vai daí somos bombardeados com os benefícios de tudo quanto é semente ou baga. Linhaça, aveia, girassol, ou com nomes mais exóticos como quinoa e goji. Os supermercados têm agora secções saudáveis cheias de painço. Ora tipos como eu só comiam tremoços e amendoins para acompanhar a cerveja. Havia também o arroz, semente de tradição milenar na alimentação humana. Agora comem-se quaisquer tipo de sementes. Dizem os nutricionistas para não ingerimos sementes à toa pois estas têm contra-indicações como flatulência ou oclusão intestinal. Mulherada e hipsters, cuidado, não me apetece levar com o vosso flato. Recordo-me de num vegetariano ter comido almôndegas de lentilhas com a triste consequência de ter largado mais ventosidades que uma vaca argentina. Tá tudo muito bem, mas para este velho do Restelo que vos escreve, sementes ainda são comida para psitacídeos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sonhos e desilusões.

por Fernando Lopes, 21 Nov 17

Será que somos o resultado da soma dos nossos sonhos subtraídos das nossas desilusões? Uma operação aritmética como balanço de vida parece-me muito redutor. Sendo um ser que raramente se contenta, recuso-me a fazer estas contas. Provavelmente aprendi mais com as desilusões, mas o que me faz caminhar em frente são os objectivos alcançados. Venci e perdi número suficiente de combates para saber que o que mais importa é a garra com que se luta, a convicção na justeza da nossa causa. Venho a descobrir que, muitas vezes, dar é mais importante que receber. Quando damos – um carinho, ajuda financeira, uma boa palavra, pouco importa – viaja para o universo um bocadinho de nós. Faço diariamente um esforço para ser honrado, justo, digno, generoso. Não em nome de uma qualquer recompensa monetária ou divina, mas por pensar que é assim que deve ser. Estar consciente desta obrigação de dar o melhor de mim é o que me faz correr. Com a certeza de que raramente serei a pessoa que ambiciono, continuarei a tentar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um macho só.

por Fernando Lopes, 20 Nov 17

gata2.jpgBranca Maria e seu negro dono.


A Branca Maria apareceu na loja da minha mulher (publicidade descarada http://lyskin.com). Andava por lá desde Agosto, desaparecendo de quando em vez para, suponho, sessões de galderice. Sou um homem de cães, nunca tive um gato na minha vida, mas quando a minha mulher me apareceu toda chorosa que a Branca tinha desaparecido, achei por bem adopta-la, tornado-a uma gata séria. Somos agora o lar de acolhimento da Branca. Compramos uma sanita fechada que corresponde a um banho completo, ração da boa, brinquedos e escovas. Na primeira noite miou como uma desalmada. Entendi que queria farra, gatos, copos. Nada disso minha menina, enquanto estiveres cá por casa comportas-te como uma gata de família, as noites loucas acabaram. Parece que se habitou. Sou o único macho da casa, até o estafermo do gato é gata. Tudo bem, também existem vantagens, sou o menino cá do sítio.

 

É uma experiência radical, e se a bichana não tivesse nome chamava-lhe «Fantasma» pois esconde-se nos locais mais improváveis, entre as prateleiras e os livros, debaixo da secretária, entre a cama e o edredão, sei lá eu. Anda este vosso amigo em bicos de pés e a olhar duas vezes onde coloca o rabo para não esmagar o seu animal de estimação.

 

Gatos, eu? Jamé. Nunca digas nunca, seu parvalhão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Preços que fazem sorrir a estranja.

por Fernando Lopes, 3 Nov 17

Depois de almoço, quando ia tomar um café e fumar um cigarro, deparei com o Pedro numa lufa-lufa. Uma série de forasteiros de um hotel das proximidades tinham resolvido pedir cappuccino. Sabemos bem que a preparação da bebida demora o seu tempo e não se coaduna com a pressa de quem tem de servir dezenas de cafés em poucos minutos. Tinha tempo, fiquei a vê-lo fazer a espuma naquela meia-de-leite aperaltada. Quando perguntaram o preço o Pedro respondeu: três euros. O homem sorriu, fez o gesto de não com a mão, e esticou indicador e o médio a justificar que eram dois. Sim, sim, dois, três euros. O homem abriu um sorriso como quem diz: 1,5 euros por um cappuccino é pouco mais que de borla. Conversamos depois um bocadinho e contou-me que é frequente a dúvida em todos os produtos de cafetaria. Perguntam-me sempre duas vezes se o croissant custa mesmo 80 cêntimos. Para alguém vindo da Europa do norte, o custo da nossa restauração e cafetaria deve ser perto de ridículo. Bem dizia o bife num outro dia ao balcão do «Rádio» depois de ter pedido uma cerveja: One euro? Are you sure?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Cedofeita street, adoro-te

por Fernando Lopes, 31 Out 17

grafitti.jpgNo canto inferior esquerdo «Cedofeita Street, adoro-te»

 

Um miúdo alto e muito magrinho resolveu alterar ciclicamente duas enorme paredes de Cedofeita. A da foto é a parede lateral de um prédio, o muro da antiga esquadra também tem um grafitti diferente a cada dois ou três meses. Para ele, que como eu, ama Cedofeita, o meu abraço.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Tenaz de amor.

por Fernando Lopes, 25 Out 17

Um velho amigo, aquando da juventude, tinha um fetiche por raparigas do campo. Embora criado na cidade, podia chegar a uma zona rural andando 15 minutos de carro. A sua paixão por aquele tipo específico de raparigas tinha explicações absolutamente únicas. Não imaginas o que é fazer amor debaixo de uma árvore ou em cima de uma meda de feno, é algo muito mais natural, dizia. Obviamente todos gozávamos com ele e com a sua paixão por moças campestres e roliças, que nós dizíamos serem possuidoras de «coxa agrícola». Vocês não entendem nada, quando as penetras elas apertam-te entre as coxas. Nem te consegues mexer, é como se estivesses preso numa tenaz de amor. Hoje, não sei porquê, lembrei-me dele e da sua «tenaz de amor».

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

juiz.png

 

«O adultério do homem é um gravíssimo atentado à honra e dignidade da mulher. Sociedades existem em que o homem adulto é alvo de castração até à morte. Na Bíblia podem ler que o homem adúltero deve ser punido com a morte.

 

Ainda não foi há muito tempo que a Lei Penal (Código Penal de 1886, artigo 372º ) punia com pena pouco mais que simbólica a mulher que, achando seu marido em adultério nesse acto o matasse.

 

Com estar referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério do homem é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são os homens honestos os primeiros a estigmatizar os adúlteros) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pela mulher traída, vexada e humilhada pelo marido.».

 

Basta trocar o género a que se refere este pedaço de merda a que chamam acórdão para se ver bem quão ridículo é. A legitimação da violência por um juiz devia na melhor das hipóteses, inibi-lo da profissão, na pior, leva-lo à cadeia por cumplicidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Quando se passa de marido a parente.

por Fernando Lopes, 22 Out 17

A confissão foi de uma médica, casada há trinta e cinco anos: Sabes, não sei se como homem compreendes isso, mas quando se está casado há tantos anos como eu, já não se olha para o marido apenas como homem, passa já para a categoria de parente.

 

À época pareceu-me uma confissão de desistência, como se não houvesse lugar para amor, sexo, luxúria, quando se está casado há décadas, e tudo se resumisse a uma vida em comum, uma construção conjunta de dois companheiros. Hoje tenho a ideia que as mulheres são tão ou mais vorazes que os homens no que à variedade de parceiros concerne. É satisfação suficiente que a nossa companheira de décadas nos deseje sexualmente, não estou certo que o inverso seja verdade.

 

Se me parece mais ao menos consensual que uma relação se vai tornando mais de companheirismo e menos de desejo pelos terríveis mecanismos da idade, tenho para mim que se as prioridades femininas não fossem tão diferentes das nossas seríamos descartados a um ritmo de fazer Zsa Zsa Gabor parecer uma noviça.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Feedback

  • redonda

    Já estive na Tunísia, não tive coragem para andar ...

  • Henedina

    Post...post...post...;)

  • Fernando Lopes

    Nem uma coisa, nem outra. Se fosse comigo, restaur...

  • Henedina

    O proprietário deste blogue voltou qual é a renda ...

subscrever feeds