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A coragem tem de ser mais forte que o ódio.

por Fernando Lopes, 9 Jan 15

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Quando o tema é alvo de cacofonia, tendo a calar-me. Não tenho nenhuma abordagem original sobre o fundamentalismo islâmico. Não li – e será lapso meu certamente – nenhuma referência à cobardia generalizada dos atentados em Paris por parte de líderes muçulmanos, antes um mutismo cúmplice. Por tacticismo ou simples medo, um silêncio paira sobre eles. Em boa verdade execpto o Imã de Lisboa, não li ou vi declarações firmes contra os fundamentalistas muçulmanos vindas de dentro da comunidade. Estou certo que muitos deles conhecem núcleos duros, que devidamente arregimentados são um perigo para a sociedade em geral e para a seu credo em particular. A luta contra o fundamentalismo feita de fora da comunidade será sempre mais fraca, menos capaz, que a denúncia, conhecimento e controle executado por quem a ela pertence.

 

A luta contra os radicais terá de ser feita essencialmente a partir de dentro, denunciando e exercendo apertada vigilância sobre os suspeitos. Sem esta capacidade da comunidade islâmica muito pouco poderá será feito

 

Se não forem capazes de distinguir o trigo do joio e separá-lo como excrescência que são, estão a adubar o lodo anti-islâmico em que a extrema-direita e as mentes simples se movem. Porque a coragem – também a vossa – tem de ser mais forte que o ódio.

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Não sei, não vi, não recebi, só assinei.

por Fernando Lopes, 7 Jan 15

marques mendes.jpgFonte: observador.pt

Não sou contra os partidos, tenho no entanto enorme dificuldade em aceitar os crápulas que os enxameiam. Fazer parte de um partido, preferencialmente desde a juventude, tornou-se condição sine qua non para ascensão meteórica de medíocres. Olha-se à volta e só se vê deserto; de ideologia, princípios, caráter. Enquanto o sistema não for capaz de expulsar as sanguessugas oportunistas que nele se instalaram, a sua credibilidade para gente de bem é absolutamente nula. Depois, há uns que se destacam por serem particularmente invertebrados, dizendo tudo e o seu contrário. Entre eles, brilha Marques Mendes.

 

Com um programa de «comentário» este personagem menor – e não me estou a referir à altura – ganhou estatuto por ser o chibo de serviço, sempre pronto a bufar publicamente e ao sabor das conveniências do seu partido, informação confidencial sobre decisões ministeriais ou usar fugas de informação selectivas sobre o debatido no Conselho de Estado. Uma espécie de «mulher de soalheiro» da política, que escuta aqui, diz ali, intriga acolá, disso faz vida e é  premiado com um programa de televisão.

 

O caso do SEF é particularmente interessante, já que expôs a ridículo este oráculo de pacotilha. Sócio de uma empresa "JMF - Projects & Business", envolvida no caso dos «vistos gold», Marques Mendes diz que "Pelo menos desde 2011, ainda antes da criação de vistos 'gold', que esta sociedade na prática não tem atividade, no meu caso desde 2011 que não fui convocado para qualquer reunião, não fui a nenhuma reunião, não tomei nenhuma decisão, não auferi um único euro". Sabemos bem para que servem estas sociedades de «consultoria», de Marques Mendes a Passos.

 

Só ligou a António Figueiredo, ex-presidente do Instituto de Registo e Notariado, a «saber como vai o andamento de um processo». Um eufemismo para «mete aí uma cunha e coloca esse processo à frente dos outros». Todos temos noção disso menos o fleumático Mendes, que ainda tem a lata de repetir à saciedade que «quem não deve, não teme».

 

A enxúndia da democracia tem programa de TV, assento no Conselho de Estado, e nada teme. Tudo isto é normal, estamos em Portugal.

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Querer mudar de vida mas ser incapaz de ter um plano.

 

Celebrar o advento da erecção matinal como se fosse a última.

 

Apreciar as pitas de 20 anos, mas ao contrário do Pinto da Costa, sentir-se sempre mais atraído pelas de trinta e muitos, quarenta e poucos.

 

Nestas, valorizar mais um coração terno que uma cabeça brilhante.

 

Achar ridículos os cinquentões de cabeleira rala que se passeiam em cabriolets com a guedelha branca a abanar.

 

Ver fortalecidas as dúvidas e abaladas as poucas certezas restantes.

 

Entender que por muito que escreva nunca serei sequer merecedor de uma crónica de um jornal de província.

 

Ir para a farra com os amigos e achar que somos como os miúdos que nos rodeiam.

 

Ver envelhecer familiares e sentir que somos «os próximos da fila».

 

Saber que o caminho a que a vida te levou não é o que sonhaste e viver bem com isso.

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Sobre homens casados.

por Fernando Lopes, 5 Jan 15

«É casado e diz que vai deixar a mulher e os filhos para ir viver contigo mas depois nunca mais se decide?» Bingo! Claro. Somos incrivelmente banais. Acreditamos, porque queremos acreditar. Em deuses, porque isso entorpece o medo da morte. No amor, porque adoça a vida. No que dizem os homens casados, porque é o que os homens casados dizem. 

 
«O LEOPARDO», JO NESBø

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Que fizeste no fim-de-semana, Fernando?

por Fernando Lopes, 4 Jan 15

Nevoeiro1.jpgObservei as brumas até ao Soajo, irmãs das que me assombram,
Luz.JPGespreitei pela janela à procura da luz, 
raio de luz sobre o Tora.JPGe o sol sobre o rio Tora parecia indicar-me o caminho, 

Cruz.JPG

ou seria o divino?
vacas.JPGPerguntei aos animais,  
porta.jpgmas as portas da sabedoria estavam fechadas. 
aves.JPG«Perguntem às aves que cantam, aos regatos de alegre serpentear»

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Não vou chorar se não chorares.

por Fernando Lopes, 2 Jan 15

São 3:30 da manhã e vejo-me à porta do velho alfarrabista, agora bar. Espreito pela porta e inspiro a penumbra. Ao balcão aquela rapariga bela e estranha; bonita, elegante, transformou-se numa figura peculiar. Rastas, piercings, braços totalmente tatuados, colocaram-na num universo paralelo em que poderia ser o que quisesse: modelo, rastafári, filha perdida de um maori. Assim que os olhos se habituam à escassez de luz olho para as mesas do fundo. Resplandeces, como coroada por um brilho invisível. Aproximo-me de ti e beijo-te a face do modo mais suave de que sou capaz, os lábios a tocarem-te de um modo quase imperceptível.

 

O tempo foi clemente contigo. À parte umas pequenas rugas nos cantos dos olhos continuas incrivelmente bela e suave. Observo melhor e essas rugas tornaram-te ainda mais bela, como toque final do retrato de um mestre renascentista.  

 

Podíamos falar de amigos e paixões antigas, reescrever memórias de amor, mas as nossas vidas são um poço dos desejos que secou, uma história qualquer que lemos num livro. Amor é saudade, dor, tempo que não pára. Amo-te como sempre te amei, mas o comboio da vida, por tragédia ou destino, não parou no nosso apeadeiro.

 

Tiro dois cigarros do maço de Pall Mall, acendo o primeiro e coloco-o nos teus lábios. Não há surpresa ou asco nos teus olhos, apenas melancolia. Entre a neblina de fumo beijo-te apaixonadamente. Sinto os teus lábios quentes nos meus, eternizo aquele momento como se fosse o último. O meu único amor. Levanto-me e saio.

 

Não vou chorar se tu não chorares.

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2015

por Fernando Lopes, 31 Dez 14

Os ocidentais comemoram hoje a o último dia do ano ou o início do novo, não sei bem. Há quem se entusiasme e veja no mover dos ponteiros do relógio uma oportunidade de renovação. Estes, movem-se inexoravelmente, ignorando sonhos, derrotas, tragédias, vida e morte. Cumprem a sua função e simplesmente avançam. O tempo ensina-nos a moderar promessas e entusiasmos. 2014 não foi um ano bom ou mau, apenas mais um no calendário das nossas vidas. Na meia-noite não estarei particularmente melancólico ou eufórico, apenas observarei o tempo passar. Suponho que será comum a muitos entusiasmarem-se cada vez menos com celebrações com dia e hora marcada. Celebrar a vida, o tempo, o novo ano, pode ser simplesmente apreciar um dia de sol, um mergulho na praia, o cantar de um pássaro, um livro, um beijo apaixonado, café da manhã e pão com manteiga, um abraço amigo. Escravo do tempo não sou. Vou estar refastelado a vê-lo passar, sem pressas ou angústias, deixando-o fluir e apreciando os pequenos e grandes prazeres que a vida nos dá. Para os que ainda vivem o sonho ingénuo de que tudo pode ser diferente, abraço-os e que todos os seus desejos se concretizem.

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O destino como titereiro.

por Fernando Lopes, 29 Dez 14

Embora seja de trato fácil, frequentemente bem-disposto e expansivo, não sou do género de fazer amizades com facilidade. Provam-no o núcleo duro, exposto a 44 de anos de convívio, partilha, glória e derrota conjuntas. Vidas repartidas desde o banco da escola, onde a sinistra mestra utilizava métodos hoje considerados bárbaros, outrora glorificados pela eficácia: violência e medo. Aprendemos à chapada, reguada, palmatória, sempre temerosos. Uma hierarquização militar, em que um simples verter de águas era ordenado: a fila tinha à frente os da 4ª classe, 3ª e assim sucessivamente. Até para o xixi havia hierarquia. Mais que o medo, uniu-nos a capacidade de resistência à adversidade, tornando-nos uma espécie de companheiros de armas, em que, nos momentos verdadeiramente adversos se usa a táctica romana do quadrado para que nada penetre nesta relação indestrutível.

 

A vida conduziu naturalmente à diversificação de relações, a novos amigos, sempre preservando os que comigo sobreviveram ao longo round que foi a escola primária. Ocasionalmente estacionam no meu coração uma ou outra alma. Aquelas a que quero verdadeiramente e que não são originárias nesse momento de encantamento, descoberta e angústia que é a infância, contam-se pelos dedos de uma mão. Entre eles duas mulheres bastante mais jovens e o ex-marido de uma delas.

 

E no entanto, entre os telefonemas da quadra – prefiro falar com as pessoas a mandar emails ou SMS – o que mais me tocou foi de um tipo com quem conversei uma única vez. Admiro-lhe a inteligência, cultura, o modo pausado, a capacidade de ignorar convenções ou conforto. Uma sensação estranha de que sempre fez parte do meu mundo, senão do real, do imaginado. Aquele que obviamente seria meu amigo, com quem se partilham vitórias e amarguras. Como se a mão de um titereiro invisível manipulasse o destino e juntasse esta dupla improvável na partilha de um dos mais nobres sentimentos: a amizade.

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Química.

por Fernando Lopes, 28 Dez 14

Todos os homens, dos 10 aos 90, reagem organicamente perante uma mulher bonita. O coração acelera, existe uma ligeira sudação das mãos, as palavras entaramelam-se, surge um ligeiro ardor na boca do estômago. As mais das vezes tentamos fazermo-nos engraçados, indiferentes, cool. Com o tempo habituamo-nos a viver com estas incomodidades, mas estão lá, sempre presentes. Acho que é a isto que se convencionou chamar «reacção química» ao sexo oposto.

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Acção Poética (I)

por Fernando Lopes, 26 Dez 14

Poetizar_1.jpg«Son Tus Labios Mi Frontera»

Acción Poética Tucumán

Deixado no café de fumadores do Centro Comercial Cidade do Porto

Poetizar_2.jpg

«Isto não é um mero cartão, mas sim um apagador de tristezas sem prazo de validade»

bloga-mos

Deixado numa árvore, Rua da Constituição, junto ao Café Poeta
Permanece intocado, preso à árvore.

Poetizar_3.jpg

«Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro»

Miguel Esteves Cardoso

Deixado num banco de jardim da rotunda da Boavista

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