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Surrealismo no bolso.

por Fernando Lopes, 30 Jun 16

surrealismo.jpgAinda m'espanto com o que um telemóvel e um app gratuita podem criar

 

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Todos pelo nome.

por Fernando Lopes, 29 Jun 16

D. Vera, Sr. Lopes, os meus colegas, Andreia, Márcio, Sr. David, Thaís, Pedro, Liliana, Guiomar, novamente Sr. Lopes, Marta. Estas são as pessoas com quem me relaciono todos os dias de trabalho. São empregados de café, donos de tabacaria, restaurante, outro café, novamente tabacaria – sou um tipo estranho, compro um maço de cigarros de manhã e outro ao fim da tarde para não gastar 8,20 euros de uma só vez. Conheço-os a todos pelo nome. Uma das mais novinhas, Thaís, está grávida. Vai ser um menino. Fiquei feliz.

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Candidatos a críticos literários.

por Fernando Lopes, 28 Jun 16

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Quando compro um livro gosto de dar uma volta pela bloga a ler opiniões alheias. Arrependo-me sempre. Admiro imenso quem escreve de modo sério, laborioso, trabalha um enredo, dedica tanto a aperfeiçoar o escrito como a escrever. Como sei que o talento é escasso mais essa admiração cresce, pois qualquer das «estórias» que leio me seriam impossíveis de urdir. Para se saber escrever é primeiro preciso saber ler. Há blogues de crítica literária em que os autores não sabem fazer uma coisa nem outra. E os comentários senhores, porque os escrevem assim?

 

A propósito de «O Sentido do Fim» de Julian Barnes, deparei-me com isto:

 

«queria dizer que o livro necessitaria de mais do que as 152 pág. que tem para ser grandioso. Pode-se fazer muito - e bem - em poucas páginas mas há limites e para aprofundar tudo aquilo que é aflorado e tornar este livro mais rico penso que lhe falta tamanho - corpo.»

 

Corpo, um cartapácio, isso é que era. Qual depurar a escrita, qual minimalismo, qual quê, nunca se escreveu nada de grandioso em menos de 300 páginas.

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«andar».

por Fernando Lopes, 27 Jun 16

É melhor eu explicar o conceito de «andar» com alguém, já que o tempo o alterou. Falei recentemente com uma amiga, cuja filha chegara ao pé dela num estado de aflição. Estava no segundo trimestre da universidade e tinha dormido com um rapaz que andava – abertamente e com conhecimento dela – a dormir com várias outras raparigas ao mesmo tempo. O que ele fazia era uma audição a todas, antes de decidir com quem viria a «andar». A filha estava perturbada não tanto pelo sistema – embora se apercebesse da sua injustiça – mas pelo facto de, no fim, não ter sido a escolhida.

 

Isto fez-me sentir como um sobrevivente de uma cultura antiga e ignorada, cujos membros ainda usavam nabos esculpidos como forma de troca monetária. «No meu tempo» – e embora na altura eu não revindicasse tal propriedade, agora ainda a revindico menos – era isto que costumava acontecer: conhecíamos uma rapariga, sentíamo-nos atraídos por ela, tentávamos cativá-la, convidávamo-la para um ou dois eventos sociais – o pub, por exemplo – depois convidávamo-la para sair a sós, convidávamo-la de novo e, após um beijo de boas noites de intensidade variável passávamos, por assim dizer, a «andar» com ela. Só quando estávamos prática e publicamente comprometidos, é que descobríamos a política sexual dela. E por vezes isso significava que o corpo dela era tão estrito e reservado como uma zona de pesca exclusiva.

 
JULIAN BARNES IN «O SENTIDO DO FIM»

Barnes nasceu em 1946, eu em 1963. Os dezassete anos que nos separam, Leicester onde nasceu e o Porto que me pariu são tão próximos na descrição do que era «andar» no final dos anos 60 do século passado e nos inícios dos 80, que estas palavras poderiam perfeitamente ser minhas, da minha geração. Estas e outras fazem-me sentir que já não sou deste tempo e que não quero que este tempo seja o meu.

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A arte de não se levar a sério.

por Fernando Lopes, 27 Jun 16

Há um blogger que diz «Não Entendo As Mulheres», eu, quanto mais as entendo menos as percebo. Se, como fiz num comentário abaixo, refiro que as mulheres portuguesas são mais retraídas e conservadoras em relação a sexo, logo ficam zangadas. São no entanto as próprias as primeiras a sentirem-se desconfortáveis perante pessoas do sexo feminino com uma escolha de parceiros menos criteriosa. Não sou juiz, estou-me nas tintas para a forma como cada uma das senhoras gere a sua vida sexual. Não é segredo para ninguém que sou estranhamente feminino nesse aspecto, fodendo porque estou apaixonado, não fodendo para me apaixonar. Há milhares de tons de cinzento, cada um de nos transporta consigo a sua mundividência, nada do que escrevo tem importância. São observações, pensamentos falados alto com elevadas probabilidades de estarem errados.

 

Nestes anos muita coisa mudou, há uma atitude mais igualitária em tudo na nossa sociedade, comportamentos sexuais incluídos. Cada um(a) faz o que entende, com quem entende, como entende. Obviamente procuro atitudes, visões, sensibilidades iguais à minha, já dizia o Carlos Tê «não se ama alguém que não ouve a mesma canção».

 

Nada disto implica superioridade moral, nem minha nem de quem como eu pensa e age. Nada, mesmo nada do que aqui escrevo, deve ser tomado como exemplo do pensamento masculino, dada a atipicidade da minha atitude perante estas questões como pelo facto de o padrão ser não existirem padrões.

 

Sinceramente, «who gives a fuck about what Fernando thinks?» Por amor de deus não me levem a sério, que eu também não.

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É oficial, Porto e Lisboa estão a transformar-se numa espécie de Disneylândia. Aqui no Porto, durante a Primavera, migra o afamado «camone de poupa branca». Esta espécie que se caracteriza pela cabeça branca, e por se deslocar lentamente e em bando, não é das mais destrutivas. Incomodam quando caminham na baixa, pois o seu vôo é sempre em diagonal e muda frequentemente de sentido o que torna quase impossível ultrapassá-los. Tirando isso são absolutamente inofensivos, passando grande parte do tempo alapados em esplanadas a beber bejecas.

 

Detectei a chegada de nova espécie por estes dias de verão, a «camona searching for a latin lover». De variadíssimas idades, mas sobretudo na casa dos 20, é loira, padece de excesso de peso, usa calções e chanatas. Pode ver-se ocasionalmente uma sub-espécie altamente papável, a «camona magra e arranjadinha». Certo é que os poucos machos entre os 20 e 30 que não emigraram têm enorme dificuldade em responder às solicitações, sendo que algumas destas jovens, esfomeadas e com calor, começam a baixar a fasquia. Aqui entre nós, já fui alvo de um ou dois olhares gulosos, imaginem lá o desespero. Rapazes, não se pode negligenciar a chicha nacional, que é de qualidade e é nossa.

 

Aos gajos dos Tuk-Tuk um aviso: se algum de vocês me volta a ultrapassar pela direita, juro pela minha avozinha que vos mando para o galheiro, camones incluídos. Já agora não sejam parolos e dêem alguma identidade portuguesa à merda dos tuk-tuk. Em cima o exemplo dos vossos colegas lisboetas que decoraram o veículo de origem asiática com um belíssimo padrão de azulejos.  Camelos dos segway: quando me passarem outra tangente a velocidade inapropriada, estico o cotovelo e levam com ele em cheio nos dentes. Melhor começar a fornecer capacetes integrais just in case…

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sanjoaninas.jpg Hall do Colégio Universal

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Fuck Buddies.

por Fernando Lopes, 22 Jun 16

Um amigo, relativamente bem-parecido, profissional de sucesso, e que à morte dos pais herdou uma fortuna que lhe permitiria passar o resto dos seus dias a tocar viola, quis falar comigo. O problema é que mantém uma relação sexual ocasional com uma rapariga. Ela quer apresentar-lhe as amigas, frequentar restaurantes da moda, algo que se assemelha a esboço de compromisso. Estava aflito porque não tinha coragem para lhe explicar que não eram nem nunca seriam mais que fuck buddies, que uma relação minimamente séria não lhe interessava. Não pude deixar de soltar uma gargalhada perante tão pungente drama. Como me conhece bem sabe que pertenço aos 0,1% dos machos que não concebe sexo sem romance, que nunca fodeu ou foi fodido por mulher por quem não estivesse profundamente apaixonado.

 

- Se o que queres é tão simples quanto foder, contrata uma profissional. Por 200 ou 300 euros – uma insignificância para ti – consegues obter rosto e corpo de sonho, preencherá todos os teus desejos e fantasias, no questions asked, não terás de a convidar para jantar, conhecer as amigas ou pais, dizer que a amas. Lembra-te que, divorciado e sem filhos, com a massa que tens, preenches as fantasias de uma imensa maioria de solteironas e divorciadas que por aí andam. Transformaste-te num tipo altamente casável, o melhor é evitares relações com quem não te interessa nada mais senão foder.

 

Vou mudar de carreira para consultor sentimental, acho que me safo.

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Marmanjos de calções.

por Fernando Lopes, 21 Jun 16

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Há modas que me matam. A dos marmanjos de calções, por exemplo. Ver um tipo de 50 anos, rua fora, a mostrar o pelinho da perna, é do mais ridículo que há. Parecem uns putos com problemas que fugiram demasiado tarde da escola primária. Não se pode exterminá-los?

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Eu e o meu amigo «Jim Beam» (III).

por Fernando Lopes, 20 Jun 16

Combinámos que iria passar por casa dela, na Rua do Almada. Outrora local de venda de ferragens, maquinaria e material de construção, a estreita rua tinha-se transformado primeiro numa zona de bares e restaurantes. Depois os velhos moradores – e velhos não é eufemismo – tinham sido convencidos a saírem dali. As suas modestas casas deram lugar a apartamentos com interiores de design e materiais invulgares a preços exorbitantes.  De duas casas fazia-se uma com enorme sala de 80 m2, cozinha americana e essas pimpineiras. Artistas, boémios, jornalistas, poetas e outras supostas pessoas de sucesso queriam lá morar, ver e serem vistos, saltar de bar em bar, restaurante em restaurante, uma espécie de colibris que oram tocam nesta flor, ora noutra, sem verdadeiramente apreciar nenhuma. Sítio merdosamente na moda para o meu gosto, mas como a Joana é arquitecta de sucesso, apenas uma opção previsível.

 

Estacionei o carro em cima do passeio, como todos por ali fazem e fiquei à espera que descesse. Meia-hora passada, dei um toque para o telemóvel. Talvez se tivesse esquecido, ou mais previsivelmente, se tivesse acagaçado e desistido. Não seria a primeira vez que me aconteceu, não será certamente a última.

 

Mandei lavar e aspirar o carro. Antes tive de deitar fora as garrafas, maços de cigarros amarrotados, beatas. O velho Alfa parece sempre uma pocilga, um reflexo da falta de organização do proprietário. Estou farto, restam-me duas opções: ou me vou embora ou subo, bato à porta, e confronto-a com a falta de educação. Caralho, podia ao menos ter telefonado a desmarcar.

 

Mais decepcionado que furioso subo pelas escadas estreitas até ao terceiro e último andar. Esta chiqueza deve ser muito porreira quando tens de carregar as compras do mês. A porta está entreaberta, grito o nome dela. Nada. Bato furiosamente. Nada. Quando começo a descer as escadas algo me diz que devo voltar atrás, verificar se está bem. Empurro a porta. Apartamento imaculadamente decorado, minimalista, um quadro aqui, umas antiguidades ali. Detesto estas casas que parecem andares-modelo onde ninguém real habita. Quando penso em desistir e descer de uma vez por todas apercebo-me de uma enorme mancha vermelha escura a escorrer pelo soalho. Vem do que suponho ser um quarto.

 

A medo empurro a porta e vejo a Joana, deitada, de robe, a cama e o chão inundados de sangue, a garganta com um corte profundo. Em pânico escorreguei na poça de sangue, caí e fiquei com as calças manchadas daquela papa líquida. O sangue já estava ligeiramente espesso, devia estar morta quando cheguei há três quartos de hora. Além disso não vi ninguém a entrar ou sair do prédio. Pensei fugir, depois ponderei. Não tinha feito nada, estava inocente. Peguei no velho Nokia e teclei 112.

 

(*) Revisão e ideia de arranque desta parte by Pseudo.

(**) Podemos fazer algo giro com isto. Contribuam com ideias para o meu mail, está no perfil.

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    E vais imprimir-te para pores numa parede lá de ca...

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    Mais que o hardware, surpreendem-me estes software...

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    Talvez a forma de limitar um pouco esse espanto se...

  • Fernando Lopes

    Devo ter passado ao lado de uma carreira brilhante...

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