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106 anos e ainda fazemos festa.

por Fernando Lopes, 29 Jul 16

Hoje de manhã recebi uma mensagem do meu melhor amigo. Estava no Porto e queria que fossemos jantar e beber um caneco. Conheço-o desde a 1ª classe, já lá vão – é fazer as contas. Este meu amigo, também com 53 anos, parece uma boa meia-dúzia de anos mais novo. Partilhamos desde sempre vitórias, angústia, interrogações. É arquitecto, um tipo sensível, bem-disposto, com um dos sentidos de humor mais ácidos que conheço. Tem fama – talvez um bocadinho justificada – de playboy. É acima de tudo uma pessoa que ama a vida e que procura vivê-la com o máximo empenho possível. Gosto destes encontros porque seguem sempre a cartilha do improviso, tanto podemos acabar bêbados como cachos como numa conversa séria sobre livros, arte, religião, o que seja. De qualquer modo, colocamos mais de quarenta anos para trás das costas e voltamos a ser dois ganapos. Com ele, sou apenas eu, o Fernando, voltamos a ser os miúdos que jogavam à bola e se escondiam debaixo dos carros quando a professora saía da escola. Essa ingenuidade reencontrada é a melhor das terapias. Boys will be boys.  

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Destino traçado.

por Fernando Lopes, 28 Jul 16

chumbinho.jpgPraça do Bom Sucesso, Porto.

 

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À mes amis français. (*)

por Fernando Lopes, 27 Jul 16

Hitler-in-Paris-001.jpg

 

Sejamos honestos, a oposição colocou as fichas todas no «quanto pior melhor». Fodeu-se. O BE já tinha feito o mesmo ao ser parte activa no derrube de um executivo PS. Também se fodeu. Nada disto iliba o governo, incapaz de captar investimento, criar emprego, actuando quase exclusivamente pelo lado da receita, atirando migalha aqui e ali aos portugueses já no osso. O Sr. Presidente do Conselho estará neste momento a padecer de cólica profunda. A não aplicação de sanções e a tragédia autárquica que se avizinha colocam-lhe o tacho em perigo. A imprensa económica, mais fiel que rafeiro ao modelo da troika, sofre uma pesada desilusão e pede-nos para não os deixar falir. No cu.

 

Desiludam-se os que acham que o palavroso Costa teve algo a ver com isto. Berlim perdoa agora para ganhar legitimidade para o castigo que se segue. Portugal não conta, a Espanha pouco vale. O filet mignon – e a aplicação de um galicismo não é coincidência – é a França. Pacientemente os boches preparam-se para conseguir pela via económica o que não conseguiram pela guerra, vergar a Europa. Há muito Pétain por aí, basta esperar pacientemente.  

 

(*) crónica económico-política de elevado conteúdo e linguagem ainda mais sofisticada. 

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Coisas que nos sobrevivem.

por Fernando Lopes, 27 Jul 16

Uma simples garrafa de água de plástico pode resistir durante cinco séculos aos elementos. Pode parecer estranho, mas existem objectos, plantas, que me fazem sentir profundamente desconfortável. Em casa do pai dividiam-se as casas de banho entre homens e mulheres. Uma para cada género. Sendo a família de três machos e uma fêmea, entendeu-se – e bem – preservar o feminino. Mais por hábito que por racionalidade, quando vou a casa da mãe uso sempre a «casa de banho dos homens». Procurava creme para as mãos quando me deparo com o pente do pai. Um pente normal, nada sofisticado, daqueles de osso que quase vinte anos passados ali permanece, coisa inútil e cínica a lembrar a efemeridade humana. Irritou-me tanto que quase chorei. Hoje, já noite dentro, lembro-me da orquídea que a tia Manela ofereceu. Um presente para a Teresa quando a Matilde nasceu, uma flor num vaso de terra. Está dentro de casa, num local quase sempre banhado por luz e sol. Fui pôr-lhe água, coisa que faço meia-dúzia de vezes por ano. Depois reflecti. Onze anos. A tia morreu, a flor negligenciada persiste em sobreviver. Não sei se desespero pela perecibilidade humana, se me espanto por uma flor e um pente nos poderem resistir, escarnecedores.

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Do poder analítico da literatura.

por Fernando Lopes, 25 Jul 16

Mas o tempo… o tempo primeiro fixa-nos e depois confunde-nos. Pensávamos que estávamos a ser adultos quando estávamos só a ser prudentes. Imaginávamos como estávamos a ser responsáveis, mas estávamos só a ser cobardes. Aquilo a que chamávamos realismo acabava por ser uma maneira de evitar as coisas e não de as enfrentar. Tempo… deem-nos tempo suficiente e as nossas decisões mais fundamentadas parecerão instáveis e as nossas certezas, bizarras.

 

[…]

 

Quantas vezes contamos a história da nossa vida? Quantas vezes adaptamos, embelezamos, fazemos cortes matreiros? E, quanto mais a vida avança, menos são os que à nossa volta desafiam o nosso relato, para nos lembrar que a nossa vida não é a nossa vida, é só a história que contamos sobre a nossa vida. Que contámos aos outros mas – principalmente – a nós próprios.

 

JULIAN BARNES IN «O SENTIDO DO FIM»

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OK, posso ser um porco mas...

por Fernando Lopes, 23 Jul 16

Untitled..jpgeste empratamento visto ao longe tem o seu quê de fálico.

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Promessa.

por Fernando Lopes, 22 Jul 16

Expressar-se através de alguma forma de arte é sempre uma necessidade interior e individual. Não tendo a pretensão que escrever num blogue é uma forma de expressão artística – estou absolutamente seguro que o não é – a necessidade de comunicar é do indivíduo, sobretudo consigo mesmo, reflectindo ou revivendo episódios através da escrita. A maioria de nós dá uma importância absolutamente despropositada à merda que escreve. Tendemos a fazê-lo para o que supomos ser um público, como se o mundo ficasse mais pobre sem nós e o nosso canto. Também tive ilusão de valorizar as visitas, pageviews, e essas tretas. Depois cresci, percebi que é um instrumento que pode eventualmente interessar a um ou outro, mas é sobretudo uma forma de individualidade. Se muita gente gostar, óptimo, se não, tudo bem na mesma. Termos noção da nossa infinita pequenez, da importância que não temos, é uma forma de liberdade sem igual. Escreves não para agradar ou confrontar, apenas porque te apetece. Se como eu, fazes um diário, tens de ter a capacidade de te expor. É essa a tua forma de dar, assumindo fragilidades, manias, tristezas. Os leitores são muito mais espertos que tu, sabem à primeira se estás a ser autêntico ou não. Escrevo isto, porque pela primeira vez em muito tempo estive a olhar para as estatísticas do Purgatório. Parece que há muita gente que gosta, fico feliz. A única promessa que faço é manter a autenticidade, chorar quando tiver vontade, rir sempre que me apetecer, ser confessional quando assim tiver de ser.

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Apanhar Pokémons.

por Fernando Lopes, 21 Jul 16

- António, tens no GPS do carro como último destino um motel? O que é isto?

 

- Filha, fui apanhar pokémons, tinham lá um montão deles.

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Para onde vais de férias, Fernando?

por Fernando Lopes, 20 Jul 16

lanzarote_1.jpg

 

As férias sempre foram um tema fracturante, primeiro na família Lopes, agora na novel família Aires Lopes. Adoramos praia e deserto, se for possível uma combinação dos dois, esse é o território de eleição. Já o fizemos várias vezes, na Tunísia, Marrocos, Sal, Boavista, locais áridos e com praia. Há poucas coisas mais belas que o mar azul na frente e areia, rochas, e uma ou outra acácia nas costas.

 

O Algarve está fora de questão por razões puramente pessoais. De 1972 a 1982, num Mini Cooper, com uma grelha e as malas em cima, deslocámo-nos para Vilamoura a expensas do pai. Um tirocínio deste calibre mata a vontade de allgarve ao mais pintado.

 

Depois existem razões económicas e burguesas. O último sítio que me agradou verdadeiramente no Algarve era na fronteira entre a Quinta do Lago e o Ancão. Há dois anos pediam-me em Agosto, 275 euros/dia por um apartamento engraçado, pequeno-almoço e jantar. Vão-se foder, por 300 euros/dia consigo correr mundo. A razão burguesa é que me ficaram na memória as diferenças de tratamento entre o canalizador inglês e o executivo português. O primeiro, com acento cockney, coçando os tomates em público, era mais bem tratado que o mais bem-educado dos portugueses. Pode já não ser assim, mas a imagem da minha infância subsiste. Vão-se refoder.

 

lanzarote_2.jpg

 

Não conheço a Ásia e planeávamos ir à Tailândia. A senhora minha mulher recusou-se. «Não vou andar quase quatro dias de avião para depois estar lá oito dias», disse ela. Numa conversa no aniversário de um amigo, Gonçalo Cadilhe – esse mesmo, o viajante profissional – tinha-me recomendado a Taprobana, antigo Ceilão, actual Sri Lanka. O problema era o mesmo, mais de 24 horas em trânsito entre a saída do Porto e a chegada a Colombo. Para fazer a vontade à minha sra. dona, e porque me agrada, vamos passar 15 dias na ilha que as fotos ilustram. Adivinhem lá onde é.

 

lanzarote_3.jpg

 

Prometo fazer umas croniquetas de viagem, dizer como é, o que vale a pena, como são os indígenas. Até lá conto ansiosamente os dias que faltam para abalar.

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Ser chefe.

por Fernando Lopes, 19 Jul 16

Ser chefe não é apenas – não é sobretudo – ser tecnicamente competente, ter conhecimentos superiores aos dos subordinados. É saber motivar, ser tutor, vigilante, atento, permitir que os outros ganhem asas e não ter medo disso. É ser magnânimo, não carrasco. Para um bom chefe as qualidades humanas são tão importantes quanto as técnicas, talvez mais.

 

Ocorre-se esta prosa a propósito de uma equipa externa que presta serviço na empresa onde trabalho, comandada por uma jovem mulher a quem todos gabam a competência e abominam o carácter. Tem um jeito de mulher de soalheiro que me inibe, a mim, moço habituado a ambientes de cortar à faca. A todos os subordinados já ouvi uma queixa, um lamento, uma ou outra lágrima a espreitar nos olhos. Observadores externos comentam a rudeza, a aflorar a maldade, com que se dirige à «sua» equipa.

 

A moça é a prova provada que não basta ser um bom técnico para comandar uma equipa. Tem de se ter coração.

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    Good morning. :)A feminine scent is always welcome...

  • alexandra g.

    well, well, well, what about one the boys 'joining...

  • Fernando Lopes

    Sou um tipo conhecido por ter bons momentos de hum...

  • alexandra g.

    Está visto que o Verão te faz bem à cabeça :)Mal p...

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