Domingo, 20.04.14

Uma imagem por dia.

De «mãos atadas», como o resto dos portugueses.

Fernando Lopes às 00:00 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Sexta-feira, 18.04.14

Por aí.

Começar a caminhar e deparar com um varredor; para ele não há feriado. É a minha bússola interior que conduz. Numa pequena mercearia também não existe descanso, exibem-se frutas e vegetais, carregam-se caixas. À medida que me vou aproximando do centro da cidade vêem-se cafés, tabacarias e outros pequenos negócios a funcionar normalmente. Cedofeita adentro paro uns minutos num dos mais belos alfarrabistas que conheço, o «Candelabro». Na zona pedonal pode ouvir-se espanhol, inglês, francês, alemão. O meu Porto transformado em atracção turística de massas é algo que ainda me é estranho; não desagradável, não invasivo, apenas estranho. Estacam frente a um cartaz que anuncia «Filetes de pescada com salada russa, 3,90€». Fico parado, a escutar. Provavelmente não entenderam que no centro de uma cidade europeia se pode comer de faca e garfo por menos de 5€. Tanto pior para eles, acabarão esfolados num qualquer restaurante turístico, referido num pocket guide da treta. Nos Leões espanholas apreciam toalhas «preciosas», enquanto os maridos fotografam incessantemente, a armazenar memórias da curta visita em cartão SD. Retorno pelo Rosário, a evitar aquela Babel de línguas. Em Aníbal Cunha vende-se uma pequena casa, quase romântica, certamente resistente, entrincheirada entre dois prédios. É esta a minha cidade, contrastes, cinza, tristonho, ao mesmo tempo exibindo altivez de nobre falido.

Fernando Lopes às 14:50 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Quinta-feira, 17.04.14

51 anos, nove meses e 4 dias.

É o tempo que Florentino Ariza espera por Fermina Daza em «O Amor nos Tempos de Cólera». Se alguma coisa aprendi é que o tempo não é nada para quem o vence pelo amor. E escrever é um acto de amor. Até sempre ou até já, Gabriel Garcia Márquez.

Fernando Lopes às 22:15 | link do post | comentar
Quarta-feira, 16.04.14

Rosa Bêbada.

Em tempos muito remotos, entre meados de 60 e finais de 70, os meus pais tinham uma empregada interna. A coisa era relativamente indolor para ambas as partes e funcionava assim: recrutavam numa família conhecida de Entre-os-Rios que tinha várias irmãs. As raparigas ficavam lá em casa, aprendiam as maravilhas da domesticidade, juntavam o seu salário para o «enxoval», arranjavam namorado, casavam e eram substituídas pela irmã mais nova. Foi assim com a Maria, Fernanda e Rosa, todas filhas do mesmo pai e mãe.

 

As duas primeiras nunca criaram problemas, saíram lá de casa como amigas e visitavam-nos com os maridos com alguma frequência. Sempre foram simpáticas, prestáveis, fizeram seu este Porto de acolhimento.

 

A última era uma moça mais problemática, de cara fechada, carácter irascível, hábitos não muito condizentes com os das irmãs. Apesar de nova, gostava da pinga. Só o descobrimos quando o merceeiro apresentou à mãe uma conta calada de cervejas.

 

- Deve estar enganado Sr. António, o meu marido não bebe – argumentou a mãe.

- Mas a Rosa veio cá buscar cerveja, D. Maria José.

 

Após aturadas investigações que fariam ruborescer de amadorismo Sherlock Holmes, foram descobertas dúzias de garrafas debaixo da cama da rapariga, que ficou proibida de beber, especialmente à conta dos meus pais.

 

Nesse tempo o pai trabalhava na Câmara do Comércio Luso-Britânica, e a sua função era facilitar e promover contactos e trocas comercias entre Portugal e  a Grã-Bretanha. Os associados pagavam um fee e tinham apoio técnico e comercial da Câmara que o pai representava. Obviamente que quando os negócios corriam bem recebia presentes de agradecimento, entre eles uma garrafa de vinho do Porto de 1857, ainda com um rótulo feito manualmente. Ganhou um amor especial àquela garrafa, que exibia com cuidado e orgulho.

 

A Rosa, num dia em que a sede falou mais alto, foi à garrafeira, e escolheu a garrafa com aspecto mais «velho», precisamente a tal.

 

Dando pela falta da sua estimada garrafa, apertou com a rapariga que confessou tê-la bebido. Se queriam ver um homem que não bebia desesperado com álcool, ei-lo. Nunca falava mal, mas nesse dia perdeu a compostura.

 

- Esta puta bebeu mais de 20 contos em vinho do Porto. Estava a guardar aquela garrafa para o casamento dos meus filhos!

 

Andava de um lado para o outro, desesperado.

 

- Fala sua bêbada, fala! A minha garrafa favorita!

 

O episódio passou, a Rosa ganhou a alcunha de «Rosa Bêbada», saiu lá de casa uns anos depois, mas a «estória» ainda hoje provoca o riso entre os sobreviventes, tornando-se numa espécie de lenda familiar.

Fernando Lopes às 20:39 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Terça-feira, 15.04.14

Os pobres que se fodam.

 

Um homem-sanduíche passeia-se pelas ruas de Londres com um slogan provocador: «Os pobres que se fodam». As reacções não se fazem esperar. Uns, indignados, tentam argumentar, mostrando a sua compaixão pelos pobres, enquanto outros insultam pelo atrevimento em fazer tal declaração. Em seguida o homem muda de cartaz com um dizer bem mais consensual: «Ajudem os pobres». A diferença? A indiferença. Ninguém reage.

 

O organismo responsável por esta campanha, Pilion Trust, ajuda sem-abrigo londrinos a alimentar-se e ter um local para dormir.

 

Fonte: Liberation

Fernando Lopes às 23:24 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 14.04.14

Prender empreendedores.

Estava no local certo, assegurava que as necessidades do «mercado» eram satisfeitas, bem relacionada, famliares ideiais, e entanto, prenderam-na. Blá, blá, blá,  e o empreendedorismo, blá ,blá, blá. A senhora resolve «empreender» e tunga, cadeia com ela. Está mal.

 

Uma telefonista do Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC) foi detida, ontem, segunda-feira, pela Polícia Judiciária (PJ), por suspeita de tráfico de droga na cadeia onde trabalhava há cerca de 12 anos.

 

A telefonista, que antes de trabalhar no EPC era funcionária do Instituto Português de Oncologia, é irmã de uma guarda no EPC, filha de um antigo sub-chefe (agora na reforma) da mesma cadeia, prima de um inspetor da PJ do Porto e sobrinha da idosa que foi assassinada a tiro, em novembro de 2012, em Coimbra, alegadamente por uma inspetora da Judiciária do Porto, natural da Figueira da Foz.

Fernando Lopes às 19:23 | link do post | comentar | ver comentários (5)
Domingo, 13.04.14

50€ para não ter filhos.

Como é do conhecimento dos leitores regulares do blogue, tomo uma catrefada de medicamentos já vai para nove anos na sequência de um AVC. Três semanas de baixa e um pequena problema cardíaco detectado depois, mais uma pastilha – eu sei que os lisboetas acham que pastilha só elástica, mas aqui também chamamos assim aos comprimidos. O  SNS tem umas receitas próprias para doentes crónicos que permitem repor stocks de dois em dois ou três em três meses. Temos a sorte de complementar o SNS com um seguro de saúde o que nos permite pagar valores quase simbólicos pelos medicamentos. A minha mulher foi aviar as receitas e organizava os papéis a tratar:

- Aproveitei e trouxe também várias caixas de pílula. Temos de declarar ao seguro, sempre nos reembolsam de 50€.

A Matilde que olhava para aquilo tudo com o tédio da não novidade, não consegue deixar de exibir a surpresa:

- 50€ só para não ter filhos?!

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Fernando Lopes às 19:44 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Fujão Barroso.

Houve anteontem uma sessão de beatificação de Durão Barroso com o alto patrocínio de sua Excelência o «para serem mais honesto do que eu têm de nascer duas vezes», Silva. Impoluto Silva esse, amigo e defensor de todas as horas da corja do BPN, possuidor de 105.378 títulos da SLN, comprados a 1€, vendidos a 2,4€ em fora de bolsa.

 

Barroso gritou «o país está de tanga» e refugiou-se em pastos mais verdes à primeira oportunidade. E isso, o povo não esquece. Perdoa-se a quem «rouba, mas faz obra», nunca aos ratos que abandonam o navio mal este começa a meter água. Um político deveria exceder-se em circunstâncias difíceis, não comportar-se como garoto amedrontado.

 

A experiência diz-me que apesar das missas em sua honra, é um nado-morto na corrida presidencial. Inspire-se em Fernando Gomes, figura outrora incontornável da invicta, que quando quis ir a ministro perdeu a cidade. Definitivamente.

Fernando Lopes às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (10)
Sábado, 12.04.14

Em ilustre companhia.

Acordei às 11 da manhã. Como um zombie tirei do frigorífico um iogurte líquido, acendi um cigarro, liguei o computador. Tinha uma sugestão do Abominável Careca, meu irmão, a que acedi com gosto; ilustrar o post anterior com um cartoon de Henrique Monteiro.

 

Ao sábado almoço quase sempre uma francesinha, lá fui com a família aumentar os níveis de colesterol. Chegado a casa, catrapisquei o contador de visitas. Um montão. Em condições normais o estaminé oscila entre as 70 e 100 visitas diárias, pelo que fui procurar a razão da anomalia. Dois destaques, um nos blogues do Sapo, outro no sapo.pt. Perdoem-me a imodéstia, mas estou na companhia de dois famosos cronistas. 

 

Vou dormir a sesta com o ego em boost. Podia dizer com o ego em alta, mas aprendi que no mundo da finança – mesmo sendo um simples amanuense – nunca se deve dizer algo em português se para tal puder ser usado inglês. 

Fernando Lopes às 15:13 | link do post | comentar
Quinta-feira, 10.04.14

O problema é nosso.

Cartoon de Henrique Monteiro - Sugestão do Abominável Careca

 

A Associação 25 de Abril pode ser um anacronismo, um quinhão da glória passada de uma revolução que o não foi. O fascismo à portuguesa não foi apenas derrubado por capitães, implodiu de pútrido, os militares não foram muito além de peões manobrados por superiores interesses corporativos e económicos. E no entanto, em grande parte devo-lhes o simples facto de poder escrever o que me apetece, sem outro medo que não o do auto julgamento. Devo-lhes uma utopia, um sistema nacional de saúde, pensões de reforma para todos, a massificação do ensino público. Foi o seu acto ingénuo que permitiu estas pequenas revoluções.

 

Antes do 25 de Abril e da acção desta meia-dúzia de jovens, Portugal era um país pior, porque mais pobre, mais analfabeto, mais amedrontado. Assunção Esteves atribui à Assembleia da República uma importância que não tem. Ainda que PS, PCP e BE mantenham um silêncio cúmplice, sabem que não representam nada excepto os interesses dos partidos que representam. Os cultos chamam a isto «crise de representatividade».

 

Aos homens da associação, a Vasco Lourenço como sua face visível, devia ser permitido o uso da palavra. Os analfabetos que hoje papagueiam cartilhas, da esquerda à direita, têm essa obrigação cívica. O parlamento, ao contrário do que pensam os deputados, não é do corporativo nalguedo que ocupa lugar na Assembleia. É do povo, ou deveria ser, entre o qual se incluem os militares sobrevivos daquela quinta-feira de Abril de 74. Inibi-los do direito da palavra é um modo não muito subtil de nos mandar calar a todos. 

Fernando Lopes às 22:55 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Quarta-feira, 09.04.14

Que andas a ler, Fernando? (II)

Descobri soliplass através de um amigo comum, o Carlos. Tinha seguido links e referências elogiosas de Luís M. Jorge. Ao Luís, sempre gostei de o ler. Ironicamente cáustico, causticamente irónico, inteligente, refinadíssimo sentido de humor, imaginativo como poucos. Não se consegue conhecer as pessoas pelo que escrevem, mas sempre me pareceu auto-centrado, um bocadinho snob, um cagão como se diz por estas bandas. Incapaz de escrever algo com tanto coração como isto.

 

A soliplass li referências elogiosas a Jo Nesbø. Eu, que nem sou fã de policiais ou thrillers, estou absolutamente fascinado com Harry Hole. Assim que acabar a dose diária de prosa, vou tirar um chá de menta na Dolce Gusto, acender um cigarro, e viajar ao lado negro na companhia do mítico detective.

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Fernando Lopes às 23:20 | link do post | comentar
Terça-feira, 08.04.14

O mimo já não volta.

Quem passa com frequência pela zona da Boavista, no Porto, poderá recordar-se de um mimo que empoleirado em cima de uma caixa, cara pintada de branco, muito magro, uma espécie de Marcel Marceau deslocado no tempo. Antes da crise, após uns segundos estático, pedia aos carros parados nos semáforos. Uns tempos depois vi-o, já com o cheiro a tragédia a impregnar o ar.

 

Tinha adicionado um adereço trágico, um cartaz que dizia: «Tenho Fome».

 

Falei com ele há meia dúzia de meses, estava com barba, exibindo uns dentes estragados, sonhando com um tratamento dentário, coisa neste país de terceiro mundo, de milionários.

 

Hoje cruzámo-nos de novo, eu no carro, ele a pedir.

 

- Vai desistir de ser mimo?

- Tenho pintado, quero ver se compro umas telas, disse enquanto recebia uma moeda de euro.

 

Sinal verde, apenas consigo emitir um rouco e um pouco emocionado, Boa Sorte!

 

Portugal sempre foi um país de merda, habitado por gente de merda, com sonhos de merda, ambições de merda, inteligência de merda, sensibilidade de merda.

 

Em dois dias tive de explicar à filha porque estava um octogenário a mexer no lixo, porque pede um artista para comprar telas. Estado social, sensibilidade, respeito para com os velhos e pobres, tudo isso é agora ainda mais difuso, e um pai sente nojo por esta realidade, por deixar esta miséria endémica como herança à sua descendente de oito anos.

Fernando Lopes às 19:44 | link do post | comentar | ver comentários (15)
Segunda-feira, 07.04.14

Poliamor.

 

Deparei com este vídeo no Expresso, parte de uma reportagem da SIC. Confesso que conhecia o conceito de poligamia e poliandria. A primeira filha da abundância, a segunda enteada da pobreza. De poliamor tinha ouvido en passant, como diz o jovem uma ideia desenvolvida pelo famoso Robert A. Heinlein em «Um Estranho numa Terra Estranha». 

 

É-me indiferente quem vive e dorme com quem desde que seja de forma consensual como neste caso. No entanto a reportagem nutre-se do poliamoroso macho, o que a torna quase desinteressante. A figura notável é o homem, quando aqui o papel principal devia pertencer às mulheres. Não surpreende um marmanjo aos beijos com duas raparigas, seria certamente mais enriquecedor observar as reacções ao inverso.

 

No fundo elas arriscam muito mais, a sociedade será certamente muito mais tolerante com um poliamoroso do sexo masculino; gostava da inversão, uma mulher com quatro homens. Repare-se na sessão fotográfica (ao minuto 8:20) com o moço em primeiro plano e as raparigas bem lá atrás, uma espécie de James Bond de óculos com madeixas californianas. Há preconceitos que o jornalista não venceu, o tema é um nado-morto porque abordado ainda e sempre por uma perspectiva machista. 

Fernando Lopes às 21:44 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Domingo, 06.04.14

As mulheres só gostam de quem não podem ter.

Algumas – muitas – mulheres nascem com uma certa atracção pelo abismo. Um tipo simpático, trabalhador, humor estável, sexualmente activo e emocionalmente maduro, é uma seca, previsível, chato. Dêem-lhes um que salta de cama em cama, capaz de as deixar penduradas de vestido de noite, com tendência para a hipérbole e fogacho da paixão, problemas com a bebida ou tendências S&M, encará-lo-ão como um desafio. O normal é sinónimo de sensaborão. Esta mania feminina que faz delas psicólogas e enfermeiras em potência causa a solidão de muito bom homem. E mulher também.  

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Fernando Lopes às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Sábado, 05.04.14

Sobre as probabilidades de ser corno.

Existem «estudos» sobre tudo e um par de botas; no JN uma análise certamente científica das probabilidades de ser corno tendo em conta a profissão. Como é que alguém confessa o inconfessável? Através de um site de encontros para pessoas casadas. A experiência ensinou-me que ninguém é totalmente confessional sobre o que se passa debaixo dos panos ou fora deles, e ainda bem que assim é.

 

Ser corno afecta sobretudo a auto-estima do traído. Seguindo a tradição de serviço público do purgatório deixo aqui aviso solene: se o vosso(a) companheiro(a) é dona de casa, vendedor, médico ou enfermeira cuidai por onde passais pois podereis ter barrosã elegância.

 

Se pelo contrário, poucos dados a análises idiotas, amai o vosso parceiro e dizei-lho com frequência, criai pequenas surpresas, fazei o amor sempre que puderdes, respeitai-vos, e já agora, não percais tempo com estudos idiotas ou blogues que os analisam com um toque blasé.

Fernando Lopes às 12:41 | link do post | comentar | ver comentários (9)
Quinta-feira, 03.04.14

Sobre a Madame Xoné, Soliplass diz tudo.

É por isso que em boa verdade vos digo: mandai levar na bujarrona a Jonet e as suas redes sociais como inimigo, feicebuquai quanto quiserdes, horizontalizai com estranhos ou próximos que não só de empregos é feita a vida em sítio onde valha a pena viver. É de trabalho e humanidade.

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Fernando Lopes às 19:46 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Mulheres sem volante.

Ocasionalmente deparámo-nos com fenómenos que conhecíamos apenas intuindo e o peso que podem ter no nosso quotidiano. Quase todas as mulheres entre os 40 e 50 anos estão legalmente habilitadas a conduzir. No entanto uma imensa minoria tirou a carta na juventude e recusa-se a pegar num automóvel e levá-lo de um lado para o outro. Vieram-me logo à memória uma boa meia dúzia de casos assim enquanto um amigo me recordava um episódio pícaro. Acometido de uma gastroenterite teve de se conduzir ao hospital com a comparsa ao lado enquanto parava ocasionalmente para vomitar e contraía os esfíncteres para não se borrar pelo caminho. Tudo porque num daqueles bloqueios de difícil explicação, a mulher escusa-se a ficar atrás de um volante. Amputadas de mobilidade, seguem de um modo próprio o mote da “Farsa de Inês Pereira”, «antes quero asno que me conduza que cavalo que me derrube». Guiar, goste-se ou não, pode ser sumamente útil numa urgência ou doença súbita, além de nos permitir não depender de ninguém para ir onde se quiser, quando se quiser. Como deduzo que a maioria dos leitores aqui da tasca são senhoras, alguém me explica a razão para esta mania, muito mais comum do que se julga? 

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Fernando Lopes às 19:34 | link do post | comentar | ver comentários (2)
Terça-feira, 01.04.14

O carácter como bem escasso.

Numa organização altamente hierarquizada habituei-me a ser leal; não digo amém pela frente e ridicularizo por trás. Independentemente da bondade ou justeza das decisões, nunca contarão comigo para ser sorrisos no frontispício, facadas pelas costas, esse modus operandi que é hoje a anormalidade normal.  Hoje A disse a B, «gosto muito de ti mas evito falar contigo para não desagradar a C, que não te suporta». Sinal dos tempos, o medo como motor, o carácter como bem escasso. 

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Fernando Lopes às 20:02 | link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 31.03.14

Arte na rua.

Óptica na Travessa de Cedofeita, Porto

Fernando Lopes às 22:43 | link do post | comentar
Domingo, 30.03.14

Casa de Pasto "O Luís", Castelões.

Mais uma peregrinação anual a S. Torcato, um momento de agradecimento ao santo pela maior das bênçãos recebidas até hoje; uma filha saudável.

 

Depois da fé a comezaina, um repasto-convívio com quem partilhou connosco momentos difíceis, esteve e está sempre ao nosso lado. Os meus amigos são um manual vivo das tascas da região. Desta vez propuseram um local rústico na freguesia de Castelões, no extremo do concelho de Guimarães. É uma casa de pasto, numa freguesia rural, com a simplicidade típica deste tipo de estabelecimento. A especialidade da casa é o bacalhau, podia-se também optar por vitela e polvo.

 

O local tem bancos corridos, propicia a conversa, o «picar» de todos os pratos. A vitela assada não desilude nem deslumbra, o polvo, apresentado de modo simples, acompanhado de azeite e batatas a murro apresentava-se com a consistência ideal, nem demasiado cozido, nem sofrendo do efeito chiclete.

 

Não sendo grande apreciador do «fiel amigo» comi com gosto o bacalhau à casa. Boa posta, desfazendo-se em enorme lascas, correctamente temperado com um toque de alho e batatas a murro. Encontrámos no local o presidente da Câmara de Guimarães, um toque interclassista demonstrativo da frequência da casa.

 

Não direi que foi o melhor bacalhau da minha vida, mas certamente um local a conhecer para os apreciadores do gadídeo. O Luís tem facebook, donde foram retiradas as fotos.

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Fernando Lopes às 22:35 | link do post | comentar
 

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