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Ouvir em vez de falar.

por Fernando Lopes, 31 Mai 16

Por razões que ultrapassam o meu entendimento sou amiúde alvo de confissões e desabafos. Recentemente várias pessoas me abriram a alma confessando os seus problemas financeiros, de trabalho, amorosos. É um tempo estranho, em que num momento colocamos a vida no facebook, no outro damos conta que estamos sós sem ninguém que nos oiça. A cultura das redes sociais, do consumo imediato, vem a par com o paradoxo que quanto mais exibimos, para mais pessoas, menos temos a quem mostrar a alma desnuda. Perguntamos se está tudo bem não esperando ouvir mais que a concordância. O outro enquanto ser individual, com alegrias e tristezas, interessa-nos pouco, todos transformados numa espécie de palhaço colectivo que sorri por obrigação, quando o mais que sente é desespero e tristeza. Nada mais tenho que um par de orelhas e coração razoavelmente generoso, a par da percepção que mais importante que falar é ouvir. Por estas e muitas outras razões eis-me ao vosso dispôr.

 

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Grande Jornalismo.

por Fernando Lopes, 31 Mai 16

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 As relações luso-germânicas em versão «BBC Vida Selvagem», hoje no JN.

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Femininas manias.

por Fernando Lopes, 24 Mai 16

Para a maioria – e sublinho, maioria – das mulheres, nós homens temos a obrigação de adivinhar os seus desejos. Nunca são claras no que pretendem, mantendo tudo numa névoa sebastiânica. É nossa obrigação adivinhar o local em que desejam jantar, o presente que querem no aniversário, o museu a conhecer, o livro a ler, onde pretendem passar férias.

 

Quando erramos redondamente, acusam-nos de não ter entendido as «dicas», ouvido as pistas.

 

Se fossemos muito bons a seguir pistas, adivinhar palavras soltas, seríamos todos criminologistas, C.S.I.s, cães pisteiros. Não é por mal, mas as subtilezas femininas as mais das vezes escapam-nos completamente.  Somos patetas? Sem dúvida, mas agradecemos encarecidamente às senhoras que não nos façam adivinhar.

 

Existem mulheres que sabem o que querem, ao que vão, e dizem-no. As minhas amigas são quase todas assim, pouco dadas a jogos de subtileza, mistério, adivinhação. Transparentes, claras, frontais. E é por isso que são minhas amigas, têm a capacidade de me dar um abraço ou de me mandar para o car..lho. Combinam os jogos de futebol a que querem que assistamos juntos, os concertos que temos de ver, aquele livro que têm mesmo de ler. Isto torna as relações tão mais fáceis.

 

Assim, do alto da minha provecta idade, deixo um conselho: não sendo óbvias, sejam claras. Digam que preferem o filme A ao B, um relógio de presente em vez do colar que corremos seca e meca para encontrar, que preferem as férias nas Caraíbas em vez da Islândia. Nós, uns simplórios, só precisamos que nos indiquem um caminho. Como vossos escravos, ficaremos contentes por vos seguir, desde que saibamos exactamente o que pretendem.

 

Até na vida íntima esta frontalidade facilita. Quantas de vós verbalizaram que gostavam de um homem sem andarem às voltas como os cães que perseguem as caudas? Acreditem, a clareza feminina é algo que por tão escasso se transformou num bem altamente valorizado.

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Stuff no one told me.

por Fernando Lopes, 23 Mai 16

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 muito mais em stuff no one told me

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Mensagem numa garrafa.

por Fernando Lopes, 21 Mai 16

Um amigo que muito prezo constatou com alguma ironia que este blogue frequentemente parece um muro de lamentações. É verdade que aqui exponho domesticidades, misérias, angústias, irritações. Encarem estes desabafos com alguma benevolência, como se numa garrafa bem fechada, acabasse de dar à costa mensagem de angústia ou desespero enviada não se sabe de onde, por alma desconhecida. Não interessa tanto quem a recebe, importa que a enviei.

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Como homem não me recomendo a ninguém.

por Fernando Lopes, 20 Mai 16

Estava a ouvir os meus colegas no fumatório. São rapazes com imensos talentos: sabem cozinhar, ajudam na lida da casa, têm jeito para bricolage, fazem a vontade às mulheres. Rapei o cabelo com um pente 4 e ouvi um a dizer: é mais prático, mas não o faço porque a minha mulher gosta de me ver de cabelo mais comprido. Quero lá eu saber se ela gosta ou não.

 

Quase nunca acedi às vontades da minha cara-metade. Gostava que fosse contido, sou expansivo; queria que bebesse moderadamente, de quando em vez apanho pifos de paralisar os neurónios; ansiava porque não dissesse asneiras, sou capaz de me bater mano-a-mano com uma peixeira do Bolhão.

 

Quando me conheceu já era assim, não mudei um milímetro. Analisando friamente sou um cavalo desgovernado que só faz o que lhe dá na real gana. Um dia destes tenho as malinhas à porta. Merecidamente.

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E agora para algo sério.

por Fernando Lopes, 18 Mai 16

Um leitor aqui da taberna deu-se ao trabalho de me agradecer por não ser homofóbico. É grave, no sentido em que ninguém se devia sentir agradecido por ser respeitado. É civismo básico. Não sou um defensor dos direitos gay – nem de porra nenhuma – porque não me parece que ser homossexual seja uma escolha, nem atribuo a uma preferência sexual direitos ou deveres diferentes dos demais. Nasce-se assim e pronto. Somos como somos e os outros devem respeitar-nos pela integridade, carácter, não pelo sexo da pessoa com quem dormimos. Provavelmente serei bizarro, mas a minha masculinidade, a paixão por mulheres que sempre fez parte de mim não precisa de ser comprovada por outros machos. É assim, como podia não ser. Não vou na conversa de «eu também tenho amigos homossexuais» como se tal fosse sinal de tolerância ou modernidade. Tenho amigos que são excelentes pessoas, a sua vida íntima é-me irrelevante.

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Não me incomoda nada que este rapaz bem-apessoado faça publicidade ao detergente Surf. Parece que a roupa fica a cheirar a Primavera e o moço também. É lavar as vistinhas, que para desgraça já basta o que basta.

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Os cães e os seus drogados.

por Fernando Lopes, 13 Mai 16

Quem andar a pé pela Boavista e baixa da cidade reparará que muitos cães adoptam o seu bêbado ou drogado. Por alguma estranha percepção sentem que aqueles homens estão mais frágeis, e nunca, nunca, os abandonam. Na rotunda temos vários casos desses; o drogado da muleta que corre sem ela e o seu cão, outro meio índio que tem sempre o cão atrás de si, o alcoólico – prefiro sempre a palavra bêbado, menos inócua – que é «auxiliar de aparcamento urbano» nas traseiras do Bom Sucesso. Já vi o bêbado enxotar o cão. Este colocou-se a uma distância prudente para evitar o pontapé ameaçador e continuou a sua tarefa de anjo da guarda. São os cães que tomam conta dos homens, ou o contrário? Devem os bichos pressentir quando alguém está prestes a perder a sua humanidade face ao vício. Querubins improváveis, tomam conta e são ajudados. É uma ligação bonita, cooperativa, em que nenhuma das partes necessita verdadeiramente da outra, mas em que duas solidões se transformam numa relação. Cuidar e ser cuidado não é coisa de gente ou de cão, o amor apresenta-se de mais formas do que imaginamos.

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Namorico.

por Fernando Lopes, 11 Mai 16

Já há vários dias que reparo neles. O rapaz terá vinte e poucos anos, alto e muito magro, com o cabelo preto a fugir barrete fora. Tem aparelho nos dentes, um delicioso ar de totó acentuado pelos enormes óculos de massa e umas lentes tão grossas que os seus olhos parecem de um caranguejo. A rapariga trabalha na concorrência ali em frente, toda garbosa no seu castanho Pizza Hut. Pescoça entre as colunas, pratos de sopa, arroz de pato e atum com ciclistas, até a ver. Depois sorri, fazendo reluzir o aparelho, embevecido como um Abelardo perante a sua Heloísa. Ela pequenina, redondinha, coradinha, enquanto coloca as pizzas na mesa dos clientes, olha de volta com um ar doce. Impossível não ficar enternecido com aqueles dois jovens funcionários da praça de alimentação.

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