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Cordial hostilidade.

por Fernando Lopes, 17 Set 14

O oxímoro que titula este post define muitas das minhas relações. Nunca fui de rebanhos, tribos, confrarias, relações tacitamente comandadas pelo interesse. Suspeito de líderes, gurus e profetas em geral. Valorizo mais o carácter que a inteligência, a humildade que a capacidade de sobrevivência. O meu dia-a-dia está cheio de pessoas que ora se integram e anulam por medo ou conveniência ou, misteriosamente dotados de soberba infindável, se sentem predestinados. São tortuosidades e fraquezas da natureza humana. Desejava poder pairar sobre as humanas inconveniências que frequentemente me surgem no caminho. Não sendo tal possível, trato-as com cordial hostilidade. Melhor que me transformar em cão raivoso, rosnando para o mundo, e no entanto, incapaz de o mudar.

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Coisas que alegram o dia.

por Fernando Lopes, 16 Set 14

Praça da República, Porto.

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Imagem: http://pplware.sapo.pt/

 

Recentemente, várias contas de iCloud foram hackadas e disseminadas fotografias de celebridades nuas. Este velho cínico conhece bem a máxima «não há tal coisa como má publicidade», e não se convence da inocência das «estrelas». É preciso ser-se muito estúpido para tirar fotografias nu com um telemóvel. É duplamente cretino armazená-las na nuvem. Estas vedetas têm consultores de imagem, costureiros, aconselhamento para tudo e mais alguma coisa, duvido que não tenham apoio para a presença na web, até porque redes sociais e afins são hoje essenciais para divulgação de imagem.

 

Custa-me a crer que após o caso Scarlett Johansson haja alguém suficientemente ingénuo para repetir uma proeza – que embora com contornos diferentes – converge essencialmente no mesmo. Celebridades nuas que se fotografam ou deixam fotografar em dispositivos móveis com acesso à internet, ou são parvas, ou estão à espera de publicidade grátis. Maldosamente, inclino-me mais para a segunda hipótese. Ou posto de outra forma: se estivesse nu na cloud quem quereria saber?

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D'Bandada.

por Fernando Lopes, 14 Set 14

Stray e amigos na Praça dos Poveiros

Uma tarde-noite sem chuva, um rio de gente nas ruas do Porto, música por todo o lado, um festival, D’Bandada. Por volta das sete, nas Galerias de Paris parecia ter acontecido «o estouro da boiada» como dizia um amigo brasileiro. Havia música, também ela de terras de Vera Cruz, os intérpretes estavam submersos pela multidão.

 

Houve profissionalismo e amadorismo. Às 20:45 já Capicua iniciava o sound-check para o concerto das 22:00, nos Poveiros, Stray e amigos, que nas palavras do próprio fazem «cenas», faziam o mesmo 25 minutos depois da hora marcada para o início do concerto.

 

O que importa é a música, e essa foi rainha e senhora, com bandas para todos os gostos, gente e animação nas ruas desta cidade que dita o meu passo e me está impressa na alma. 

 

Capicua e a alma tripeira nos Leões

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A doença da juventude.

por Fernando Lopes, 12 Set 14

Ao meu lado estaciona um Fiat 500 com autocolantes cor-de-rosa. Como constatou um velho amigo, os carros de pobre dos anos 60 e 70 (Fiat 500 e Mini) são hoje sinal de status. A proprietária do veículo pop caminha à minha frente; é pequenina, loira, muito magra, usa  jeans justos, uma blusa moderna e aqueles sapatos de manco que agora são moda. Penso tratar-se de uma pita da Faculdade de Letras, mesmo aqui ao pé. Quando se volta, vejo a face enrugada de uma mulher muito perto dos sessenta anos. Não quero fazer juízos de valor, mas inevitavelmente me parece que  está em busca de uma juventude perdida. Que motivos terá para se vestir como rapariga de 20, até optar por um carro associado à mocidade? Poderá ser preconceito e penitencio-me, mas não consigo deixar de constatar que ser  jovem tornou-se de tal forma ditatorial que tentamos mimetizar os mais novos, desde a roupa até ao veículo que conduzimos.

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Bacalhau demolhado.

por Fernando Lopes, 10 Set 14

Um retorno às coisas de antanho, rubrica já há algum tempo esquecida. Falava das mercearias finas da Rua do Bonjardim, do café moído na hora, dos pinhões com sabor, feijão fradinho e bacalhau demolhado. Os mais novos recordar-se-ão apenas do bacalhau Pascoal, vendido em em embalagens herméticas, asséptico e incipiente como a generalidade dos produtos que hoje consumimos. Os que têm mais de 45 anos terão provavelmente, a mando da mãe, recorrido à mercearia vizinha para comprar bacalhau demolhado. Numa situação de urgência, e não havendo tempo para tratar convenientemente o fiel amigo, recorríamos aos estabelecimentos gourmet da época, as mercearias. Numa bacia, mergulhadas em água, estavam postas do gadídeo, prontas a serem cozinhadas. Claro que isto aconteceu em tempos remotos, muito antes do higienismo fascista imposto pela ASAE. Exalavam um cheiro muito próprio que algumas almas maldosas associavam ao «perfume» da intimidade feminina. Tudo mitologia urbana. Como podem imaginar, fiquei ligeiramente surpreso quando o primeiro pipi com que tive contacto íntimo exalava agradável odor, ligeiramente perfumado, longe da intensa e azeda fragrância do bacalhau demolhado.

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Testei o meu crédito.

por Fernando Lopes, 9 Set 14

8h45. Ao sair do parque de estacionamento sinto-me mais leve. O bolso do casaco que deveria trazer a carteira encontra-se vazio. Sem problema, vou fazer o teste do crédito. No café onde costumo tomar o pequeno-almoço anuncio a boa nova:

- Hoje não pago, esqueci-me da carteira em casa.

 

Não só como hoje para pagar amanhã como, gentilmente, me disponibilizam 20 euros para as despesas do dia. Agradeço e recuso. A entrada no edifício onde trabalho faz-se através de um cartão; consegui um das senhoras de limpeza, acesso não restrito. À hora de almoço, anuncio que estou liso e que vou pagar amanhã. Mais uma vez não colocam nenhum problema. No final da tarde passo pela tabacaria do Sr. Lopes que suprime o meu vício tabágico com sorriso cúmplice  e caloroso «até amanhã».

 

Resumo do dia: meia de leite e pão com manteiga, costeleta de porco com arroz de feijão e água, café e dois maços de cigarros a crédito, num módico valor de 15 euros e uns cêntimos.

 

Eis algumas vantagens do comércio tradicional. Conhecem-nos pelo nome, sabem que esquecimento pode acontecer a qualquer um, sorriem complacentemente e confiam no cliente regular.  

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Conselhos divinos.

por Fernando Lopes, 8 Set 14



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Feira do Livro.

por Fernando Lopes, 8 Set 14

Os stands da feira na Avenida das Tílias
Uma ideia a retomar, a das bibliotecas itenerantes
no miradouro, este mágico pôr do sol com a ponte da Arrábida com fundo

Conforme planeado, uma vista à Feira do Livro no Palácio de Cristal. O facto de se desenrolar debaixo das enormes tílias dá-lhe um ambiente menos urbano, mais zen. Não podia sair de mãos a abanar, foram três as compras: «Prosas Bárbaras» do sempiterno Eça, «A Casa Assombrada» um livro de contos de Virginia Woolf e «Pela Estrada Fora – O Rolo Original» a versão não purgada do célebre romance de Jack Kerouack.

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Palácio de Cristal.

por Fernando Lopes, 7 Set 14

Imagem roubada ao facebook de «Porto Desaparecido»

 

Para a minha geração, Palácio de Cristal, ou simplesmente Palácio, será sempre sinónimo de Feira Popular. Entrando pela Rua D. Manuel II, percorrida a pequena recta ladeada de árvores, estávamos perante dois clássicos de sempre, o martelo para testar as forças e um homem muito velho com um carrinho de ferro. O carrinho tinha uma pega, devia-se empurrar com a máxima força por um emaranhado de curvas e contra curvas. Se chegasse ao cimo, batesse na porta, saltava um cabeçudo a fazer um manguito. Um prémio estranho para os dias de hoje, mas que nos enchia da satisfação do dever cumprido.

 

Havia aviões de sobe-e-desce, barracas de tiro, carrinhos de choque, umas cadeiras que andavam em círculo presas por cadeados numa espécie de desafio radical, barracas de chocolates em que se fazia um furo. Conforme a cor da bola que nos calhasse em sorte, um chocolate diferente.

 

Tínhamos as esplanadas da avenida das Tílias, onde lanchávamos tostas mistas e leite chocolatado UCAL, o lago, onde consoante a bolsa, se podia andar de barco a remos ou a motor.

 

Mais abaixo o «zoológico» com o chimpanzé Chico, o leão Sofala, pavões, aves exóticas e galinhas de Angola a cacarejar «Tou fraca». Restaurantes onde se comia sardinha e frango assado, azeitonas e broa, coisas simples, num tempo simples.

 

Planeei ir à Feira do Livro, apoio a revitalização deste espaço da cidade, mas Palácio será sempre a alegria infantil de uma Feira Popular. 

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