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Este fim-de-semana foi assim. (*)

por Fernando Lopes, 25 Set 16

arcos1.jpg Acordar ao som do nevoeiro.

 

arcos2.jpgSaber que ainda existem bogas no rio.

 

 

arcos3.jpg Olhar para trás a caminho do café «O Cunha» e ver isto.
 

 

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Boosters Intensificadores Anti-Age.

por Fernando Lopes, 21 Set 16

boosters.jpg Rua Júlio Dinis, Porto

 

Zézinho foi almoçar. Resolveu dar uma volta ao quarteirão e deparou com isto. Precisei de dois ou três segundos para – tentar – entender o que ali está escrito. Parece que é um tratamento intensivo anti-envelhecimento. Já tinha visto o uso disparatado de anglicismos, mas este supera tudo, duvido que 80% das potenciais clientes entendam a mensagem. Não valia mais um «bora lá pôr-te como nova?».   

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Cisma grisalho.

por Fernando Lopes, 20 Set 16

O restaurante onde almoço diariamente tem tido um empregado novo quase todas as semanas. Primeiro foi um jovem, mesmo muito jovem, depois um rapaz empertigado com ar de quem estava a servir caviar e não bife com molho de francesinha, um outro já perto dos sessenta com enorme boa vontade e memória curta. A transformação social e cultural que vivemos, a crise, o medo de perder o emprego, a competição desenfreada, levaram a que seja cada vez menos agradável trabalhar, o trabalho passou a ser mais palco de luta pela sobrevivência que local de camaradagem.  Muitos patrões aproveitaram este momento de mudança de paradigma para exercerem poder de uma forma arbitrária, discricionária, transformando o trabalhador numa «coisa» facilmente permutável. Quando vi por lá o senhor, já bem passado dos cinquenta, confesso que tive uma certa pena por um tipo daquela idade ser obrigado a competir com miúdos que poderiam ser seus filhos, quase netos. Não deve ser fácil. O momento político anterior aplicou a velha máxima do «dividir para reinar». Pegou, e tendemos a ver no vizinho do lado um competidor em vez de um companheiro. Pôs novos contra velhos, trabalhadores do privado contra os do público, a isto chamou «cisma grisalho». Temo que este momento, como um cancro, tenha alastrado de tal modo pela sociedade que seja difícil voltar aos tempos em que nos ajudávamos uns aos outros. Sempre houve conflitos, ambições, egos inflados, graxistas, sacanas, mas eram uma minoria que se negligenciava como algo disfuncional.  Hoje são esses e os idiotas úteis altamente valorizados, sobreviventes a não se sabe quê ou quem. Uma sociedade que perde a sua humanidade nos ambientes de trabalho, inexoravelmente, irá perdê-la em todas as outras áreas.

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Informação inútil.

por Fernando Lopes, 19 Set 16

Um destes dias, no trabalho, e a propósito de alfaiates, mandei para o ar a piada:

 

- O sr. aparta à esquerda ou à direita?

 

Ninguém percebeu, mas eu explico: quando os fatos ainda eram uma peça artesanal esta era uma pergunta costumeira, para dar um pouco mais de pano à esquerda ou direita para arrumar a genitália. Com o advento do pronto-a-vestir, já ninguém quer saber se nos dá mais jeito a folga de um lado ou de outro. Não é que estejamos mais pequenos que os nossos antepassados, a modernidade é que nos obrigou a «estacionar em menos espaço».

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Mulher sem rosto.

por Fernando Lopes, 17 Set 16

Mulher_sem_rosto.jpgMulher Sem Rosto, Rua de Sá da Bandeira, Porto

 

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Artur.

por Fernando Lopes, 15 Set 16

Mal abrem a porta entra-me pelas narinas aquele odor característico dos lares, uma mistura indefinível de urina, lixívia, e desinfectante perfumado. Um velho caminha sem rumo apoiado por duas bengalas. Pelo corredor circulam as auxiliares, bata rosa, as enfermeiras de branco vestidas, pobre imitação de querubim. Ao fundo do corredor a enfermaria, de onde uns irão sair recuperados, outros para os tratos de um qualquer gato pingado. Desço o elevador para a sala de convívio e refeitório. É hora de almoço, apenas dois resistentes no sofá a olhar hipnotizados para o ecrã da televisão. Na sala de refeições a comida tem o aspecto de papa. Sei que assim é porque a maioria dos comensais há muito perdeu os dentes ou mais não tem que uma placa que obstinadamente lhes dança na boca como se tivesse vida e vontade própria. Muitos têm uns enormes babetes plásticos, como se fossem crianças ou estivessem numa qualquer festa da lagosta.

 

A vida num lar é como jogar à roleta russa sem arma.

 

A um canto uma senhora numa cadeira de rodas. Muito encolhida e enrugada, já pouco maior é que uma criança de seis ou sete anos. Sobre o colo um xaile rosa, talvez ainda feito à mão, talvez uma peça barata comprada nos chineses. A cabeça tomba-lhe sobre a esquerda enquanto murmura qualquer coisa incompreensível. Depois desata a gritar:

 

- Ó Artur, Artur! Ó Artur.

 

Faz isto uma meia-dúzia de vezes, pára e logo recomeça. Alguém me conta que chama pelo marido, morto há mais de vinte anos. Assim que recomeça a gritar alguém lhe diz:

 

- Estou aqui, está sossegada.

 

Sorri tranquilizada, e de um modo só seu, regressa aos braços de Artur.  

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Os homens não se querem bonitos.

por Fernando Lopes, 13 Set 16

Se perguntados, a maioria dos homens dirão que não se importam de não ser bonitos. Não é que não nos importemos, habituamo-nos a conviver com a escassa beleza que nos calhou em sorte, mas no fundo, no fundo, todos gostaríamos de ser um Brad Pitt. Uma carinha laroca é meio caminho andado para o sucesso no amor, até mesmo profissional. Somos levados a cultivar outras características que se tornem interessantes para as mulheres: humor, inteligência, cultura, cavalheirismo. Charme, carisma, são coisas que se podem tentar aprender, mas que essencialmente, ou temos ou não. Hoje de manhã olhei para o espelho e disse para comigo: estás melhor que a grande maioria dos da tua idade. Não sei porquê, senti-me reconfortado. Esta necessidade de ser fisicamente apelativo esmorece com o tempo, mas não desaparece nunca, queremos sempre estar no nosso melhor, pelo menos no melhor possível. Achei que o sacrifício que tenho feito estes meses com a dieta me rejuvenesceram um pouco. Ou como disse a minha Directora-Geral, uma senhora muita queque: está dez anos mais novo! É bom estarmos mais ao menos bem na nossa pele, recuperar lentamente o amor-próprio.

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O juiz que manda uns bitatites.

por Fernando Lopes, 12 Set 16

A modéstia exagerada é uma forma extrema de vaidade. É assim o juiz Carlos Alexandre, a dizer-se saloio para que lhe elogiem a enorme urbanidade. Desconfio de super-homens. Não sei como tem humanamente tempo para ler processos de milhares de páginas, ouvir tudo, saber tudo. Talvez não durma nunca, trabalhe sábados e domingos, um ser virtuoso de energia inesgotável.

 

Não me interessa a vida privada de um juiz, só os seus pareceres e sentenças devem ser públicas. Um agente da lei deve resguardar-se, deixar que os seus doutos pareceres façam jurisprudência, não aparecer na televisão como qualquer artista, político, ou figura que por necessidade de ofício tenha de se mostrar.

 

Não sei se Sócrates é culpado ou não, o processo ainda não passou da fase de instrução. Nem me interessa. Sei é que um magistrado não pode mandar bitaites. «Sou o saloio de Mação que não tem dinheiro em nome de amigos», é uma boca lateral a Sócrates. Um juiz não manda bocas, cinge-se à investigação, cumprimento e aplicação da lei. Fez um juízo moral, insinuou. Foi boa a entrevista, deram-lhe uma pá para a mão, e o «saloio» enterrou com todo o vigor a credibilidade – já de si duvidosa – que lhe restava. Requiescat in pace.

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03:30.

por Fernando Lopes, 11 Set 16

É sábado à noite, 3:30 da manhã. Inebriado pelo álcool, penso encontrar-te. Sentar-nos-íamos numa mesa qualquer de um bar fora de moda, um olho no passado, outro no que ainda nos falta viver. Farias como sempre, bebericando o primeiro gole da minha cerveja, acendendo um cigarro, e com ar de diva, colocá-lo-ias na minha boca, húmido dos teus lábios, eu feliz, como se recebesse um fluído de vida. Falaríamos dos amores passados, do nosso passado que é sempre presente, das pessoas ao mesmo tempo estranhas e íntimas em que nos transformamos. Há muito não partilhamos a mesma cama, e, no entanto, ainda a sinto com o teu calor. Falhamos? Destino? Cair-me-iam pelo rosto lágrimas tão indefiníveis como pequenas gotas de orvalho. Não sei se choro pela alegria do que foi se pela incerteza do que há-de vir.

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E agora, algo completamente diferente.

por Fernando Lopes, 7 Set 16

Em Fevereiro pesava 82,4 quilos. A última dava 73,6. Não foi fácil, há meses que como o mínimo de hidratos de carbono que me é possível, trinco tantos verdes quanto uma vaca açoriana. Tudo isto sem medicamentos, apenas cortando à boca e caminhando o mais que posso. Nos últimos tempos não tenho conseguido manter a progressiva descida de peso. Passeio-me entre os 74 e 73, sem nunca ter conseguido, nem sequer por um dia, ter baixado para os 72 ou menos. 

 

Um problema adicional é que sinto que perdi alguma força de braços. Dado o meu passado desportista, apesar do peso elevado sempre tive imensa força de braços. Badocha, conseguia fazer vinte flexões sem esforço de maior. Hoje para fazer quinze é o cabo dos trabalhos. Dizem-me que além do peso perdi massa muscular. Deve ser verdade. A solução é ir para um ginásio e tentar recuperar a força perdida. Tenho um aqui ao pé de casa, vou fazer uma consulta, pedir que me tracem um plano de treino. Dada a idade e o facto de não querer deixar de fumar, estou seguro que não vai ser fácil, mas tentar não custa. Não quero um six pack nem aparecer na capa da Men´s Health, apenas voltar a ganhar a força muscular para voltar a fazer trinta ou quarenta flexões sem largar flatulência de esforço e ficar vermelho como um pimento.

 

A ver vamos, como diria o cego.

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