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Zizi Sexuel

por Fernando Lopes, 24 Out 14

zizi_sexuel.jpg

Uma exposição sobre sexo, destinada a crianças e pré-adolescentes, entre os 9 e os 14 anos? É possível, mas em França. Zizi é o nome com que muitas crianças francesas se referem ao órgão sexual masculino e de um «guia» sexual para jovens, muito popular em França.

 

Além de informar de forma descontraída sobre as transformações na puberdade, tem também uma secção que alerta para a pedofilia, incesto e os perigos da internet. Serviço público para pais, educadores e crianças.

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Zizi Sexuel

por Fernando Lopes, 24 Out 14

zizi_sexuel.jpg

Uma exposição sobre sexo, destinada a crianças e pré-adolescentes, entre os 9 e os 14 anos? É possível, mas em França. Zizi é o nome com que muitas crianças francesas se referem ao órgão sexual masculino e de um «guia» sexual para jovens, muito popular em França.

 

Além de informar de forma descontraída sobre as transformações na puberdade, tem também uma secção que alerta para a pedofilia, incesto e os perigos da internet. Serviço público para pais, educadores e crianças.

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O pior inimigo da igreja está dentro de portas.

por Fernando Lopes, 22 Out 14

IDiabo_Edição1973_21Outubro14_CAPA-326x406.jpgImagem alterada por sugestão do caçula

Ateu confesso, sigo com moderado interesse as questões que à igreja dizem respeito. No sínodo dos bispos sobre a família, e dada a abertura em questões de costumes do Papa Francisco, resta uma moderada desilusão.

 

Apesar da crescente aceitação dos homossexuais nas sociedades em geral, não me parece que os bispos estejam disponíveis para discutir e aceitar estas questões, pois muitos deles recusam assumir a sua própria homossexualidade, consequentemente, estariam menos disponíveis para tolerar uma diferença que ocultam, como se as opções sexuais fossem pecado.

 

Já no que concerne ao reconhecimento de casais constituídos por divorciados ou em união de facto, a recusa em aceitá-los como membros activos da instituição me parece um erro crasso, ele mesmo é ultrapassado pela realidade. Uma amiga, católica praticante, teve um casamento infeliz e divorciou-se, apenas do marido, não da sua fé. Aquando do segundo casamento fez questão de, numa cerimónia privada, receber a bênção de um sacerdote da sua confiança, que o não negou. Mais ainda, é catequista, ensina os mistérios da fé a crianças que os pais iniciam no catolicismo.

 

Ora se esta mulher – uma excelente pessoa – é boa para ser abençoada no seu segundo casamento, se confiam nela para ensinar o bê-á-bá da religião aos jovens, não é suficientemente boa para receber os sacramentos? Apenas os velhos bispos, numa atitude autista, se recusam a entender que as boas pessoas, com fé ou sem ela, são poucas, demasiado poucas para poderem ser tratadas como renegados.  

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O abraço.

por Fernando Lopes, 21 Out 14

Desço a Rua da Boavista em direcção à rotunda. Do meu lado direito dois jovens caminham um para o outro. São altos e magros, ela loura e elegante, face ainda de bebé, ar jovial e roupa desportiva. Ele tem o cabelo encaracolado, jeans gastos e um sorriso de orelha a orelha. Beijam-se e depois abraçam-se. Ficam envolvidos nos braços um do outro durante minutos. Olham-se, sorriem, voltam a enlear-se, bem apertados.

 

No carro, fico a olhá-los pelo canto do olho, entre o voyeur e enternecido. Não há muito, talvez há uma eternidade, éramos assim, jovens amantes despreocupados, para quem a paixão era a única coisa neste mundo que fazia sentido. Inocente, também agarrei a rapariga amada numa árvore eterna de ternura, segundos que duravam para sempre. O tempo foge, estes enleios apaixonados mostram-me que o sonho do amor único, eterno, intenso, não mais é que uma quimera. São jovens, bonitos, apaixonados. Não há coisa mais bela.

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Olhares.

por Fernando Lopes, 20 Out 14

«If looks could kill, they probably will» cantou Peter Gabriel. No departamento está uma jovem estagiária, analista de métodos, a preparar a sua tese de mestrado. Um companheiro de trabalho comentou algo que também tinha notado: quando lhe estamos a explicar algum procedimento, olha-nos fixamente nos olhos. Gosto de olhares, de olhos nos olhos, o prolongar dessa fixação provoca-me sentimentos mistos. Por um lado sabemos que está atenta ao que explicamos, por outro não consigo deixar de sentir algum desconforto, uma espécie de nudez, algo de hipnótico. Diga-se o que se disser, é difícil assentar os olhos nos de alguém que não nos é familiar durante períodos prolongados de tempo.

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A menina que ia sozinha para a pré.

por Fernando Lopes, 19 Out 14

Hoje já quase não se vêem crianças, mochila às costas, a ir para a escola. Recordo-me bem do dia em que a avó me levou ao primeiro dia de escola, ensinou o caminho. Fê-lo duas ou três vezes. A partir desse momento estava por minha conta. O percurso, embora longo, só implicava atravessar a Rua dos Bragas com paragem obrigatória na confeitaria do Neves, para abastecimento com uma bola de Berlim.

 

Mas às vezes levamos um soco no estômago da nossa infância protegida, despreocupada. Há tempos, falando de crianças, uma rapariga de trinta e poucos anos, contou-nos que na localidade onde habitava, na zona de Aveiro, ia sozinha para a pré. Com quatro anos. Regressava a casa para o almoço e retornava ao infantário. Sempre só. Assumiu esta bizarria com ar de pretensa normalidade, mas os olhos negavam-no. A mãe era doméstica, mas não possuía o tempo ou empenho para a acompanhar. E isso dói, dói para a eternidade, mesmo que o tentemos negar. Não me atrevo a imaginar a solidão que acompanhava essa menina. Já mulher, enquanto os lábios diziam uma coisa, o rosto mostrava outra. Ia sozinha para a pré.

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Porto adentro.

por Fernando Lopes, 18 Out 14

abelhas_cedofeita.jpgPorta da abandonada esquadra de polícia, Cedofeita

rua do mirante.jpgRua do Mirante

leoes.jpg«From The Lions Mouth»

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A procura do sagrado, do que transcende, é importante para muitos dos que me rodeiam, cada vez mais irrelevante a nível pessoal. Sou dos poucos da minha geração que não foi baptizado, não teve educação católica, que desde tenra idade pôde escolher. Escrevo sobre morte porque, uma vez mais, estive num funeral. Sinto-me colocado num daqueles tapetes gigantes das fábricas que conduzem a carne até ao vazio. A fila da frente caiu nesse abismo desconhecido, eu sou a seguir, olho a distância que me separa da queda com total indiferença. Não me comovem os rituais da igreja, o padre que diz a missa com a insensibilidade de um escriturário, a esperança em algo indefinível, melhor, perfeito. As coisas são como são, átomos e nada mais. Com a idade e a proximidade da morte, muitos tentam agarrar-se a uma forma vã de permanência, de existir. Nada vejo excepto o tapete que rola, a ritmo certo, com destino inexorável. Não encontro Deus e ele faz questão de me evitar.

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Já tenho presentes preferidos para 2015.

por Fernando Lopes, 16 Out 14

Sabem os meus queridos leitores que sou um fumador furioso e apreciador incondicional de cerveja. Uma vez que estes bens – uma vez mais – estão sobre a mira do OE de 2015 podem os amigos que me lêem optar por me presentear no Natal com uma mini e um maço de Pall Mall. Os mãos largas que comprem um volume, ou meio, e um pack de 12 cervejas. Esqueçam as roupinhas do Cortefiel, o «Le Male» do Gaultier ou os livros de Pynchon. Uma bejeca e uns paivantes transformaram-se na nata dos presentes.

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Costa foi às exéquias do BE.

por Fernando Lopes, 15 Out 14

antoniocosta-livre8248aacf_400x225.jpg

Não me entusiasma, até porque da sua boca pouco mais ouvi que banalidades. As eleições do PS foram de personas e não de ideias, perdeu o «líder da triste figura». No entanto, ninguém pode acusar o bom do Costa de inabilidade política, daí que o seu primeiro acto público depois da imperial foi ter comparecido no congresso do «Livre».

 

Está a piscar o olho à esquerda da esquerda que não se limita a protestar, que quer «meter as mãos na massa» e intervir politicamente num governo. O BE está morto, assassinado pelo seu ex-líder, pela recusa em ser mais que um partido de protesto. Exactamente três pessoas acreditam no futuro do BE: Catarina Martins, João Semedo e aquele moço careca, matemático, que perdoem-me, parece uma cópia de Seguro. O homem emana carisma que até atrapalha.

 

A política é a arte do possível, para conseguir uma pequena vitória são necessárias inúmeras cedências. É assim também na vida, coisa que a malta bloquista teima em não compreender. Sem ter mestrado em futurologia, vejo o Livre a esmagar o Bloco nas próximas eleições.

 

Porque sabem essa coisa tão simples, nada é de borla, para dar um passo à frente, às vezes é necessário recuar dois. Esse espírito de compromisso, capacidade de cedência e negociação parecem ser a sua grande vantagem. Um certo eleitorado de esquerda está cansado do pensamento que em nome da ideologia, a nada cede. Estou entre eles, prefiro alguém mesmo em posições subalternas a puxar à esquerda, que seja a consciência crítica do PS. Costa entendeu isso, muitos eleitores como eu também, o Bloco só vai atingir que errou quando o piano de cauda chamado eleições lhe cair em cima da cabeça.

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